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    Um mês depois do prazo, Flávio ainda não provou para onde foi o dinheiro do Dark Horse

    — calculando —
    Mário Frias, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro e Jim Caviezel

    📷 O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel (Imagem reprodução redes sociais), que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: Sergio Lima/AFP) – preso por tentativa de golpe de Estado – no filme ‘Dark Horse’ (O Azarão) | Arte Urbs Magna

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    10 de julho de 2026

    Passou-se um mês do prazo que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mesmo estabeleceu para provar como foi gasto o dinheiro do filme Dark Horse, e nenhum relatório veio a público.

    A produtora responsável não responde à imprensa, e a pré-campanha do senador afirma que o problema não é dela.

    Como a promessa começou

    A origem do compromisso remonta a 19 de maio, no momento mais agudo da crise provocada pela revelação de que Flávio mantinha contato direto com Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro.

    As mensagens e áudios que expuseram o esquema foram divulgados originalmente pelo O Globo como tendo partido do The Intercept Brasil, que mostrou o senador cobrando repasses financeiros para concluir o longa e chamando o banqueiro de “irmão” em trocas de mensagens, segundo apurou o O Bastidor.

    Pressionado a esclarecer a relação, Flávio convocou uma reunião com deputados e senadores do PL e, na entrevista coletiva que se seguiu, tentou conter o desgaste com uma promessa concreta: “Solicitei à produtora do filme que apresente, dentro de um prazo de 30 dias” um relatório completo sobre o destino dos recursos usados na produção.

    Disse ainda ter pedido que, caso o filme desse retorno financeiro, o valor investido por Vorcaro ficasse separado e à disposição das autoridades.

    Sobre a natureza do vínculo com o banqueiro, insistiu que os contatos serviram unicamente para viabilizar a conclusão do longa sobre o pai.

    O prazo vence e nada aparece

    O compromisso de 30 dias expirou em 19 de junho. Passado mais um mês, a pré-campanha do senador informou ao O Globo que o assunto “não teria nada a ver com a pré-campanha ou Flávio”, redirecionando qualquer questionamento à produtora Go Up Entertainment, empresa de Karina Ferreira da Gama.

    Procurada, a empresa não respondeu.

    O que já se sabe sobre os gastos

    Enquanto o relatório prometido não aparece, outros documentos vieram à tona por caminhos distintos. Uma perícia privada apontou orçamento de R$ 75 milhões para o filme — R$ 54 milhões gastos nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões no Brasil —, mas sem notas fiscais, contratos ou detalhamento de despesas.

    O documento não foi divulgado por iniciativa do senador: ele integra um inquérito que apura se Karina Gama desviou recursos da Prefeitura de São Paulo, por meio do Instituto Conhecer Brasil, para bancar parte da produção.

    O orçamento inicialmente aprovado para Dark Horse era de US$ 16 milhões — cerca de R$ 89,7 milhões —, o que tornaria o longa o mais caro já produzido no Brasil, superando com folga o custo de “O Agente Secreto”, concorrente brasileiro ao Oscar, orçado em R$ 28 milhões.

    Ainda assim, o valor fica abaixo dos US$ 24 milhões que Flávio teria negociado com Vorcaro em 2025, segundo o The Intercept Brasil.

    Do total prometido pelo banqueiro, apenas US$ 10,6 milhões — R$ 61 milhões — chegaram a ser efetivamente repassados, via empresa Entrepay, antes de sua prisão interromper os pagamentos.

    A ramificação criminal do caso

    O episódio ultrapassou a esfera da transparência eleitoral. Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero, que investiga fraude bilionária ligada ao Banco Master.

    A Polícia Federal apura, paralelamente, se parte dos recursos enviados por ele a fundos no exterior — ao menos R$ 61 milhões — teria sido usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, por meio do fundo Havengate Development, cujo agente legal é o escritório do advogado Paulo Calixto, que representa o próprio Eduardo.

    Há ainda uma segunda cobrança em curso: o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação notificou o Instituto Conhecer Brasil, ligado a Karina Gama, para prestar contas de um convênio federal já integralmente repassado, sob risco de inadimplência formal.

    A sequência de prazos descumpridos — o da produtora, agora vencido, e o da própria ONG ligada a ela junto ao governo federal — desenha um padrão de promessas usadas para administrar crise política no curto prazo, sem compromisso efetivo de cumprimento.

    Sob a ótica deste portal, o silêncio da Go Up Entertainment soma-se à ausência de documentos formais na perícia já divulgada, o que mantém em aberto justamente a pergunta que Flávio disse quisesse responder: para onde foi, exatamente, o dinheiro do Dark Horse.

    FAQ Rápido

    Qual prazo Flávio Bolsonaro prometeu e quando venceu?
    Ele prometeu, em 19 de maio, que a produtora apresentaria um relatório em 30 dias — prazo que terminou em 19 de junho, sem cumprimento até hoje.

    Existe algum documento público sobre os gastos do filme?
    Sim, uma perícia privada aponta R$ 75 milhões em despesas, mas sem notas fiscais, contratos ou comprovantes detalhados.

    O caso Dark Horse virou investigação criminal?
    Parte dele, sim. A Polícia Federal apura se recursos de Daniel Vorcaro foram usados para custear a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.



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