O senador Flávio Bolsonaro, filho do condenado por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro, e pré-candidato à Presidência pelo PL, durante coletiva de imprensa em que tentou se explicar sobre encontro com Daniel Vorcaro na prisão domiciliar |19.5.2026| vê reversão de sua ascensão nas pesquisas eleitorais / Foto: Imagem reprodução
| Brasília (DF)
20 de maio de 2026, 01h09
PT aciona TSE contra “Dark Horse” com base em R$ 61 mi do Banco Master (Daniel Vorcaro) intermediados por Flávio Bolsonaro. Ação pede suspensão até eleições, cita caixa 2, lavagem de dinheiro e precedente de 2022. Flávio admitiu ter mentido sobre relação com o banqueiro.
A investida de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para suspender a pesquisa Atlas/Bloomberg revela mais sobre o momento delicado de sua pré-campanha do que sobre supostas falhas técnicas no levantamento.
O senador, que esperava ver o impacto do escândalo com o banqueiro Daniel Vorcaro dissipado nas urnas, viu o resultado desabar.
O levantamento mostra o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 48,9% das intenções de voto contra 41,8% do bolsonarista no segundo turno — uma vantagem de 7,1 pontos percentuais.
Além disso, o estadista se consolida por feitos como o Novo PAC; a reformulação do Bolsa Família; a redução do desmatamento na Amazônia que rendeu ao governante anterior o apelido de “Bolsonero“; a manutenção da inflação sob controle, a elevação do salário mínimo acima da inflação e a aprovação da Reforma Tributária, dentre muitas outras coisas.
A representação de Flávio Bolsonaro, protocolada no mesmo dia da divulgação da pesqisa Atlas, nesta terça-feira (19/mai), alega que o questionário do Instituto continha “precedente manipulativo grave” e teria deixado de observar “a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais”.
O argumento central da defesa é que as perguntas sobre rejeição e imagem de Flávio foram feitas depois de um bloco inteiro dedicado ao caso Banco Master e aos áudios e mensagens trocados entre o senador e Vorcaro.
ESPECIALISTAS APONTAM FRAGILIDADE
O cientista político Antonio Lavareda, presidente de honra da Abrapel (Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais), concedeu entrevista à Folha de S.Paulo e classificou a reclamação do PL como frágil.
Embora concorde que a posição das perguntas sobre rejeição após um bloco polêmico seja um “erro” técnico, Lavareda afirmou que isso não invalida os números principais, já que a intenção de voto foi aferida no início do questionário.
Já o estatístico Raphael Nishimura, da Universidade de Michigan, foi além. Ele criticou o formato do questionário online em uma única página rolável — que permite ao entrevistado voltar e alterar respostas —, mas foi enfático ao dizer que, nos pontos levantados pelo PL, “não há sinais de infração a regras técnicas”.
A DEFESA DO INSTITUTO ATLAS
Em nota veiculada pelo Estadão, o Instituto Atlas rebateu as acusações ponto a ponto.
A empresa de pesquisa de mercado e ciência de dados explicou que a pergunta sobre o áudio de Flávio Bolsonaro — no qual ele discute o financiamento do filme “Dark Horse” com Vorcaro — foi a única apresentada em uma página separada, justamente para evitar qualquer contaminação das respostas anteriores.
“Perguntar sobre conhecimento prévio de um caso notório antes de medir imagem não equivale a indução, desde que não haja apresentação de conteúdo persuasivo ou argumentativo”, declarou o instituto.
O Atlas também defendeu o formato de múltiplas perguntas em uma mesma tela como “prática bastante comum para reduzir abandono, diminuir tempo de entrevista, melhorar a experiência do respondente”.
Sobre a alegação do PL de falta de “cadeia de custódia” do áudio, o Atlas respondeu que o arquivo era de “conhecimento público e notório” e que o próprio Flávio Bolsonaro confirmou o contato com Vorcaro após a divulgação pelo Intercept Brasil, não tendo questionado a autenticidade do conteúdo na ocasião.
O QUE ESTÁ EM JOGO
O levantamento do Atlas, realizado entre os dias 13 e 18 de maio com 5.032 eleitores (margem de erro de 1 ponto percentual), também capturou o aumento da rejeição a Flávio Bolsonaro, que saltou de 49,8% para 52%.
O dado mais preocupante para a campanha do bolsonarista, no entanto, é que 95,6% dos eleitores afirmam ter conhecimento sobre o caso “Dark Horse” — o que torna o episódio um fato consolidado na opinião pública.
A estratégia de atacar a credibilidade da pesquisa — e não o seu conteúdo — é um movimento clássico de campanhas que enfrentam números adversos.
A tentativa de censurar ou suspender um levantamento legítimo fere o debate democrático e a liberdade de imprensa, pilares essenciais para eleições transparentes.
A ministra Cármen Lúcia deve incluir o pedido do PL em pauta nos próximos dias.
A expectativa entre juristas é de que o TSE negue a suspensão, mas aproveite o caso para estabelecer diretrizes mais claras sobre a ordem de perguntas em pesquisas eleitorais.
Cármen Lúcia analisará o pedido liminar de Flávio Bolsonaro ainda nesta semana.
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FAQ Rápido
1. Por que Flávio Bolsonaro pediu a suspensão da pesquisa Atlas no TSE?
O senador alega que o questionário induziu os entrevistados ao colocar perguntas sobre seu envolvimento com Daniel Vorcaro (Banco Master) antes das questões sobre rejeição e imagem.
2. O que dizem os especialistas sobre o pedido de Flávio?
Antonio Lavareda (Abrapel) e Raphael Nishimura (Universidade de Michigan) classificam os argumentos como frágeis. Eles apontam que não há indução comprovada e que a intenção de voto foi medida no início da pesquisa.
3. Qual o resultado da pesquisa Atlas que Flávio tenta suspender?
O levantamento mostra Lula com 48,9% contra 41,8% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, vantagem de 7,1 pontos. A rejeição ao senador subiu para 52%.
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