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    Escritório de Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 mi em notas para empresa ligada a Vorcaro; “acabou pra ele” tá nas redes

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    Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

    📷 Daniel Vorcaro (direita), dono do Banco Master (antigo Banco Máxima), preso na sede da Polícia Federal em Brasília desde março de 2026, devido a investigações sobre fraudes financeiras / O senador Flávio Bolsonaro (esquerda) durante evento de pré-campanha / Imagens reprodução |•| Arte Urbs Magna

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    22 de julho de 2026

    O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do qual ele é o único sócio, emitiu três notas fiscais somando R$ 1,5 milhão em favor de duas empresas ligadas à estrutura financeira de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

    A revelação aprofunda as conexões entre o pré-candidato e o banqueiro investigado pela Polícia Federal.

    O que dizem os documentos

    Segundo apuração do jornalista Tácio Lorran, publicada na coluna do Metrópoles nesta quarta-feira (22/jul), duas notas de R$ 500 mil cada foram emitidas em 7 de abril de 2025 pelo escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia em nome da Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. — e canceladas na mesma data.

    Dois dias depois, em 9 de abril, uma terceira nota, também de R$ 500 mil, foi emitida para a Contábil Correa, sem registro de cancelamento até o momento.

    A Copenhagen, fundada em novembro de 2024 com capital social de apenas R$ 40, não possui sede própria nem site — características que a apuração aponta como próprias de empresa de fachada.

    Segundo a Polícia Federal, a empresa está entre as dez que mais movimentaram recursos do Banco Master, tendo recebido R$ 58 milhões, dos quais R$ 11,2 milhões logo após sua fundação.

    A titularidade formal da consultoria pertence a um fundo chamado “Estônia”, administrado pela Trustee DTVM, também sob investigação da PF por suspeita de ocultação patrimonial do grupo de Vorcaro.

    O elo entre as duas empresas

    A Copenhagen e a Contábil Correa têm em comum o contador Rogério Lourenço Novo, que figura na Receita Federal como único responsável pela primeira e único sócio da segunda — ambas registradas no mesmo endereço, em São Caetano do Sul (SP).

    Rogério também integra o conselho fiscal da Ambipar, outra empresa da teia societária associada a Vorcaro, e já havia sido investigado pela Polícia Federal, entre 2013 e 2015, por suposto esquema de notas fiscais falsas com prejuízo estimado à época em mais de R$ 100 milhões — um histórico anterior ao caso atual, mas que reforça o perfil de risco do contador segundo a reportagem.

    A resposta de Flávio Bolsonaro

    Em nota oficial, a assessoria do senador afirmou que ele mantém “contrato de prestação de serviços de assessoria jurídica com a BR Global”, nome fantasia da Contábil Correa, e que teria sido consultado sobre a possibilidade de atender a Copenhagen como cliente da própria BR Global — sem, contudo, aceitar o trabalho.

    Horas depois, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo em tom exaltado classificando a reportagem como “criminosa” e afirmando que a revelação das notas integra um esquema, atribuído a um “órgão estatal”, para inviabilizar sua candidatura à Presidência, segundo registrou a Revista Fórum.

    O senador negou ter recebido qualquer valor da Copenhagen e reafirmou que não desistirá da corrida presidencial.

    O contexto: a crise do Dark Horse

    O episódio se soma a uma crise que já vinha desgastando a pré-campanha de Flávio Bolsonaro desde maio, quando vieram à público as negociações entre ele e Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

    À época, o senador havia pedido R$ 134 milhões ao banqueiro, que confirmou o repasse de R$ 60 milhões.

    Levantamento da plataforma Hórus, da consultoria AP Exata, mostrou que aquele episódio já havia levado a menções negativas ao senador a atingir 64,3%, o pior índice registrado desde o início da pré-campanha, segundo apurou a CNN Brasil.

    O padrão de resposta do senador — negar publicamente, atribuir a reportagem a uma perseguição orquestrada e reafirmar a candidatura em tom de desafio — repete o roteiro observado em outros episódios da família Bolsonaro diante de revelações jornalísticas desfavoráveis.

    O dado mais relevante não é o cancelamento das notas em si, mas o fato de o próprio escritório de Flávio ter tido contato documentado, ainda que negado posteriormente, com uma estrutura empresarial hoje sob investigação por movimentar dezenas de milhões de reais do banco liquidado pelo Banco Central.

    Nas redes sociais, o assunto é “acabou pra ele”.

    FAQ rápido

    O que as notas fiscais provam sobre Flávio Bolsonaro?
    Provam que o escritório dele emitiu documentos fiscais para duas empresas ligadas à estrutura de Daniel Vorcaro; não provam, por si só, recebimento de valores, já que duas das três notas foram canceladas.

    Flávio Bolsonaro nega qualquer ligação com o caso?
    Sim. Ele afirma que a relação comercial válida é com a Contábil Correa (BR Global) e nega ter prestado serviços ou recebido dinheiro da Copenhagen.

    Esse caso está relacionado à crise do filme Dark Horse?
    Está no mesmo pano de fundo — a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro — mas trata de fatos documentais distintos, revelados agora pela primeira vez.

    Atualização: a Polícia Federal ainda não se pronunciou sobre se as notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro serão incorporadas às investigações em curso sobre o Banco Master.



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