O senador Flávio Bolsonaro / Foto: Andressa Anholete / Agência Senado | O ex-banqueiro hoje preso Daniel Vorcaro / Foto: Ana Paula Paiva / Valor / O Globo | Ao fundo, print de cena do filme Dark Horse
| Brasília (DF)
13 de maio de 2026
Uma nova reportagem do The Intercept Brasil expõe a negociação direta entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O objeto do acordo era o financiamento de R$ 134 milhões para a produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A revelação ocorre em um momento crítico, a menos de seis meses das eleições presidenciais de 2026, e insere o senador, que é pré-candidato, no centro de um escândalo financeiro de grandes proporções.
De acordo com a investigação publicada nesta quarta-feira (13/mai), o esquema envolveu a transferência de, no mínimo, R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025.
Os recursos eram destinados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e que, segundo documentos, possui ligações diretas com o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e seu advogado, Paulo Calixto.
Áudios e mensagens expõem a pressão do senador
Um dos elementos mais contundentes da investigação são os áudios e as mensagens de WhatsApp trocados entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Em uma conversa de 8 de setembro de 2025, o senador aparece cobrando o banqueiro por atrasos nos pagamentos.
Temendo a paralisação das filmagens, Flávio teria dito: “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus [Nowrasteh], os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”.
O ator Jim Caviezel, conhecido por seu papel em “A Paixão de Cristo”, foi escalado para interpretar Jair Bolsonaro no longa.
A produção, que tem estreia prevista para 11 de setembro de 2026, semanas antes do primeiro turno da eleição presidencial, é vista por analistas como uma ferramenta de campanha da extrema-direita brasileira.
O papel do “operador” e a proximidade com Vorcaro
As negociações contaram com a intermediação de figuras do círculo íntimo dos Bolsonaro.
O empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como o principal operador financeiro de Daniel Vorcaro, atuaram como elos entre o senador e o banqueiro.
Zettel é cunhado de Vorcaro e também esteve no centro das doações eleitorais investigadas anteriormente.
A promiscuidade entre o projeto político e as finanças do Banco Master fica evidente em uma mensagem enviada por Flávio a Vorcaro em 7 de novembro de 2025, apenas dez dias antes da prisão do banqueiro.
Acompanhando um vídeo, o senador escreveu: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. Vorcaro respondeu: “Ficou perfeito”.
Banqueiro preso e a defesa de Flávio
Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, na Operação Compliance Zero, acusado de comandar um esquema que gerou um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
Procurado pela reportagem do Intercept nesta quarta-feira (13/mai), Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade.
Ao ser questionado sobre o financiamento de Vorcaro, o senador respondeu, com um riso, antes de se retirar: “De onde você tirou essa informação? É mentira”.
A negativa contrasta com o conteúdo das mensagens e dos documentos obtidos, que sugerem um relacionamento próximo e uma negociação ativa por parte do parlamentar.
O caso transcende o âmbito financeiro e se consolida como um problema político de primeiro grau para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro.
A revelação liga diretamente o nome do senador a um banqueiro preso por fraudes bilionárias, utilizando um fundo no exterior controlado por aliados de seu irmão, para financiar um filme que serviria como palanque para o projeto familiar de retorno ao poder.
O episódio reacende o debate sobre o financiamento da política, a blindagem de figuras públicas e a resiliência da democracia brasileira diante de esquemas que tentam subverter as instituições.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
FAQ Rápido
1. O que o Intercept revelou sobre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro?
O Intercept Brasil obteve com exclusividade mensagens, áudios e documentos que comprovam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um repasse de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro . Pelo menos R$ 61 milhões já haviam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025, antes da prisão do banqueiro.
2. O que Flávio Bolsonaro disse em resposta à acusação?
Questionado pessoalmente por jornalistas do Intercept nesta quarta-feira (13/mai), próximo ao Supremo Tribunal Federal (STF), o senador negou as informações. Ele respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”, deu uma gargalhada e se retirou do local onde concedia entrevista . Anteriormente, Flávio já havia dito publicamente que a “conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”.
3. Quais as implicações políticas e jurídicas do caso?
A revelação atinge em cheio a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro para 2026, desmontando a narrativa de “antissistema” sustentada pelo clã Bolsonaro . O senador aparece negociando com um banqueiro preso por um rombo de R$ 47 bilhões no sistema financeiro. Além disso, o ministro Flávio Dino (STF) já determinou que deputados do PL expliquem o uso de emendas parlamentares que podem ter financiado indiretamente a mesma produção . O caso pode render novas frentes de investigação na Polícia Federal e no Ministério Público.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:

O “CAVALO NAS TREVAS” DA CORRUPÇÃO, PROMOVIDO POR UM BANQUEIRO INESCRUPULOSO E APOIADOR DO SENADOR FLÁVIO BOLSONARO.
JÁ SE PODE DIZER AGORA QUE, PARA O GADO, AGORA HÁ UM EQUINO?