Ministro aponta “caos social” em atos do senador ; disputas internas com Michelle e pressão por Tarcísio na “guerra” do PL também são desafios para o filho do condenado
Brasília, 03 de dezembro 2025
A ascensão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao posto de principal porta-voz do clã, após o início do cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro em regime fechado, colocou o senador em rota de colisão direta com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Diferente do passado, quando adotava um perfil mais discreto que lhe garantiu o arquivamento das denúncias das “rachadinhas” pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2021, Flávio agora enfrenta o risco real de novas investigações, segundo O Globo.
Isso porque o senador adotou uma tática de confronto que, segundo o ministro Alexandre de Moraes, replica métodos de uma organização criminosa.
O “Modus Operandi” e o Cerco de Moraes
A estratégia de Flávio de convocar uma vigília após o pai violar a tornozeleira eletrônica saiu pela culatra.
A mobilização foi usada por Moraes como um dos fundamentos centrais para decretar a prisão preventiva do ex-presidente.
Na decisão, o ministro foi incisivo: afirmou que o senador utiliza o “mesmo modus operandi empregado pela organização criminosa” de 2022, visando “causar caos social” e disseminar ódio contra as instituições.
Moraes destacou que Flávio, ao “insultar a Justiça” e tentar “reeditar acampamentos golpistas”, ignorou sua responsabilidade institucional como senador.
O magistrado estabeleceu uma relação direta entre as ações radicais dos filhos e as derrotas judiciais do pai: a atuação de Eduardo Bolsonaro (PL–SP) nos Estados Unidos motivou a tornozeleira em julho.
Já as publicações e atos dos três filhos mais velhos escalaram a punição para prisão domiciliar em ago e, agora, para o regime fechado.
Para aliados, o recado é claro: se mantiver o tom beligerante, Flávio — o único irmão que até então escapara do STF — poderá ser tragado para o centro das investigações, assim como Eduardo (réu por coação) e Carlos Bolsonaro (indiciado pela PF no caso da Abin).
Guerra Doméstica: O Racha com Michelle
Enquanto tenta se equilibrar na corda bamba jurídica, Flávio enfrenta uma crise de autoridade dentro do próprio partido.
Menos de uma semana após assumir a liderança, ele precisou desautorizar publicamente a madrasta, Michelle Bolsonaro.
A presidente do PL Mulher, em viagem ao Ceará, vetou uma aliança com Ciro Gomes (PSDB), expondo fraturas na família.
Embora tenha contado com o apoio dos irmãos Eduardo e Carlos para confrontar a ex-primeira-dama, a articulação com Ciro Gomes foi suspensa, configurando uma vitória política de Michelle e evidenciando a dificuldade de Flávio em dar a palavra final sem a presença do pai.
Pressão do Centrão e o Fantasma de Tarcísio
O senador também trava uma batalha contra o relógio e contra as cúpulas do União Brasil, PP, Republicanos e PSD.
Esses partidos pressionam para consolidar o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o candidato da direita para 2026. Cumprindo ordens do pai, Flávio tenta adiar essa definição, gerando irritação no Centrão.
O senador Ciro Nogueira (PP–PI) criticou a “falta de bom senso” da direita e ameaçou focar apenas na eleição parlamentar se não houver um rumo claro. As legendas exigem uma diretriz de Bolsonaro antes do fim do ano.
Embora Flávio negue ambições presidenciais e foque na reeleição ao Senado, aliados como o deputado Evair de Mello (PP–ES) e o irmão Eduardo ventilam seu nome como alternativa a Tarcísio.
O líder da oposição, Rogério Marinho (PL–RN), prega cautela, classificando o debate antecipado como um “desserviço”, mas confia na capacidade de articulação de Flávio.
Dilema da Anistia e Isolamento no Senado
A ambiguidade marca a atuação de Flávio no Congresso. Publicamente, ele defende uma anistia ampla para o pai; nos bastidores, dialoga sobre projetos de redução de pena (dosimetria), uma pauta mais palatável ao Centrão.
Apesar do esforço, sua liderança legislativa mostra fragilidade. Mesmo presidindo a Comissão de Segurança, Flávio ficou fora da cúpula da CPI do Crime Organizado e teve negado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União–AP), o pedido para relatar o PL Antifacção, perdendo protagonismo em temas cruciais para a direita.

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Esse filho do Bolsonaro deveria estar preso, junto com o pai dele. Absurdo recolher milhões e milhões em rachadinhas (eufemismo para roubar dinheiro público), por muito menos o Vereador Hanna Gharib foi cassado em São Paulo por fazer oito meses de rachadinhas. Esse pilantra ficou mais de dez anos roubando o dinheiro do povo e está ai, cantando de galo.
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