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Desesperado sem conseguir passar Lula, Flávio repete Bolsonaro e mente a diplomatas sobre urnas – inelegível?

— calculando —
Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro com urnas eletrônicas

📷 O senador Flávio Bolsonaro durante evento com diplomatas / Foto: Divulgação/Raul Spinassé | À esquerda, seu pai, condenado por tentativa de golpe de Estado, durante o evento com embaixadores em que também mentiu e se tornou inelegível, meses depois / Imagem reprodução |•| Arte Urbs Magna

RESUMO
URBS MAGNA

| Brasília (DF)
21 de julho de 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou a embaixadores estrangeiros que as urnas eletrônicas brasileiras compartilham a mesma origem de uma empresa venezuelana investigada por fraude — declaração desmentida pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2020.

O episódio reproduz, quase palavra por palavra, o roteiro que tornou seu pai, Jair Bolsonaro, inelegível em 2023.

O que aconteceu

O encontro ocorreu nesta terça-feira (21/jul), em Brasília, durante evento organizado pela consultoria Novo Selo Comunicação em parceria com o site The Brazilian Report, reunindo diplomatas, cônsules e chefes de missão, segundo apurou o Jornal de Brasília.

Diante da plateia estrangeira, Flávio citou um relatório da CIA sobre suposta manipulação de sistemas eletrônicos de votação na Venezuela pelos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, e associou o caso ao Brasil: “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse.

A afirmação não se sustenta. O próprio TSE esclareceu, ainda em 2020, que a empresa Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem softwares de votação ao Brasil, prestando apenas serviços pontuais de conexão de dados e voz em contratos anteriores.

O senador também pediu que os países representados enviem “a maior quantidade de observadores possíveis” para acompanhar o pleito de outubro.

A defesa do pai e a inversão dos fatos

Durante a fala, Flávio também tratou da situação judicial do pai, afirmando que Jair Bolsonaro está preso “justamente por um encontro com diplomatas” — reduzindo a decisão do TSE a um simples encontro, sem mencionar o conteúdo do que foi dito na ocasião.

Relembre o caso que tornou Jair Bolsonaro inelegível

Em 18 de julho de 2022, então presidente da República, Jair Bolsonaro reuniu cerca de cem embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, evento organizado em resposta a um encontro anterior do TSE com autoridades internacionais para apresentar o sistema eletrônico de votação.

Na ocasião, ele questionou sem provas a lisura das urnas, em transmissão pela TV Brasil.

O TSE julgou o caso entre 22 e 30 de junho de 2023 e, por 5 votos a 2, declarou Jair Bolsonaro inelegível até 2030.

O relator, ministro Benedito Gonçalves, entendeu que o então presidente usou a estrutura da Presidência da República e o próprio cargo com desvio de finalidade eleitoral, configurando abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação — conforme detalhou o TSE em nota oficial.

O ministro Alexandre de Moraes resumiu o entendimento da maioria ao afirmar, em seu voto, que as declarações não eram “opiniões possíveis”, mas sim mentiras com finalidade eleitoral.

Isso pode tornar Flávio Bolsonaro inelegível também?

Há semelhanças relevantes entre os dois episódios: em ambos, um pré-candidato ou candidato usa um encontro com autoridades diplomáticas estrangeiras para questionar, sem provas, a integridade do sistema eleitoral brasileiro, num momento próximo ao pleito.

Essa é justamente a conduta que a legislação eleitoral trata como abuso de poder, por seu potencial de desequilibrar a disputa e de manchar a credibilidade do processo perante a comunidade internacional.

Porém, há uma diferença estrutural que os órgãos eleitorais teriam de enfrentar caso alguma ação seja movida: a inelegibilidade de Jair Bolsonaro apoiou-se fortemente no fato de ele ocupar, à época, o cargo de presidente da República, usando a máquina pública e a residência oficial para promover o evento — o chamado “desvio de finalidade” do cargo.

Flávio Bolsonaro é senador, sem comando sobre a estrutura do Poder Executivo, o que tende a exigir da Justiça Eleitoral uma fundamentação diferente para eventual configuração de abuso de poder político, caso alguma legenda ou coligação decida ajuizar uma ação de investigação judicial eleitoral contra ele.

Até a publicação desta reportagem, não havia registro de ação formal protocolada no TSE contra o senador em razão do episódio desta terça-feira — a decisão sobre se a conduta configura ou não ilícito eleitoral cabe exclusivamente à Justiça Eleitoral.

FAQ rápido

O que Flávio Bolsonaro disse aos embaixadores?
Que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem da empresa venezuelana Smartmatic, informação já desmentida pelo TSE, e pediu envio de observadores internacionais para as eleições de outubro.

Por que Jair Bolsonaro ficou inelegível por causa de um encontro com embaixadores?
Porque o TSE entendeu que ele usou o cargo de presidente e a estrutura da Presidência para atacar, sem provas, o sistema eleitoral, configurando abuso de poder político.

Existe alguma ação para tornar Flávio Bolsonaro inelegível por este episódio?
Não há registro de ação formal protocolada até o momento. A avaliação sobre eventual abuso de poder cabe à Justiça Eleitoral.

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro ainda não respondeu aos pedidos de posicionamento sobre as declarações feitas aos diplomatas.



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1 comentário em “Desesperado sem conseguir passar Lula, Flávio repete Bolsonaro e mente a diplomatas sobre urnas – inelegível?”

  1. Reinaldo Gonçalves da Cruz

    FLÁVIO RACHADINHA TA DESESPERADO, A GADAIADA TA FUGINDO DO ESTÁBULO, DEIXANDO O RACHADINHA, SEM PAI E SEM MÃE. LULA REELEITO SEM DIFICULDADES

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