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    Após pedir R$ 134 milhões a banqueiro preso, Flávio Bolsonaro joga Faria Lima contra relógio e é incerto em 2026

    Senador do PL faz “jura de fidelidade” a investidores em São Paulo para conter danos de escândalo com Daniel Vorcaro, enquanto mercado já aposta em Zema e The Economist aponta risco real à candidatura

    Flávio Bolsonaro durante evento realizando uma dança

    Flávio Bolsonaro durante evento realizando uma dança / Imagem reprodução / redes sociais | Ao fundo, a Avenida Brigadeiro Faria Lima – principal polo financeiro e tecnológico, no centro de São Paulo (SP) / Foto: Marcos Santos / USP Imagens Montagem / Imagem gerada por IA

    RESUMO

    | Brasília (DF)
    18 de maio de 2026, 11h40

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciou uma operação de guerra para conter os danos à sua pré-candidatura à Presidência.

    Após a revelação de que negociou R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso por fraude, o herdeiro político do bolsonarismo desembarcou em São Paulo para uma série de reuniões na Faria Lima, principal centro financeiro do país.

    O objetivo, segundo O Globo, é tentar recompor a confiança do empresariado e estancar o sangramento político que ameaça inviabilizar sua corrida ao Palácio do Planalto.

    O escândalo veio à tona na quarta-feira (13/mai), quando o portal The Intercept Brasil divulgou áudios e mensagens em que Flávio cobra valores diretamente de Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Segundo a reportagem, o banqueiro chegou a transferir R$ 61 milhões para um fundo administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

    A movimentação do senador na capital paulista, que incluiu jantares e almoços com gestores nesta sexta-feira (15/mai) e terá continuidade nos próximos dias, foi inicialmente relatada pelo jornal O Globo.

    Nos bastidores, Flávio Bolsonaro tenta vender a narrativa de que é um “interlocutor previsível” para o capital, mesmo tendo de explicar por que recorreu a um banqueiro investigado pela Polícia Federal (PF) em meio à crise.

    O pânico no mercado e a reação imediata

    A reação do mercado foi imediata e brutal. O Metrópoles apurou que o áudio caiu “como uma bomba” na Faria Lima.

    O dólar subiu mais de 2% e o Ibovespa afundou 1,8% após a divulgação das negociações, segundo registros da agência Reuters.

    A instabilidade reflete o temor do empresariado: a certeza de que a eleição contra o Excelentíssimo Senhor Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ficar mais difícil.

    A gigante norte-americana BlackRock, em análises para investidores em Nova York, já trata a reeleição de Lula como cenário mais provável, deixando o nome de Flávio Bolsonaro de fora das apostas seguras.

    A percepção externa foi endossada pela conceituada revista britânica The Economist. Em reportagem de quinta-feira (14/mai), a publicação afirmou que o “vazamento bombástico” ameaça diretamente a candidatura de Flávio, destacando a relação próxima com um “banqueiro desonrado”.

    Queda nas redes e a ascensão de Zema

    O desgaste não se restringiu aos escritórios da Faria Lima. Um estudo da consultoria AP Exata obtido pela CNN Brasil mostra que as menções negativas a Flávio Bolsonaro nas redes sociais atingiram o maior patamar desde o início da pré-campanha: 64,3% do total.

    O índice de confiança digital do senador despencou, enquanto o ex-governador de Minas GeraisRomeu Zema (Novo), viu sua participação nas conversas saltar de 10% para 24,3% em 24 horas.

    Zema, que já era cotado como alternativa da direita liberal, aproveitou a brecha para criticar o rival, chamando o pedido de dinheiro de “imperdoável”.

    Nos grupos de WhatsApp do mercado financeiro, o nome do ex-governador mineiro tornou-se o mais citado para substituir o herdeiro bolsonarista, caso a candidatura do PL naufrague de vez.

    A fragilidade da defesa e o silêncio da produção

    A estratégia de defesa do senador, que tenta minimizar o episódio como um simples patrocínio privado regido por “contrato de confidencialidade”, apresentou fissuras.

    Deutsche Welle (DW) reportou que a produtora Go Up Entertainment negou ter recebido recursos diretamente de Daniel Vorcaro, contradizendo a versão de que o dinheiro foi integralmente aplicado no filme Dark Horse.

    Além disso, a CNN Brasil confirmou que o advogado Paulo Calixto, representante de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, administrou o fundo que recebeu parte dos R$ 61 milhões.

    Polícia Federal investiga se o dinheiro foi usado para custear despesas do ex-deputado em solo americano, o que aprofundaria ainda mais a crise familiar.

    A agenda de Flávio Bolsonaro na Faria Lima prossegue nos próximos dias, incluindo um almoço na capital paulista na quinta-feira (20/mai).

    Embora o senador tente simular normalidade, o episódio expôs a fragilidade de um projeto de poder que depende da intermediação de recursos privados em um ambiente de alto risco reputacional.

    A “jura de fidelidade” ao mercado soa, para muitos investidores, menos como uma aliança sólida e mais como um gesto de desespero de quem vê o tapete vermelho para o Planalto ser puxado sob seus pés.

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    FAQ Rápido

    1. O que aconteceu entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro?
    O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou um repasse de R$ 134 milhões (US$ 24 milhões) com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso por fraudes bilionárias. Pelo menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos entre fevereiro e maio de 2025, segundo reportagem do The Intercept Brasil. O dinheiro seria destinado ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Go Up Entertainment, produtora do longa, negou ter recebido “um único centavo” de Vorcaro.

    2. Qual foi a reação do mercado financeiro?
    O mercado reagiu com forte aversão ao risco. O Ibovespa caiu 1,80% (aos 177.098 pontos) e o dólar disparou 2,31% (a R$ 5,0086), na maior alta desde 5 de dezembro de 2025, segundo dados da Reuters . A curva de juros futuros também registrou saltos expressivos. A instabilidade reflete o temor do empresariado da Faria Lima de que a eleição contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa ficar comprometida . A gestora BlackRock já trata a reeleição de Lula como cenário mais provável.

    3. A candidatura de Flávio Bolsonaro está ameaçada?
    Sim. A The Economist afirmou que o “vazamento bombástico” ameaça diretamente a pré-candidatura do senador . O ex-aliado Otoni de Paula (PSD) classificou Flávio como “batedor de carteira” em discurso no plenário da Câmara, acusando o grupo de tentar “usar o filme do pai para lavar dinheiro” . Pesquisas da AP Exata mostram que 64,3% das menções ao senador nas redes são negativas, enquanto o nome de Romeu Zema (Novo) disparou como alternativa do mercado .

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    ▶ PRÓXIMOS PASSOS: A Polícia Federal investiga se parte dos R$ 61 milhões foi desviada para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, por meio de um fundo sediado no Texas gerido pelo advogado Paulo Calixto.

    O senador prometeu divulgar o contrato de confidencialidade “assim que possível”.

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