📷 Flávio e Eduardo Bolsonaro em audiência da seção 301 nos Estados Unidos / Divulgação | Arte UrbsMagna
| Washington D.C. (US)
08 de julho de 2026
Empresários brasileiros presentes a uma audiência pública em Washington sobre o tarifaço americano criticaram a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que ele evitou temas técnicos e transformou o encontro em ato de campanha, em meio à disputa pela Presidência em outubro, conforme a coluna de Janaína Figueiredo, no UOL.
O episódio ocorreu na audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), realizada em dois dias, segunda e terça-feira (06/jul e 07/jul), no âmbito da investigação da Seção 301 sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil.
A decisão final dos Estados Unidos sobre uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros é esperada até 15 de julho.
O que dizem os empresários
Segundo apuração, fontes do setor produtivo presentes ao encontro relataram desconforto com a fala do senador. Uma delas resumiu a avaliação afirmando que Flávio “foi fazer palanque onde não era palanque”.
Outros participantes descreveram que, questionado sobre temas econômicos, o pré-candidato preferiu discorrer sobre o INSS, o caso Master e acusações de corrupção — assuntos de disputa política interna, e não da pauta técnica da investigação comercial.
A crítica ecoa uma preocupação relatada dias antes pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo: representantes de entidades como a Associação Brasileira da Indústria do Arroz, o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar já temiam que a politização do debate por parte de Flávio Bolsonaro e de Paulo Figueiredo dificultasse a negociação com o governo de Donald Trump.
O documento e o contexto eleitoral
Antes de embarcar para os Estados Unidos, Flávio Bolsonaro enviou ao USTR um documento de 86 páginas pedindo a suspensão do tarifaço e a exclusão do Pix da disputa comercial.
Chama atenção o fato de que, entre os 34 brasileiros inscritos na audiência, ele foi o único a não se posicionar formalmente contra as tarifas, optando por sugerir apenas o adiamento da medida — dado divulgado pelo governo federal.
O Palácio do Planalto reagiu em nota classificando a atuação do senador como “traição à Pátria”. O texto do governo lembra que a ameaça de tarifas surgiu poucos dias depois de uma visita do próprio Flávio à Casa Branca, e questiona por que o parlamentar, ao citar o caso Master, omitiu que o esquema teve origem no governo de Jair Bolsonaro.
Há, portanto, uma contradição de fundo na estratégia da família Bolsonaro: a mesma ala política que defendeu publicamente o tarifaço americano no ano passado agora tenta, a menos de 90 dias das eleições, se apresentar como interlocutora contra a medida — sem que isso convença nem o empresariado exportador nem o governo em exercício.
Nem todos discordam do resultado prático
Apesar do desconforto com o tom político do senador, empresários ouvidos por outros veículos reconhecem que as chances de reverter o tarifaço já eram baixas antes da audiência. Wagner Parente, CEO da BMJ Consultores Associados, que representa 11 setores na investigação, disse à BBC News Brasil, em reportagem do Correio Braziliense, que “vai ter tarifa vai”, ainda que veja possibilidade de exclusão de produtos específicos.
FAQ rápido
O que Flávio Bolsonaro fez na audiência do USTR?
Discursou por cerca de cinco minutos pedindo o adiamento do tarifaço de 25% e a exclusão do Pix da disputa, sem se posicionar formalmente contra as tarifas.
Por que os empresários ficaram revoltados?
Segundo relatos ao UOL, o senador teria evitado responder com dados econômicos e discursado sobre temas de política interna, como o INSS e o caso Master.
Quando sai a decisão final dos Estados Unidos?
O governo americano deve anunciar a decisão sobre a tarifa até 15 de julho de 2026.
O governo brasileiro segue em negociação direta com o USTR por canais técnicos.
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