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    Desesperado com queda nas pesquisas, Flavio defende programas de Lula Bolsa Família e isenção de IR até R$ 5 mil

    — calculando —
    Meme do senador Flávio Bolsonaro usando camisa vermelha com a estrela do PT

    📷 Meme nas redes sociais mostra o senador Flávio Bolsonaro usando a camisa vermelha com a estrela do Partido dos Trabalhadores, após defesa de programas sociais implementados pelo Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, como o Bolsa Família e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil / Imagem reprodução X/@mmx_brend

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | São Paulo (SP)
    15 de junho de 2026

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, saiu em defesa do Bolsa Família nesta segunda-feira (15/jun) e afirmou que existe preconceito contra os beneficiários do programa.

    A declaração ocorreu durante o fórum Rumos do Brasil, promovido pela revista Veja em São Paulo, em um momento em que o parlamentar registra queda nas intenções de voto.

    Segundo o levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira (15/jun), o presidente Lula (PT) aparece com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro.

    No segundo turno, Lula lidera com 49% a 43%.

    A vantagem do petista tem sido impulsionada, entre outros fatores, pelo apoio de beneficiários do Bolsa Família.

    Flávio Bolsonaro classificou o programa como “direito adquirido do povo brasileiro”.

    “Ninguém tem o direito de tocar ou de acabar com esse programa”, declarou.

    Ele ressaltou que o benefício representa estabilidade para famílias que já enfrentaram fome e defendeu a ampliação da proteção para quem consegue emprego formal ou abre o próprio negócio.

    O senador apontou o preconceito como obstáculo.

    “Muita gente tem um preconceito com relação a quem está no Bolsa Família, como se não quisessem trabalhar. É um erro isso. Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente. E não vão para a formalidade porque têm medo de perder o benefício”, afirmou, conforme transcrição na Folha de S.Paulo.

    Ele propôs criar um mecanismo para que os beneficiários continuem recebendo o auxílio por período mais longo após ingressarem no emprego formal, reduzindo o medo de perda do benefício e estimulando a autonomia financeira.

    SOBRE O BOLSA FAMÍLIA

    O Bolsa Família é um dos programas sociais mais importantes da história do Brasil e uma das principais marcas do governo Lula. Sua história começou em 2003 com a visão de que a melhor forma de combater a fome era colocar dinheiro diretamente na mão de quem mais precisa. Antes de 2003, o Brasil já possuía alguns programas de transferência de renda, como o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação e o Auxílio Gás, criados no governo de Fernando Henrique Cardoso. No entanto, esses programas eram fragmentados, cada um gerido por um ministério diferente, o que gerava ineficiência e dificultava o acompanhamento das famílias.

    Em 2003, no início de seu primeiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Fome Zero, uma política mais ampla de segurança alimentar. Como parte central dessa estratégia, em 20 de outubro de 2003, foi assinada a Medida Provisória nº 132, que criou o Programa Bolsa Família (PBF). A grande inovação foi unificar os programas existentes em um único cadastro e gestão, centralizados no recém-criado Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). A lei que instituiu oficialmente o programa foi sancionada em 9 de janeiro de 2004 (Lei Federal n. 10.836).

    O Bolsa Família é um programa de transferência de renda com condicionalidades. Isso significa que as famílias recebem um auxílio financeiro do governo, mas precisam cumprir compromissos nas áreas de saúde e educação para quebrar o ciclo da pobreza entre gerações. Os principais compromissos (condicionalidades) são: Saúde: Manter o calendário de vacinação das crianças em dia e realizar o acompanhamento do estado nutricional e do pré-natal (para gestantes); Educação: Garantir a matrícula e a frequência escolar mínima de 85% para crianças e adolescentes. Para receber o benefício, a família deve estar inscrita no Cadastro Único (CadÚnico) e ter renda per capita de até R$ 218 mensais.

    O programa cresceu rapidamente, passando de pouco mais de 3,6 milhões de famílias em 2003 para cerca de 12,7 milhões em 2010. Os resultados foram impressionantes e renderam ao Brasil reconhecimento internacional: Combate à Fome: O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014, um feito creditado em grande parte ao Bolsa Família e às políticas de valorização do salário mínimo. Redução da Pobreza e Desigualdade: Entre 2003 e 2005, a população miserável do país caiu 27,7%. Estudos mostram que o programa foi responsável por cerca de 10% a 15% dessa queda. Economia Local: O dinheiro injetado nas comunidades mais pobres aquece o comércio local (feiras, mercados), gerando um efeito multiplicador na economia.

    Nos Governos Dilma (2011-2016) o programa foi ampliado com o Brasil Sem Miséria (2011) e o Brasil Carinhoso (2012), que concedia um adicional para famílias com crianças de 0 a 6 anos, garantindo a renda mínima per capita de R$ 77,00. Mas no governo Bolsonaro (2019-2022) o programa foi extinto, em 2021, e substituído pelo Auxílio Brasil, que, segundo críticos, representou um desmonte e uma exclusão em massa de beneficiários, com o país voltando ao Mapa da Fome em 2018. Novamente no Governo Lula (2023-presente), uma das primeiras medidas do estadista foi recriar o Bolsa Família em 2023, revogando o Auxílio Brasil. O novo programa manteve o valor mínimo de R$ 600 e reintroduziu e ampliou os adicionais para a primeira infância.

    O compromisso do presidente Lula com o programa é descrito como pessoal e incansável. Ele frequentemente afirma que o Bolsa Família não é um favor do governo, mas sim um direito do povo. O foco sempre foi tratar a pobreza com seriedade e humanidade. Seu empenho se reflete em várias frentes: Visão Estratégica: Sempre combateu o mito do “efeito preguiça”, argumentando que a pobreza extrema incapacita as pessoas de buscar trabalho. O dinheiro do programa garante que a pessoa possa acordar e ter forças para estudar e trabalhar. Dados comprovam que 70% dos adultos beneficiários estavam no mercado de trabalho durante seus governos. Enfoque nas Mulheres: Por determinação de Lula, o benefício é pago prioritariamente à mulher, reconhecendo seu papel central no cuidado da família. Em 2024, mais de 83% das famílias beneficiárias eram chefiadas por mulheres. Reconstrução e Expansão: Ao retomar o programa em 2023, Lula liderou um esforço de “busca ativa” para trazer de volta as famílias que haviam sido excluídas, recompondo a rede de proteção social. Inclusão Produtiva: O governo atual criou a Regra de Proteção, que permite que a família consiga um emprego com carteira assinada e ainda receba 50% do benefício por até dois anos, incentivando a saída do programa pela via do trabalho, e não pela exclusão.

    O legado do Bolsa Família é tão sólido que serviu de inspiração para programas similares em países como Nova Iorque (EUA) e nações da África e Ásia, sendo considerado pela ONU e pelo Banco Mundial uma referência mundial no combate à fome e à desigualdade.

    O CONCORRENTE DE LULA

    Flávio Bolsonaro também se manifestou favorável à isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, mas criticou a forma como o governo atual implementa a medida, sem compensação fiscal adequada.

    O senador anunciou que Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro, integrará sua equipe para atuar em temas de mobilidade social e responsabilidade social, mas ele precisa vencer Lula.

    Em relação ao relacionamento com a imprensa, Flávio Bolsonaro reconheceu erro do governo de seu pai, considerado grosseiro no trato com jornalistas: “Esse foi um dos problemas que eu identifico no governo do presidente Bolsonaro. O relacionamento com a imprensa, o preconceito muitas vezes de quem estava gerindo o orçamento para publicidade… Isso, obviamente, tem que ser mudado radicalmente.”

    A defesa pública do Bolsa Família por Flávio Bolsonaro representa uma tentativa de ampliar o diálogo com setores populares em um cenário de queda nas pesquisas. Ao reconhecer o preconceito contra beneficiários e propor transição para o emprego formal, o senador busca apresentar uma agenda de proteção social combinada com estímulo à autonomia, sem repetir críticas passadas ao programa.

    A posição sobre a isenção de Imposto de Renda reforça o apelo a rendas mais baixas, enquanto a crítica ao tratamento dado à imprensa sinaliza compromisso com maior pluralidade democrática.

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    FAQ Rápido

    Por que Flávio Bolsonaro defendeu o Bolsa Família agora?
    Porque a maioria dos que apoiam Lula é beneficiário do programa de distribuição de renda. O senador classificou o programa como “direito adquirido” e propôs mecanismos para facilitar a transição para o emprego formal, em evento realizado nesta segunda-feira (15/jun).

    O que ele disse sobre preconceito contra beneficiários?
    Afirmou que é um erro pensar que quem recebe o benefício não quer trabalhar, destacando que quase 70% atuam informalmente por medo de perder o auxílio.

    Como a declaração se conecta com as pesquisas eleitorais?
    Ocorre no mesmo dia em que a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula ampliando vantagem sobre Flávio Bolsonaro, com forte apoio do presidente entre beneficiários do Bolsa Família.

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