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    Flávio esconde ligação com Vorcaro e culpa Lula pelo Master em carta aos EUA

    — calculando —
    Flávio Bolsonaro, Lula e Jamieson Greer

    📷 O Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) embaixador Jamieson Greer lidera o órgão do Gabinete Executivo do Presidente e responsável por negociar acordos comerciais bilaterais e multilaterais, além de conduzir investigações sobre práticas de comércio exterior | O Senador Flávio Bolsonaro em seu gabinete no Senado Federal, em Brasília | O Presidente Lula | Imagens modificadas | Arte Urbs Magna

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    02 de julho de 2026

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, enviou um documento ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na última quarta-feira (1º/jul) no qual atribui o escândalo do Banco Master a membros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    O que o texto não menciona, porém, é que o próprio senador pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A informação, revelada pelo Valor Econômico em reportagem assinada pela jornalista Gabriela Guido, diz que no material encaminhado aos americanos Flávio chama o caso de “a maior fraude bancária na história” do Brasil e afirma que as investigações têm revelado uma “proximidade de Vorcaro da estrutura do governo federal”.

    A lista de citados e as omissões

    O documento de Flávio menciona exclusivamente figuras ligadas a Lula, como o ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que sequer é citado nas apurações . Todos os mencionados negam qualquer atuação ilícita.

    O senador também cita a contratação do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, pelo Banco Master. O contrato teria sido de cerca de R$ 129 milhões, segundo Flávio.

    “Esse mesmo escândalo chegou ao tribunal que agora conduz a perseguição da oposição: o escritório de advocacia fundado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, agora gerenciado pela sua esposa e filhos, teria sido contratado pelo controlador do banco por cerca de R$ 129 milhões”, afirma o documento.

    O que o pré-candidato do PL deixa de fora, entretanto, é sua própria relação com Vorcaro.

    O senador confirmou ter trocado mensagens com o ex-banqueiro e ter pedido dinheiro a ele para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente.

    A revelação foi feita pelo site The Intercept em maio.

    As mensagens mostram que Flávio pressionava Vorcaro por pagamentos para a produção da cinebiografia.

    Em um áudio enviado ao banqueiro em setembro do ano passado, o senador diz entender que Vorcaro passava por um “momento dificílimo”, mas pedia uma posição sobre pagamentos pendentes.

    Segundo o Intercept, Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção do filme entre fevereiro e maio de 2025.

    O dinheiro foi transferido para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente.

    Outros nomes esquecidos

    Flávio também omitiu a apuração envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro do governo Jair Bolsonaro e aliado do pré-candidato.

    Segundo a Polícia Federal, Ciro teria recebido uma “mesada” do ex-banqueiro . O senador negou ter atuado em favor de Vorcaro em troca de vantagens indevidas.

    Os efeitos do escândalo na campanha

    O caso Banco Master já tem causado desgaste significativo à pré-candidatura de Flávio.

    Pesquisa Quaest divulgada em 10 de junho mostrou que 55% dos eleitores dizem já saber das negociações entre o senador e Vorcaro.

    Além disso, 65% consideram que Flávio errou ao pedir financiamento ao banqueiro, e 60% veem suspeitas de ilegalidade nas conversas.

    A omissão de Flávio no documento ao governo americano pode ampliar seu desgaste, especialmente porque o senador tenta usar o caso Master para atacar o governo Lula enquanto esconde seu próprio envolvimento.

    O pedido de suspensão das tarifas americanas, que motivou o documento, também o coloca em uma posição delicada: ao mesmo tempo em que busca se aproximar de Trump, tenta evitar que a taxação atinja a economia brasileira.

    O governo Lula, por sua vez, enviou manifestação ao USTR argumentando que tarifas amplas contra o Brasil prejudicariam a própria economia americana.

    A disputa de narrativas sobre o tarifaço tem favorecido o presidente: 47% dos eleitores concordam com a versão de Lula, contra 35% que acreditam em Flávio.

    O documento enviado por Flávio Bolsonaro ao USTR está sob análise do governo americano.

    O senador está inscrito para participar de uma audiência pública nos EUA no dia 6 de julho.



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