Sondagem revela preferências da direita por Michelle e Tarcísio, mas é Lula quem domina na pesquisa espontânea, enquanto o bolsonarismo se fragmenta às vésperas do início do ano eleitoral
Brasília, 06 de dezembro 2025
A pesquisa do instituto Datafolha, realizada com 2.002 entrevistados entre os dias 2 e 4 de dezembro, revela que apenas 8% dos eleitores brasileiros consideram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) o nome ideal para ser lançado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2026.

Em contraste, 22% preferem a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e 20% optam pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), destacando uma divisão na direita com Bolsonaro preso e inelegível até 2060, após condenação a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe pelo Supremo Tribunal Federal.
No campo oposto, a esquerda concentra apoio em torno do presidente Lula (PT).
Comparada à sondagem de julho, Michelle oscilou de 23% para 22%, Tarcísio de 21% para 20%, o governador Ratinho Jr. (PSD-PR) de 10% para 12%, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), exilado, de 11% para 9%, e Flávio de 9% para 8% – variações dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Outros nomes, como o governador Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), mantiveram 6%, e Romeu Zema (Novo-MG) caiu de 5% para 4%.
O apoio de Bolsonaro não é visto como vantajoso por 50% dos entrevistados, que afirmam nunca votar em um indicado pelo ex-presidente; 26% dizem que certamente o fariam, 21% talvez, e 3% não souberam responder.
Na pesquisa espontânea, Lula lidera com 24% das citações, seguido por Bolsonaro com 7%, Tarcísio com 2% e Ratinho Jr. com 1%.
Na sexta-feira (5/dez), Flávio Bolsonaro anunciou nas redes sociais sua candidatura, endossada pelo pai, em uma declaração carregada de tons religiosos e patrióticos, que reflete a estratégia da família para manter influência na direita fragmentada.
Nela, o senador enfatizou a responsabilidade da missão confiada por Jair Bolsonaro, descrevendo-o, a seu modo exagerado e tendencioso, como a maior liderança política e moral do país.
Na mensagem, Flávio expressou inconformismo com o rumo atual da nação, alegando falsamente – para manter aceso o ódio dos eleitores da extrema direita – a existência de instabilidade, insegurança e desânimo no governo Lula, e perdendo a noção da narrativa ao alegar sem provas roubo de aposentados e o domínio de narco-terroristas em cidades.
O senador prosseguiu com mais desinformação usando palavras de efeito, que serve de gatilho para manter a manada em seu rumo, afirmando que não ficaria de braços cruzados vendo a esperança das famílias se apagar e a democracia sucumbir – justamente em um momento em que o Brasil recebe elogios internacionais pela defesa contra ataques ao Estado Democrático.
O filho do condenado por tentativa de golpe finaliza sua absurda desinformação pintando um quadro de abandono generalizado, com estatais saqueadas, impostos crescentes e falta de futuro para as crianças, culminando no grito de que ninguém aguenta mais.
Finalmente, a tática de encerramento foi a invocação da fé: Flávio declarou crer em um Deus que não abandona a nação, que levanta pessoas para novos tempos quando o povo clama por justiça, e que nenhum cativeiro supera o poder divino de libertação – uma retórica que busca ressonância com o eleitorado evangélico bolsonarista.
Por fim, posicionou-se diante de Deus e do Brasil para cumprir a missão, confiando que Ele abriria portas, derrubaria muralhas e guiaria cada passo, encerrando com uma bênção ao povo.
A declaração, interpretada por líderes do centrão e do centro como estratégia familiar para manter relevância na direita, ocorreu após a pesquisa e gerou reações imediatas.
Em um vídeo postado nas redes sociais, o ex-deputado Alexandre Frota, que conviveu com o clã Bolsonaro, afirmou que quebrou sua própria “regra” de “não comentar” mais sobre acontecimentos de Brasília para evitar envolver-se em guerras políticas, mas justificou a exceção ao considerar a notícia da candidatura de Flávio um “absurdo” que não poderia ser ignorado, questionando se não se tratava de uma jogada ou fake news.
Ele comparou Flávio desfavoravelmente ao comediante Tiririca, que foi deputado federal e seria melhor do que o primogênito do presidiário, chamando-o de cara sem noção, covarde e problemático – termos que destacam uma percepção de imaturidade e falta de substância, reforçando críticas à ausência de contribuições concretas ao país ou projetos para o Brasil, rotulando-o como uma Maria vai com as outras.
Frota recordou o episódio em que Flávio “pipocou” em um debate durante campanha no Rio de Janeiro, passando mal após uma pergunta, e ironizou os futuros debates presidenciais, dizendo que já compraria guaraná e pipoca para assistir.
Em tom sarcástico, especulou que Queiroz seria o chefe de gabinete, aludindo a escândalos passados, e classificou a escolha como algo de uma cara que ele não sabia como definir, um negócio muito absurdo e óbvio que não sairia do lugar na eleição, prevendo que Flávio ficaria em último – observações que pintam o senador como inútil, inoperante e sem valor.
Apesar de relutar em entrar na guerra, Frota enfatizou que não dava para ignorar tal absurdo, notando que Flávio tinha uma eleição ao Senado quase garantida, mas optava por se aventurar sem preparo, demonstrando cara de pau, e concluiu que essa escolha revela a direita toda “rachadinha”.
Resumo de vídeo disponível na íntegra em @alexandrefrota_oficial/Instagram
No recorte do bolsonarismo raiz – estimado em 20% do eleitorado, com base em votos de 2022 e arrependimento, caracterizado por homens, evangélicos, brancos e de classe média a alta –, Michelle é preferida por 35% como nome a ser ungido por Bolsonaro, seguida por Tarcísio com 30% (empate técnico na margem específica).
Eduardo Bolsonaro aparece com 14%, Flávio com 9%, Caiado com 4% e Zema com 2%.Tarcísio, ex-ministro da Infraestrutura sob Bolsonaro, Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), despontava como favorito pelo peso de São Paulo, onde venceu em 2022 apesar de pouca familiaridade com o estado.
No entanto, o anúncio de Flávio reflete recalculos familiares, e o senador já enfrenta resistências do centrão, com sua baixa aceitação na pesquisa sugerindo desafios para convencer os fiéis bolsonaristas.
Enquanto isso, o campo progressista se prepara, com Lula dominando todos os cenários.

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