📷 Ministro André Mendonça em sessão plenária do STF / Foto: Gustavo Moreno/STF | Flávio Bolsonaro / Foto: Flickr Flavio Bolsonaro / Divulgação |•| Arte Urbs Magna
| Brasília (DF)
20 de julho de 2026
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) temem, nos bastidores, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorize uma operação de busca e apreensão contra o parlamentar no âmbito do Caso Master, com receio de que a medida atinja a campanha presidencial no pior momento possível.
A informação é da coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles.
Segundo relatos ouvidos pelo colunista, o principal temor no entorno de Flávio é que a operação ocorra justamente durante o período eleitoral, o que ampliaria o desgaste político da medida para o senador, hoje pré-candidato à Presidência.
Como o senador foi parar no Caso Master
O vínculo entre Flávio Bolsonaro e a investigação sobre o Banco Master nasceu do financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reportagem do site The Intercept Brasil, publicada em maio, revelou que o senador negociou cerca de R$ 134 milhões em investimentos com o banqueiro Daniel Vorcaro para a produção, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos entre fevereiro e maio de 2025.
A Polícia Federal (PF) investiga agora se parte desses recursos foi desviada para outras finalidades.
O caso ganhou força institucional depois que o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou uma notícia-crime pedindo a apuração da relação entre o financiamento do filme e a permanência do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o procurador Paulo Gonet, opinou que o assunto deveria ficar sob a relatoria de André Mendonça — já responsável pelo Caso Master —, entendimento acolhido pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Por que o temor cresceu agora
Até o fim de junho, nenhuma medida operacional da PF relacionada especificamente ao Dark Horse havia chegado ao gabinete de Mendonça.
O cenário, porém, já vinha mudando: o publicitário Thiago Miranda, intermediário do contato entre Flávio e Vorcaro, teve os endereços vasculhados por ordem do ministro, que também determinou a apreensão do passaporte dele — desdobramento citado pela própria coluna do Metrópoles como indício de que novas cautelares podem estar próximas.
A própria defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao STF que todos os procedimentos ligados ao Dark Horse fossem concentrados sob André Mendonça, argumentando risco de decisões conflitantes entre gabinetes.
A estratégia da defesa de Flávio — pedir a concentração do caso num único gabinete — pode ter efeito ambíguo: se por um lado evita decisões dispersas e potencialmente mais severas em várias frentes, por outro entrega a um único ministro, já responsável pelo núcleo do Caso Master, o poder de decidir sozinho o ritmo e a intensidade das medidas contra o senador justamente na reta final da corrida presidencial.
O episódio expõe como decisões técnicas do Judiciário passaram a ter peso eleitoral direto num ano de disputa presidencial marcada pela sobreposição entre investigações criminais e pré-candidaturas.
FAQ rápido
Por que Flávio Bolsonaro é investigado no Caso Master?
Porque negociou recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, e a Polícia Federal apura possível desvio de parte desse dinheiro.
O que os aliados de Flávio temem exatamente?
Que o ministro André Mendonça autorize uma busca e apreensão contra o senador, especialmente se isso ocorrer durante a campanha eleitoral.
Já existe alguma medida concreta contra Flávio Bolsonaro?
Até o momento, segundo as fontes consultadas, não há busca e apreensão contra o senador — mas colaboradores próximos já foram alvo de medidas da PF por ordem de Mendonça.
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