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Faixa de Gaza deixará de existir, caso não ocorra cessar-fogo já, diz jornal

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    Faixa de Gaza
    Faixa de Gaza destruída por bombardeios de Israel / Imagem reprodução/redes sociais


    Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, deu ultimato para habitantes deixarem o enclave acrescentando que aqueles que permanecerem lá serão “considerados combatentes e apoiadores do terrorismo



    Brasília, 03 de outubro 2025

    A cidade de Gaza pode ser completamente destruída se um cessar-fogo imediato não for alcançado, alerta o jornal britânico Financial Times em uma publicação recente.

    O artigo descreve um cenário de devastação em escala sem precedentes, sugerindo que as esperanças de uma recuperação gradual da Faixa de Gaza, que existiam no ano passado, foram completamente esmagadas.

    O jornal aponta que a magnitude da destruição atual é tal que será necessário reconstruir tudo do zero.

    A publicação ressalta: “Na cidade de Gaza, assim como em outras partes da faixa, blocos residenciais inteiros foram arrasados, bombardeados, demolidos ou explodidos por veículos blindados controlados remotamente e carregados com explosivos”.

    O relatório do Financial Times indica que mais de 80% da Faixa de Gaza passou a integrar as zonas interditadas por Israel aos palestinos, e cerca de metade dessas áreas foi completamente destruída.

    A matéria conclui que, se um cessar-fogo não for alcançado e a evacuação completa for adiante, a cidade de Gaza provavelmente será completamente destruída.

    O contexto de tensão é reforçado pela declaração anterior do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, que havia enfatizado que os habitantes de Gaza teriam uma última chance para deixar a cidade.

    Ele declarou que aqueles que permanecerem no local serão considerados combatentes e apoiadores do terrorismo. A fala insere-se em um contexto de guerra intensa e levanta profundas preocupações sobre as intenções de Israel em relação à população civil palestina, especialmente no que tange às alegações de “limpeza étnica” ou extermínio.

    Do ponto de vista do Direito Internacional Humanitário (DIH), a declaração de que civis que permanecem em uma área de conflito são automaticamente considerados combatentes é extremamente problemática.

    O DIH exige que as forças armadas façam uma distinção clara e constante entre combatentes e civis. Civis mantêm sua proteção, a menos que participem diretamente das hostilidades.

    Uma declaração que descaracteriza a população remanescente como alvo legítimo pode ser interpretada como uma ameaça de ataque indiscriminado, violando o princípio da proporcionalidade e precaução.

    Ao exigir a evacuação de uma cidade inteira sob a pena de serem considerados terroristas, a declaração funciona como um poderoso motor para o deslocamento forçado da população.

    Críticos e organizações de direitos humanos frequentemente veem tais ações como parte de uma estratégia de transferência forçada, que visa esvaziar a região de sua população nativa.

    No caso de Gaza, com fronteiras limitadas e escassas opções de refúgio, essa evacuação levanta preocupações de um êxodo permanente, ecoando a Nakba (catástrofe) de 1948.

    Para aqueles que argumentam que há uma pretensão, por parte dos governos dos EUA e de Israel, de acabar com a presença palestina na região, esta declaração de Katz é vista como prova contundente.

    Essa interpretação se baseia em:

    ➡️Maximalismo Territorial: A remoção completa da população de Gaza abre caminho para um possível controle territorial israelense permanente ou o estabelecimento de uma zona-tampão de segurança, impedindo o retorno dos refugiados.

    ➡️Contexto de Destruição Total: Aliada ao alerta do Financial Times sobre a possibilidade de destruição total da cidade de Gaza, a declaração de Katz sugere que o objetivo não é apenas desmantelar a capacidade militar do Hamas, mas tornar a Faixa de Gaza inabitável para os palestinos. A reconstrução do zero mencionada pelo Financial Times não seria apenas material, mas demográfica e política.

    ➡️Apoio Estratégico dos EUA: O apoio militar, financeiro e diplomático (uso do poder de veto na ONU) dos Estados Unidos a Israel é frequentemente citado como o fator que permite a prossecução de políticas que, segundo os críticos, visam a erradicação da possibilidade de um estado palestino soberano e viável. A declaração, nesse contexto, reforça a tese de que o objetivo final é a consolidação do controle israelense sobre o território palestino e a exclusão da população.

    Em resumo, a declaração de Israel Katz é amplamente interpretada por observadores e críticos como uma política de guerra total que, sob o pretexto de combater o terrorismo, cria as condições para o deslocamento permanente e a inviabilidade da vida civil palestina em Gaza, alimentando a alegação de que a intenção final é minar a própria existência da sociedade palestina na região.



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