Diante da falta, especialistas alertam para o risco de “nova era nuclear desregulada“; as duas nações detêm o maior poderio atômico mundial; pacto entrou em vigor em 5 de fevereiro de 2011 e foi prorrogado até esta quinta (5/fev)
Brasília (DF) · 04 de fevereiro de 2026
O Tratado New START, firmado entre os Estados Unidos e a Rússia, estabelece rigorosos balizamentos para os arsenais nucleares estratégicos das duas nações que detêm o maior poderio atômico mundial.
Este pacto, conhecido formalmente como Tratado sobre Medidas para a Redução e Limitação Adicional de Armas Estratégicas Ofensivas, entrou em vigor em 5 de fevereiro de 2011 e foi prorrogado até sua data limite de expiração nesta quinta-feira (5/fev).
O cerne do acordo reside na contenção de armas estratégicas ofensivas, projetadas para atingir objetivos vitais no território inimigo a distâncias superiores a 5.500 quilômetros.
De acordo com dados oficiais do DOJ (Departamento de Estado dos Estados Unidos, o tratado impõe tetos precisos, no máximo:
♦ 700 veículos lançadores implantados, incluindo mísseis balísticos intercontinentais, mísseis lançados de submarinos e bombardeiros pesados;
♦ até 1.550 ogivas nucleares prontas para emprego nesses sistemas; e
♦ um total de 800 lançadores e bombardeiros, abrangendo tanto os implantados quanto os não implantados.
Essas restrições visam mitigar riscos de escalada, promovendo transparência por meio de inspeções no local, trocas bianuais de dados e notificações sobre testes de mísseis.
Do lado russo, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em declaração recente citada pela Reuters, reitera os mesmos parâmetros, enfatizando que o pacto foi suspenso por Moscou em fevereiro de 2023 devido ao apoio ocidental à Ucrânia, mas manteve o compromisso com os limites numéricos até o fim.
“Assumimos que as partes do Tratado New START não estão mais vinculadas por obrigações ou declarações simétricas no contexto do tratado”, afirmou o ministério russo em comunicado nesta quarta-feira (4/fev), criticando a ausência de resposta dos Estados Unidos a propostas de manutenção informal dos caps.
Especialistas em desarmamento, ancorados em relatórios do Congresso dos Estados Unidos, destacam que ambos os países cumpriram os limites centrais desde 5 de fevereiro de 2018, com a Rússia declarando 1.447 ogivas implantadas em seu último intercâmbio de dados.
Contudo, a flexibilidade estrutural permitida pelo tratado — permitindo que cada nação configure seu arsenal conforme interesses de segurança nacional — tem sido pivotal para evitar uma espiral armamentista.
Sem o acordo, analistas do Centro para Controle de Armas e Não-Proliferação alertam para o potencial de uma “nova era nuclear desregulada”, onde a falta de verificação poderia fomentar desconfianças e expansões unilaterais.
O histórico do tratado remonta às negociações iniciadas em 2009, culminando na assinatura em Praga por Barack Obama e Dmitry Medvedev em 8 de abril de 2010. Ratificado pelo Senado dos Estados Unidos em dezembro de 2010 e pela Duma Estatal da Rússia em janeiro de 2011, o pacto sucedeu ao Tratado START I de 1991, reduzindo os tetos em cerca de 30% em relação ao antecessor.
Em 2021, sob a administração de Joe Biden, foi estendido por cinco anos, mas o texto não permite prorrogações adicionais.À medida que o relógio avança para o ocaso do New START, o cenário geopolítico se complica com a ascensão do arsenal chinês, mencionado pelo DOJ como um fator que demanda inclusão em futuros diálogos multilaterais.
“É impossível chegar a um acordo sem a China por causa de seu vasto e rapidamente crescente estoque”, declarou o secretário de Estado Marco Rubio em pronunciamento de quarta-feira (4/fev), conforme reportado pela CBS News.
No entanto, o tratado não abrange armas nucleares táticas ou estoques não implantados, lacunas que críticos apontam como oportunidades para circunvenção.
Dados do DOJ indicam que, até junho de 2023, nenhuma inspeção foi realizada naquele ano, refletindo tensões exacerbadas pela invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.
Em setembro de 2025, o presidente russo Vladimir Putin propôs a manutenção voluntária dos limites por mais um ano pós-expiração, ideia inicialmente vista como positiva por Donald Trump, mas sem resposta formal dos Estados Unidos até o momento.

SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:

