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Fim do ‘Tarifaço’: ainda sem acordo, Brasil e EUA avançam rápido, dizem chanceler e secretário MDIC

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    Em primeiro plano, o Secretário Executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Dr. Márcio Rocha Rosa, o presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira / Imagem reprodução/Canal.Gov


    Mauro Vieira e Márcio Rocha Rosa sinalizam expectativa de acordo a ser firmado em poucas semanas, conforme transmitido à imprensa em Kuala Lumpur, na manhã desta segunda (27)




    Kuala Lumpur, Malásia, 27 de outubro 2025

    Após um encontro decisivo entre os presidentes Lula e Trump na Malásia, equipes do Brasil e dos Estados Unidos iniciaram formalmente as negociações para reverter as sobretaxas impostas a produtos brasileiros.

    O clima é de grande otimismo, com a diplomacia brasileira, liderada pelo Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e pelo Secretário Executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Dr. Márcio Rocha Rosa, sinalizando a expectativa de um acordo a ser firmado em poucas semanas, conforme transmitido verbalmente por ambos à imprensa em Kuala Lumpur, no final da manhã (horário local) desta segunda-feira (27/out), conforme a seguir:

    A Reunião de Cúpula que Abriu as Portas para o Acordo

    O encontro entre os presidentes Lula e Trump foi o catalisador estratégico que removeu os principais obstáculos políticos, restabelecendo uma base de confiança que se provou essencial.

    Para o líder brasileiro, um veterano de negociações complexas, a diplomacia pessoal é fundamental, pois, em sua visão, “o ser humano é 80% química e 20% razão e emoção”. Essa química, ausente nos contatos anteriores, permitiu uma conversa franca que superou meses de tensão.

    O ponto de virada na reunião bilateral, ocorrida na Malásia, foi a solicitação estratégica do Presidente Lula: a suspensão das tarifas para que um processo de negociação pudesse ser iniciado, um tratamento equânime já concedido a outros países.

    Para garantir que não houvesse ambiguidades, Lula formalizou a posição brasileira: “Fiz questão de dizer para ele aquilo que eu achava e entreguei por escrito”.

    A receptividade de Trump a essa abordagem direta abriu o caminho para a ação técnica. Com o caminho político desobstruído pelos líderes, a diplomacia entrou em campo para formalizar os próximos passos.

    O Primeiro Encontro Técnico: Um Cronograma para a Solução

    A primeira reunião das equipes negociadoras representa o resultado mais concreto do entendimento presidencial, focando em estabelecer um processo pragmático para resolver a disputa.

    Este passo inicial foi fundamental para traduzir a vontade política em um plano de ação claro, com etapas e prazos definidos para reverter as sobretaxas.

    Conduzida pelo Ministro Mauro Vieira, a reunião com o representante de comércio dos EUA e o secretário do tesouro, Scott Bessent, estabeleceu as bases para a resolução.

    Segundo o chanceler brasileiro, o encontro foi decisivo para definir o caminho a ser seguido:

    “Como resultado desse encontro dos dois presidentes, mantive uma reunião com o representante de comércio dos Estados Unidos e com o secretário do tesouro, Scott Bessent. Na reunião, concordamos em trabalhar para construir um acordo satisfatório para ambas as partes e acordamos um cronograma de reuniões entre as equipes negociadoras nas próximas semanas, com foco nos setores mais afetados pelas tarifas”.

    Mauro Vieira

    Ouça este trecho

    Mais do que um mero avanço processual, o sentimento da delegação brasileira sinaliza uma mudança fundamental na atmosfera das negociações.

    O Cenário “Espetacularmente Bom”: A Determinação Política de Trump

    O otimismo expressado pela equipe brasileira não é protocolar; ele reflete uma mudança da obstrução técnica para a determinação política vinda do mais alto nível do governo norte-americano.

    A percepção é que, desta vez, a vontade de resolver a questão supera a burocracia, um cenário que Lula entende bem, afirmando que, em sua longa carreira, aprendeu a negociar, a “saber quando ceder e quando não ceder”.

    Dr. Márcio Rocha Rosa, Secretário Executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, detalhou que a mudança de cenário se deve à orientação explícita do Presidente Trump.

    “Estamos avançando espetacularmente bem. Hoje, estamos num cenário muito mais positivo do que estávamos há alguns dias. Isso se deve ao compromisso político assumido pelo governo norte-americano, renovado publicamente ontem. O presidente Trump orientou sua equipe a celebrar um acordo em poucas semanas com o Brasil, e hoje pela manhã isso foi reiterado”.

    Márcio Rocha Rosa

    Ouça este trecho

    Essa determinação para um acordo rápido encontra eco na principal e inegociável demanda brasileira.

    A Exigência Brasileira: Reversão Total e Foco Comercial

    A posição do Brasil é clara e inegociável: a condição central para qualquer acordo é a anulação completa das sobretaxas.

    A argumentação brasileira fundamenta-se na premissa de que as tarifas foram impostas com base em informações factualmente incorretas.

    O ponto central, apresentado por Lula a Trump, é que os EUA mantêm um superávit comercial com o Brasil, invalidando a justificativa original do “tarifaço“.

    Dr. Márcio Rocha Rosa sintetizou a posição do governo, explicando que o Brasil reitera a necessidade da “reversão da taxação excessiva” porque ela se baseia em “motivos que são improcedentes, inadequados, se não são verdadeiros”.

    Ele também destacou que, graças à intervenção presidencial, a discussão foi reorientada para seus termos devidos, tornando-se estritamente sobre “um acordo comercial e não com outras naturezas que não sejam comerciais”.

    Com as posições de ambos os lados alinhadas em torno de fatos, o foco agora se volta para a execução das negociações em Washington.

    Rumo à Solução: Delegação em Washington e a Expectativa de um Acordo Rápido

    Consolidando a narrativa de uma resolução diplomática em andamento, os próximos passos já estão definidos.

    Uma delegação brasileira de alto nível se prepara para viajar aos Estados Unidos para conduzir as rodadas de negociação que devem selar os termos do acordo, transformando o otimismo em resultados concretos.

    Conforme já “apalavrado” entre as partes, uma “equipe de alto nível” do Brasil irá a Washington para as negociações.

    A confiança é de que, com a vontade política firmemente estabelecida por ambos os presidentes, um acordo final será alcançado “nas próximas semanas“.

    Este avanço representa não apenas o fim de uma crise pontual, mas a abertura de um novo e mais produtivo capítulo nas relações comerciais entre as duas maiores economias do continente.



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