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Fernández: “Respeito, amo e admiro Lula, por sua história e liderança”: Leia outras vozes na Cúpula do Mercosul

    Da esquerda para a direita, Luis Arce (presidente da Bolívia), Santiago Peña (presidente eleito do Paraguai), Mario Abdo Benítez (presidente do Paraguai), Alberto Fernández (presidente da Argentina), Lula (presidente do Brasil), Luis Alberto Lacalle Pou (presidente do Uruguai) e Mark Anthony Phillips (primeiro-ministro de Guiana). Ao fundo, as cataratas do Iguaçu

    Presidente brasileiro voltou a defender moeda comum e disse que não há interesse em acordos que mantenham países do Mercosul como exportadores de matéria-prima

    Ao assumir o comando do Mercosul (Mercado Comum do Sul), o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que tratativas com União Europeia são prioridades, mas voltou a criticar termos sugeridos.

    O estadista defendeu uma moeda comum e disse que não há interesse em acordos que mantenham países do bloco regional como exportadores de matéria-prima. No encontro iniciado ontem, terça-feira (4/7), Alberto Fernández, presidente da Argentina, disse:

    A transferência da Presidência Pro Tempore para o Brasil também é uma alegria pessoal. Respeito, amo e admiro Lula, por sua história e liderança regional. Seu povo o reivindicou com o voto e agora o fazemos como região ao lhe conceder este mandato“.

    Luis Lacalle Pou, do Uruguai, afirmou: “Desejo ao Presidente Lula muita sorte e sei que ele vai se empenhar para finalizar o acordo [do Mercosul] com a União Europeia. Com seu governo, na primeira reunião que tivemos, levantamos três coisas: as binacionalidade do aeroporto de Rivera, a Hidrovia da Lagoa, em território brasileiro, e a ponte sobre o rio Yguarón“.

    Pou se referiu à
    pista de pouso e decolagem de aeronaves localizada no Uruguai, na fronteira com Santana do Livramento, no Brasil;
    Hidrovia da Lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul, cuja dimensão limita Brasil e Uruguai, que ligará comercialmente o sul gaúcho ao nordeste uruguaio por via fluvial, em uma concessão de até 30 anos iniciativa privada e a possibilidade de transportar uma carga anual de cerca de 5 milhões de toneladas entre as duas fronteiras;
    construção de nova ponte internacional cruzando o rio Yaguarón, que tem foz na Lagoa Mirim.

    Contudo, o Lacalle Pou não assinou a declaração conjunta da cúpula. Ele criticou o protecionismo do Mercosul e disse aos seus pares do bloco que continuará as negociações do acordo bilateral entre Uruguai e China. É a 4ª vez que o país não ratifica o documento.

    Luis Arce, Bolívia: “Também desejamos felicidades à próxima Presidência brasileira, estamos certos de que sob a liderança do Presidente Lula, guiado por sua visão integradora, o Mercosul continuará avançando para responder aos enormes desafios que nossos tempos apresentam“.



    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, nesta terça-feira (4), a criação de uma moeda comum para facilitar as transações comerciais entre os países da América do Sul. O presidente salientou que a referência seria específica para o comércio regional entre as nações que integram o Mercosul, sem qualquer perspectiva de afetar as divisas nacionais.

    O presidente brasileiro já havia defendido a ideia em outras ocasiões, como ocorreu em encontro com o homólogo argentino, Alberto Fernández, em Buenos Aires, em janeiro. Já no fim de maio, Lula afirmou, em cúpula com chefes de Estado da América do Sul, em Brasília, que a identidade regional precisava ser aprofundada e criticou a dependência do dólar para operações comerciais entre os países.

    Desta vez, a declaração foi dada durante discurso ao assumir a presidência temporária do Mercosul, em reunião de cúpula realizada em Puerto Iguazú, na Argentina. Em seu discurso, o mandatário frisou que “a adoção de uma moeda comum para realizar operações de compensação entre nossos países contribuirá para reduzir custos e facilitar ainda mais a convergência”.

    Entre as prioridades para os próximos seis meses em que exercerá o comando do grupo formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, o chefe do Executivo brasileiro reafirmou o comprometimento com a conclusão do acordo com a União Europeia, e voltou a criticar as exigências expressas pelos países europeus recentemente. Lula disse que não há interesse em acordos que mantenham aos países da América do Sul o papel de exportadores de matéria-prima.

    “O Instrumento Adicional apresentado pela União Europeia em março deste ano é inaceitável. Parceiros estratégicos não negociam com base em desconfiança e ameaça de sanções. É imperativo que o Mercosul apresente uma resposta rápida e contundente. É inadmissível abrir mão do poder de compra do Estado – um dos poucos instrumentos de política industrial que nos resta”, destacou.

    “Precisamos de políticas que contemplem uma integração regional profunda, baseada no trabalho qualificado e na produção de ciência, tecnologia e inovação. Isso requer mais integração, a articulação de processos produtivos e na interconexão energética, viária e de comunicações”, prosseguiu.

    Ao contrário do que defendia o antecessor, Jair Bolsonaro (PL), em termos de política externa, Lula afirmou que há interesse do Brasil em fortalecer bloco. O mandatário sublinhou que há espaço para ampliar e aprimorar os acordos comerciais com Chile, Colômbia, Equador e Peru, e garantiu que há urgência no processo de admissão da Bolívia como membro permanente, e por isso tratará o tema como prioridade com o Congresso brasileiro.

    “O Mercosul não pode estar limitado à barganha do ‘quanto eu te vendo e quanto você vende pra mim’. É preciso recuperar uma agenda cidadã e inclusiva, de face humana, que gere benefícios tangíveis para amplos setores de nossas sociedades. Nossa integração deve ser solidária e despertar o sentimento de pertencimento. Nossa integração também deve ser feminina, negra, indígena, camponesa e trabalhadora”, frisou.

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