“Feijoada institucional”, que é este governo Bolsonaro, está em “fim de festa”, diz Janio de Freitas

O jornalista Janio de Freitas, durante entrevista, no ano de 2020, ao portal progressista Tutaméia | Imagem reprodução YouTube / YoutubeTutaméiaTV | Ao fundo, uma manifestação dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em 14 de junho de 2020 | Sobreposição de imagens

“A licenciosidade antidemocrática, modelada pela ditadura e amparada pelos mesmos de então, faz do país um grande fim de festa. Com feijoada”, escreve o jornalista

O esquisito regime brasileiro, feijoada institucional que leva pedaços de democracia e sobras variadas de ditadura (…) adquire desproporção crescente entre a vontade de democracia e o vício do autoritarismo. É a assimilação, como práticas normais no exercício de funções públicas, da licenciosidade de Bolsonaro ante os limites legais, morais e políticos”, escreve o jornalista Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo.

Em suma, o colunista diz que a “feijoada institucional”, que é este governo Bolsonaro, está em “fim de festa”, ao citar seus exemplos mais visíveis, como a “aberração em nome do Supremo. O guarda-costas de Bolsonaro no tribunal, Kassio Nunes Marques“, que invalidou “decisão do Tribunal Superior Eleitoral” ao “anular a cassação de um deputado bolsonarista, por falsear notícias de fraude eleitoral“, fazendo, assim, “escancarada defesa de fake news como costume e como ativismo antidemocrático“.

Outro exemplo do fim da farra é a “ideia de dar armas a 10 mil policiais militares aposentados“, que o jornalista rotula como “um atentado antissocial“. “A criminalidade infiltrada na PM é um dos maiores problemas, se não o maior, do Rio“, escreve Freitas.

Como na ditadura havia os crimes a serem investigados e os crimes protegidos, a depender de sua natureza ou dos autores, é vergonhosa a fuga do Judiciário, do Ministério Público e das polícias nos casos de Flávio Bolsonaro. E do fuzilamento do ex-PM Adriano da Nóbrega na Bahia. E do assassinato de Marielle Franco“, prossegue em sua escrita, sublinhando que “as idas e voltas para chegar a lugar nenhum, nesses casos, têm o mesmo motivo: os incumbidos de resolvê-los sabem onde vão dar. De responsáveis pela aplicação da lei, passam a confundir-se com os fugitivos da lei“.

É o que faz, tal como os procuradores-gerais da República ao tempo da ditadura, Augusto Aras” ao travar a conclusão da CPI da Covid, diante de quase 700 mil mortos, considerada por Freitas “atitude pelo menos equivalente à dos crimes comprovados pela investigação do Senado. Aras também foge do final previsível.

For fim, o colunista diz que “a corrupção acelera-se neste ano” e, citando os casos dos “bilhões em computadores, mesas escolares, tratores, cartões da Presidência e de ministérios, orçamento secreto, negócios pessoais fraudulentos, falsos servidores do Congresso e do Executivo, compras superfaturadas para as casernas, e por aí até ao desconhecido“, Freitas demonstra que tudo resulta da constatação de que a festa está chegando ao final.

A licenciosidade antidemocrática, modelada pela ditadura e amparada pelos mesmos de então, faz do país um grande fim de festa. Com feijoada“, pontua o jornalista.

Siga Urbs Magna no Google Notícias
Comente

Comente

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.