Imprensa amplifica justificativa do fracasso da multinacional, mas não questiona o mesmo rigor com a empresa pública federal
FedEx anuncia em 7/jan fim de entregas domésticas no Brasil após 35 anos, culpando custo Brasil: burocracia, infraestrutura ruim, roubos. Tiago Barbosa critica em 24/jan hipocrisia midiática que exige lucro dos Correios mas atenua fracasso da FedEx. Cruzamento revela viés pró-privatização, ignorando obrigações universais da estatal vs. foco rentável da privada.
Brasília (DF) · 25 de janeiro de 2026
A FedEx, uma das líderes globais em logística, anunciou em 7 de janeiro o encerramento gradual de suas operações de entregas domésticas no Brasil, marcando o fim de uma presença de 35 anos no país.
A decisão, que mantém apenas serviços internacionais aéreos e rodoviários, além de soluções em cadeia de suprimentos, reflete uma reestruturação estratégica para priorizar mercados mais rentáveis.
Durante a transição, coletas nacionais continuam até 6 de fevereiro, com o desmonte completo previsto para setembro, conforme comunicado oficial reportado pela Exame.
A empresa ingressou no mercado brasileiro em 1989 e expandiu em 2012 com a aquisição da Rapidão Cometa, mas agora alega que as “dinâmicas do mercado” tornam a operação insustentável.
Essa saída escancara gargalos crônicos do setor logístico nacional, frequentemente atribuídos ao “custo Brasil“. Reportagens em O Globo destacam custos operacionais elevados, representando 13,85% do PIB – superior aos 8,8% nos Estados Unidos e 9,8% na Índia.
A infraestrutura precária agrava o problema: 65% das cargas dependem de rodovias em más condições, elevando despesas com combustível e manutenção.
A insegurança é outro fator crítico, com 10.478 roubos de cargas em 2024, gerando prejuízos de R$ 1,2 bilhão, segundo a NTC&Logística. Seguros saltaram 46,5% no primeiro trimestre de 2025, totalizando R$ 904 milhões.
Especialistas como Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral, afirmam em entrevistas à Folha PE: “O Brasil tem o maior custo logístico entre as 20 maiores economias do mundo.“
O e-commerce intensifica esses desafios, com demanda por entregas rápidas e frete baixo comprimindo margens. Varejistas como Mercado Livre e Amazon internalizam operações, enquanto a “última milha” migra para regionais.
A Mundo Logística analisa que o subinvestimento em infraestrutura – apenas um terço do necessário, per Cláudio Frischtak, da Inter.B Consultoria – perpetua ineficiências.
Vídeos no YouTube e posts no Instagram ecoam que a FedEx “abandonou” o país por não ser “economicamente interessante“, culpando burocracia e imprevisibilidade global.
Contudo, o jornalista Tiago Barbosa expõe uma suposta hipocrisia na cobertura midiática. Ele argumenta que a imprensa aplica duplo padrão: exige eficiência e lucratividade dos Correios, estatal com prejuízos de R$ 6 bilhões em 2025, mas atenua o fracasso da FedEx atribuindo tudo ao “custo Brasil“.
“Tudo que a mídia exige da estatal Correios, o FedEx privado não conseguiu entregar. Todo lucro que a mídia cobra da estatal Correios, o FedEx privado não conseguiu obter. Toda dificuldade que a mídia ignora na estatal Correios, o FedEx privado diz ter. E ainda culpa o Brasil.“
Barbosa, pós-graduado em História e Jornalismo, com textos no Brasil 247 e DCM, cruza isso com relatos como os do g1, que enfatizam “problemas com burocracia e infraestrutura” para a FedEx, mas rotulam os Correios como “obsoletos” sem contextualizar obrigações como atendimento universal em 5.570 municípios – algo que a FedEx evitou, focando em centros rentáveis.
Essa crítica ressoa em debates no X, onde usuários como Rei Lulão (@LulaoRei) reforçam: “Ja pensou se os Correios tivesse sido privatizado e a Fedex fosse a compradora, hoje o Brasil ficaria sem serviço postal.“
Outros, como PITBULL DA FIEL (@PITBU77DAFIEL), contrapõem que os Correios têm isenções tributárias e monopólio, ausentes na FedEx.
Barbosa alerta para viés pró-privatização: enquanto o Blog do BG e Notícias R7 destacam “gargalos históricos” para justificar a saída, ignoram que os Correios enfrentam os mesmos sem “escolher” clientes.
Zeina Latif, em declaração ao g1, adverte: “Injetar mais recursos para um modelo condenado é temerário.” Mas, sob a ótica de Barbosa, o articulista questionaria: “por que não escrutinar a FedEx da mesma forma?“
A saída sinaliza consolidação do mercado, com demissões e foco B2B, urgindo reformas para mitigar o “custo Brasil” e fomentar equidade.
Sem análise imparcial, o debate polarizado perpetua narrativas seletivas, como Barbosa denuncia.
Até esta publicação, não há atualizações em fontes como o site da FedEx sobre reversões.

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