Federação Árabe denuncia governo Bolsonaro por traição contra o Brasil e diz que ‘Zero Três tem ‘visão míope’

18/12/2019 1 Por Redação Urbs Magna
Federação Árabe denuncia governo Bolsonaro por traição contra o Brasil e diz que ‘Zero Três tem ‘visão míope’

Ualid Rabah, presidente da Fepal (Federação Árabe Palestina do Brasil), assina nota pública, divulgada nesta terça (17) em resposta às declarações de ”Eduardo Bolsonaro’, na qual acusa o governo de traição aos interesses nacionais. O filho ‘número 3’ do presidente reafirmou, no último domingo, a intenção de transferir a Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém


A nota ressalta a imoralidade do apoio bolsonarista ao regime de opressão e morte contra a Palestina e traz um resumo da contabilidade comercial superavitária com países das Arábias minimizando Israel, que apresenta déficit na balança comercial.

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… entre o superávit que arrisca perder e o déficit acumulado, o Brasil paga 5,6 bilhões para apoiar Israel em seu genocídio contra o povo palestino, um povo amigo do Brasil (…) Isto só tem uma qualificação possível: traição nacional, visto que a política exterior em vigor beneficia outro país em detrimento do Brasil”, escreveu Ualid Rabah.

Leia a Nota na íntegra:




Nota pública – Jerusalém: extremismo e traição ao Brasil na condução da política externa

Condenamos nos mais enérgicos termos a inauguração, na Jerusalém ocupada, no último dia 15, de um escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), bem como as declarações feitas no ato pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, segundo as quais este seria o “1º passo para a transferência da embaixada (do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém)”.

Além de uma posição imoral, que vergonhosamente alinha o Brasil ao que há de pior no mundo atual em termos de racismo e genocídio, esta medida e a anunciada são passos irresponsáveis, que atentam contra o Direito Internacional, notadamente as resoluções da ONU para a Questão Palestina e para Jerusalém em particular, e que em nada contribuirão para a promoção da paz na região, senão o contrário, levando a mais violência e instabilidade.

As bravatas de Eduardo Bolsonaro, ademais, significam adesão aos criminosos de guerra Benjamin Netanyahu (acusado de uma infinidade de crimes em seu próprio país) e Donald Trump (sofre acusações cujas gravidades levaram à instalação de um processo de impeachment), ambos rejeitados entre seus povos e no mundo e que abertamente defendem as anexações de Jerusalém e de tudo o mais que resta da Palestina ocupada, e que, ainda, conspiram para que outros países os apoiem nestes e noutros crimes contra o povo palestino, inclusive o de limpeza étnica.

Não bastasse isso, o deputado, do alto de sua olímpica ignorância acerca das relações internacionais e das vantagens econômicas daí derivadas aos povos, ameaça prejudicar a economia brasileira e seu povo, visto as possíveis retaliações comerciais que podem vir em caso de concretização de suas ameaças contra o povo palestino.

São conhecidas as advertências dos países da Liga dos Estados Árabes (22, cuja população é de 416 milhões e com PIB conjunto estimado em 2,7 trilhões de dólares – 11,1 trilhões de reais) e dos que integram a Organização para a Cooperação Islâmica (57 países membros, com população estimada de 1,7 bilhão e PIB na casa dos 14 trilhões de dólares, considerada a paridade do poder de compra, ou 57,5 trilhões de reais, e 5 observadores, entre eles Índia e Rússia, países que, somados, têm mais de 1,5 bilhão de habitantes e um PIB de quase 16 trilhões de dólares pela paridade do poder de compra, ou 65 trilhões de reais), no sentido de congelamento das relações comerciais com o Brasil, ou mesmo reduzir as existentes, caso este adote posições que afetem os direitos dos palestinos, incluídos os afetos à cidade de Jerusalém.

Atualmente, o comércio entre Brasil e países árabes é de 17,7 bilhões de dólares no acumulado do ano, com um saldo comercial favorável ao Brasil de 4,87 bilhões de dólares. Enquanto isso, a balança comercial do Brasil com Israel é infinitamente inferior e, mais, acumula déficit de 763,97 milhões de dólares (exportamos 347,03 milhões de dólares e importamos 1,1 bilhão de dólares), isto é, dá prejuízo ao nosso país. Ou seja: com esta política externa desastrada, o Brasil troca um superávit de 4,87 bilhões de dólares, e que pode crescer muito ainda, por um déficit de 763,97 milhões de dólares.

Em outras palavras, entre o superávit que arrisca perder e o déficit acumulado, o Brasil paga 5,6 bilhões para apoiar Israel em seu genocídio contra o povo palestino, um povo amigo do Brasil.

Considerando os dados de 2018 para o comércio com os países islâmicos, o superávit do Brasil é ainda maior: 11,94 bilhões de dólares.

Isto só tem uma qualificação possível: traição nacional, visto que a política exterior em vigor beneficia outro país em detrimento do Brasil.

Quer dizer: além de mergulhar o Brasil no pântano dos crimes de lesa humanidade de Israel (que testa armas, munições e sistemas de vigilância sobre a população civil palestina que vive a ocupação), a visão míope e desastrada de Eduardo Bolsonaro e do atual regime governante no Brasil podem trazer grandes prejuízos econômicos ao país, com consequentes fechamentos de empresas e desemprego. E tudo isso a troco de nada, senão de apoiar um regime condenado pelo mundo, somente salvo por um único veto no Conselho de Segurança da ONU, o dos EUA.

Diante disso, conclamamos ao governo que retorne sua política exterior ao equilíbrio que sempre a pautou, de acatamento ao Direito Internacional e de respeito aos povos, o palestino incluído. Nada mais pedimos que uma posição brasileira de amizade para com todos os povos, condição que permitirá ao Brasil, inclusive, a privilegiada posição de mediador confiável entre Palestina e Israel com vistas a alcançar-se um acordo de paz justo e definitivo.

Ualid Rabah Presidente da FEPAL

Palestina Livre a partir do Brasil, 17 de dezembro de 2019

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