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Fazendeiro de 70 anos condenado a 105 anos por chacina bárbara no Pará é preso após 40 anos foragido

    Fazendeiro de 70 anos condenado a 105 anos por chacina bárbara no Pará é preso após 40 anos foragido

    Foto Arquivo – Polícia Federal


    Polícia Federal captura Marlon Lopes Pidde, mandante da Chacina da Fazenda Princesa, em operação impulsionada pela OEA e Ministério dos Direitos Humanos – SAIBA MAIS

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    São Paulo (SP), 24 de abril de 2025

    A Polícia Federal prendeu em São Paulo o fazendeiro Marlon Lopes Pidde, de 70 anos, condenado a 105 anos de prisão por ordenar a morte de cinco trabalhadores rurais na Chacina da Fazenda Princesa, em Marabá, Pará, em 1985.

    O crime, marcado por extrema crueldade, chocou o Brasil e o mundo, e Pidde, apontado como mandante, passou décadas escapando da justiça, vivendo com identidade falsa.

    A prisão, realizada após quase 40 anos do crime, é um marco na luta contra a impunidade em conflitos agrários no país.

    Um Crime Hediondo que Marcou a História

    A Chacina da Fazenda Princesa ocorreu em 27 de setembro de 1985, na fazenda de Pidde, então chamada Califórnia III, em Marabá.

    Cinco agricultores — Manoel Barbosa da Costa, José Barbosa da Costa, Ezequiel Pereira da Costa, José Pereira de Oliveira e Francisco Oliveira da Silva — foram atraídos para uma suposta reunião com o fazendeiro e uma juíza, sob o pretexto de resolver disputas de terra.

    No entanto, foram sequestrados, torturados por dois dias, assassinados com tiros, queimados ainda vivos e jogados no Rio Itacaiúnas, com pedras amarradas aos corpos para ocultar o crime.

    Os corpos só foram encontrados mais de uma semana depois, conforme detalhado pelo Tribunal de Justiça do Pará.

    O caso ganhou notoriedade internacional devido à brutalidade e à demora na punição dos responsáveis, levando a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) a abrir um processo contra o Estado brasileiro por violação de direitos humanos.

    Uma Longa Trajetória de Impunidade

    Marlon Lopes Pidde, acusado de contratar pistoleiros para executar o crime, passou 20 anos foragido, residindo em São Paulo com documento falso.

    Ele foi preso pela primeira vez em 2006, quando tentava deixar o país, mas foi solto em agosto de 2011 por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que considerou excesso de prazo para levá-lo a júri.

    Em 2013, Pidde tentou renovar seu passaporte em São Paulo, o que levou a um novo decreto de prisão preventiva, revogado após ele apresentar o documento à justiça.

    O julgamento ocorreu apenas em 8 de maio de 2014, quase 30 anos após o crime, em Belém, após o Tribunal de Justiça do Pará desaforar o caso de Marabá para garantir a segurança dos jurados, devido à influência de Pidde na região.

    Ele foi condenado a 130 anos de prisão, pena posteriormente reduzida para 120 anos, e Lourival Santos da Rocha, outro acusado, a 110 anos, ambos em regime fechado, conforme decisão da desembargadora Vânia Lúcia Silveira.

    José Gomes de Souza, gerente da fazenda, escapou da punição por prescrição ao completar 70 anos, e João Lopes Pidde, irmão de Marlon, foi absolvido.

    Apesar da condenação, Pidde nunca foi preso para cumprir a pena, permanecendo foragido até 2025. Lourival Santos da Rocha também segue foragido, segundo o Diário do Pará.

    A Captura Após Pressão Internacional

    A prisão de Pidde em 2025 foi resultado de uma operação iniciada em fevereiro, após um pedido conjunto da OEA e do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que pressionaram pela localização do foragido.

    A Polícia Federal localizou Pidde em São Paulo, onde ele foi detido e levado à Superintendência Regional da PF, ficando à disposição da Justiça do Pará para cumprir a pena.

    Organizações como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) destacaram a importância da prisão, mas criticaram a demora do sistema judiciário.

    “Esse caso demonstra claramente a ineficiência do Poder Judiciário em relação à punição de crimes no campo”, afirmou o advogado José Batista Afonso, da CPT, em entrevista ao Individeo Blog.

    Ele sugeriu que a lentidão pode refletir uma “plena eficiência em garantir a impunidade” para proteger interesses do latifúndio.

    Impacto e Contexto Agrário

    A Chacina da Fazenda Princesa é emblemática dos conflitos agrários no sul e sudeste do Pará, região marcada por violência e pistolagem.

    O caso se soma a outros episódios, como o Massacre de Eldorado dos Carajás e a Chacina da Fazenda Ubá, que também mobilizaram a OEA e organizações de direitos humanos.

    A CPT aponta que, nos últimos 10 anos, 23 lideranças camponesas foram assassinadas na região, com poucos responsáveis punidos.

    A prisão de Pidde é vista como um passo rumo à justiça, mas entidades como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) reforçam a necessidade de ações mais amplas para combater a violência no campo e garantir a reforma agrária.

    “Ações como essa, que responsabilizam não só pessoas, mas também o Estado, são necessárias para manter o andamento da justiça”, declarou ao MST Marco Apolo Leão, presidente da SDDH, em referência a casos semelhantes, como a Chacina da Fazenda Ubá.

    Legado de Dor e Luta

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    A família das vítimas ainda carrega as marcas da violência.

    Reginaldo Pereira de Oliveira, filho de José Barbosa da Costa, uma das vítimas da chacina, foi morto em 2022 por um segurança da Vale em Marabá, em um caso que reforça o ciclo de violência na região.

    A prisão de Pidde, embora tardia, reacende a esperança de justiça para os familiares e reforça a pressão por punições mais céleres em crimes agrários.

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    1 comentário em “Fazendeiro de 70 anos condenado a 105 anos por chacina bárbara no Pará é preso após 40 anos foragido”

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