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“Sob o condenado Jair Bolsonaro, o fascismo ganhou forma assassina e trágica”, escreve Leonardo Boff

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    O teólogo
    O teólogo LEONARDO BOFF e o ex-presidente JAIR BOLSONARO | Imagens reprodução / Sobreposição


    O teólogo denuncia raízes históricas do extremismo e clama por união democrática em meio a crises globais e ecológicas



    Brasília, 26 de setembro de 2025

    Em sua página oficial na web, o renomado teólogo Leonardo Boff lança um alerta urgente sobre a ascensão global de ideias fascistas e atitudes autoritárias, com foco especial no Brasil e nos Estados Unidos.

    Boff, conhecido por sua defesa da teologia da libertação e da ecologia, traça paralelos entre o passado histórico do fascismo e manifestações contemporâneas, criticando duramente o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e o atual líder americano Donald Trump.

    O texto, intitulado implicitamente como uma reflexão sobre o fenômeno sinistro do fascismo, enfatiza que as grandes narrativas modernas falharam, gerando insatisfação, raiva e ódio, agravados pelo clamor ecológico que exige uma mudança radical de rumo para evitar uma catástrofe bíblica.

    Boff remete às origens do fascismo, cunhado por Benito Mussolini em 1915 com o grupo “Fasci d’Azione Revolucionaria”, simbolizado pelo feixe de varas irrompíveis, que evoluiu para o Partido Nacional Fascista em 1922.

    Na Alemanha, ele evoca Adolf Hitler e o Nacionalsocialismo de 1933, marcado por vigilância, violência e o terror das SS.

    No contexto latino-americano, o teólogo cita ditaduras como as de Pinochet no Chile, Videla na Argentina e os governos militares de Figueiredo e Médici no Brasil, estendendo a crítica à tendência bolsonarista.

    “A vigilância, a violência direta, o terror e o extermínio dos opositores são características do fascismo histórico”, escreve Boff, ligando isso ao fundamentalismo extremado presente em diversas culturas.

    O artigo conecta o fascismo ao fundamentalismo ocidental, referenciando Samuel Huntington em Choque de Civilizações (1997), que denuncia o Ocidente como um dos mais virulentos, evidente nas guerras coloniais e na doutrina da “excepcionalidade” americana.

    Boff critica o ufanismo MAGA (Make America Great Again) de Trump, interpretando “America first” como um egoísmo isolacionista: “só a América e o resto do mundo que se lasque”.

    Ele também aborda o fundamentalismo islâmico e católico, condenando o documento Dominus Jesus (2000) do então cardeal Joseph Ratzinger (futuro Papa Bento XVI), que negava o status eclesial a outras igrejas. Em contraste, elogia Papa Francisco por promover o diálogo intereclesial e o serviço à humanidade e ao planeta ameaçado.

    “Todo aquele que pretende ser portador exclusivo da verdade está condenado a ser fundamentalista, com mentalidade fascistoide e sem diálogo com os outros”, alerta Boff, citando o Dalai Lama: “não insista em dialogar com um fundamentalista. Apenas tenha compaixão dele”.

    Ele evoca António Machado, vítima da ditadura de Franco na Espanha: “Não a tua verdade. Mas a verdade. Vem comigo buscá-la. A tua guarde-a para ti mesmo”.

    Para o teólogo, o fascismo persiste como “proto fascismo” em grupos movidos por um arquétipo desintegrado da totalidade, buscando ordem a qualquer custo.

    No Brasil, Boff descreve uma figura “mais hilária que ideológica” que justificava violência, tortura, homofobia e misoginia em nome da ordem, evoluindo para uma forma “assassina” sob Bolsonaro.

    Ele acusa o ex-presidente de se opor à vacina contra a Covid-19, estimular aglomerações e ridicularizar máscaras, contribuindo para mais de 300 mil mortes entre 716.626 vítimas, sem empatia: “Foi a expressão criminosa de desprezo pela vida de seus compatriotas”.

    Recentemente, em setembro de 2025, Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano ao patrimônio da União e deterioração de bens tombados – crimes ligados à trama golpista que incluía planos de assassinato de autoridades como Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

    Essa sentença, proferida em 11 de setembro, marca um “legado sinistro” e uma vitória contra as “trevas”, segundo Boff.

    Nos EUA, o teólogo aponta o assassinato de Charlie Kirk, fundador da Turning Point USA e aliado de Trump, como exemplo de violência extremista.

    Em 10 de setembro, Kirk, 31 anos, supremacista, anti-islâmico e homofóbico, foi morto a tiros durante um evento na Utah Valley University, em Orem, Utah.

    O suspeito, Tyler Robinson, 22 anos, radicalizado e com histórico de hostilidade a Kirk, foi preso 33 horas depois em St. George, com DNA ligando-o à arma.

    Trump lamentou a perda, culpando a “retórica da esquerda radical” e exigindo tratar radicais como terroristas, em um contexto de polarização que evoca a Shoah hitlerista.

    Boff vê isso como perversão da sociabilidade humana, combatível apenas com mais democracia e povo nas ruas.

    Atualizações recentes reforçam o alerta de Boff. Em 7 de setembro, atos bolsonaristas na Avenida Paulista, em São Paulo, exibiram bandeiras americanas e pediram intervenção de Trump, que respondeu com tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em retaliação ao julgamento de Bolsonaro – medida criticada no Senado como ataque à soberania.

    A imprensa internacional, como The New York Times e BBC News, destacou a tensão, prevendo a condenação de Bolsonaro e protestos contra a PEC da Blindagem, que busca anistia e proteção judicial a parlamentares.

    Em 21 de setembro, manifestações em capitais como São Paulo (42 mil pessoas) e Rio de Janeiro rejeitaram a PEC e a anistia, com bonecos de Bolsonaro e Trump.

    Analistas como Paulo Vannuchi, ex-ministro dos Direitos Humanos, afirmam que a ditadura de 1964 pavimentou o caminho para Bolsonaro, e sua prisão é “passo contra o fascismo” para evitar retorno em 2026.

    O historiador Miguel Stédile alerta para uma “terceira onda do fascismo” global, alimentada por austeridade e anti-imigração, como na Alemanha com a AfD neonazista.

    Boff conclui: “Combate-se o fascismo com mais democracia e povo na rua […] Devemos unir-nos pois não temos outro planeta nem outra Arca de Noé”.

    Sua voz ecoa em um mundo polarizado, convocando razão sensata e coragem contra quem usa liberdade para eliminá-la.

    Leia a íntegra do artigo de Leonardo Boff.



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