Falas de Gilmar e Celso Três sugerem Moro sob suspeição e Lula livre e elegível: “Eles sabem o que fizeram no sábado à noite”; “Não tem como não declarar quebra da imparcialidade”

19/07/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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Afirmação do ministro do STF sobre a Lava Jato no site de jornalismo investigativo APública acompanha opinião de procurador gaúcho (“Coisa de mafiosos”) e revela que havia um parecer de suspeição pronto em 2018

Em fala do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, no portal Agência Pública desta sexta-feira (17), Sergio Moro, o ex-juiz da ‘República de Curitiba’, teria sua suspeição a caminho acelerado em pauta programada para o mês de agosto. “Eles sabem o que fizeram no sábado à noite”, disse Mendes sobre a Lava Jato, segundo o site de jornalismo investigativo acrescentando que a Operação deixará de ser como ela é hoje, de acordo com procuradores, após o confronto com a PGR de Augusto Aras e a Corte.

Cai a “aura de intocabilidade” de Moro e da força-tarefa. Gilmar teria dito que “os acontecimentos [como os diálogos da Vaza Jato revelados pelo site The Intercept Brasil] posteriores ao pedido de vista [feito no julgamento do recurso que alega suspeição de parcialidade de Moro e dos procuradores do Paraná no caso do tríplex do Guarujá] devem entrar no debate” na primeira sessão presencial da Segunda Turma, a ser realizada no próximo mês.

A defesa argumenta que havia um propósito de Moro para cercar e condenar Lula. É o que vamos ver. Eles [os lavajatistas] sabem que o poder absoluto corrompe”, teria dito Mendes ao APública ainda sobre tais “acontecimentos posteriores”.

O processo pode até ser anulado“, escreveu Vasconcelo Quadros na matéria. “O ex-juiz tem dois votos a favor, o do relator Edson Fachin e da ministra Cármen Lúcia, que ainda podem mudar de posição. Faltam as posições de Mendes, do decano Celso de Mello e de Ricardo Lewandowski“, continuou Quadros.

Celso Três: “Coisa de mafiosos; desemprego; quebradeira em massa de empresas; destruição da esquerda

Celso Três, do MPF gaúcho, diz, de acordo com o APública, que os procuradores da força-tarefa de Curitiba “atropelaram o devido processo legal, flexibilizando medidas, como conduções coercitivas e buscas e apreensões a rodo “para assustar seus alvos – coisa de mafiosos” e “nos contratos de delação premiada não incluíram nenhuma cláusula que evitasse o desemprego e a quebradeira em massa” de empreiteiras ou empresas que negociavam com a Petrobras. Além disso, politizaram as operações, “focando na destruição dos partidos”, sobretudo os de esquerda, “que representam a alma da democracia”, influenciando eleições.

“No quesito produtividade, a Lava Jato fez mais operações do que denúncias. E termina muito mal para procuradores: um foi preso [Ângelo Villela], outro pulou para o lado de lá do balcão [Marcelo Miller], um terceiro está sendo investigado por corrupção [Januário Paludo] e o chefe [Rodrigo Janot] está proibido de se aproximar do Supremo Tribunal Federal”, disse o procurador gaúcho, de acordo com a mídia investigativa.

O portal diz ainda que Celso Três teria afirmado que Moro não se dá conta que “ao criticar Lula com fins políticos, está criticando um réu que condenou, num processo cujos recursos de contestação ainda não se esgotaram. Pelo contexto atual, não tem como não declarar a quebra da imparcialidade de Moro”.

Sobre a relutância de procuradores da Lava Jato em compartilhar dados da Operação com o PGR Aras, Celso Três ainda teria dito que: “Uma investigação não tem direito autoral. Não existe razão para apurar e não compartilhar, a não ser que tenha algo errado que não é para aparecer” e que “os interesses dos Estados Unidos foram escandalosamente protegidos com a investigação contra a Petrobras”, em referência à atuação de agentes estrangeiros na Lava Jato, revelada pela APública em parceria com o The Intercept Brasil.

Livro de Janot, “Nada Menos Que Tudo”, é a matéria-prima para a defesa de Lula

O APublica também diz que o livro “Nada Menos Que Tudo” é a matéria-prima para a defesa do ex-presidente usar. Janot conta que Deltan Dallagnol foi à Brasília para pedir que o então procurador-geral pulasse vários lugares na fila de partidos investigados e antecipasse a denúncia contra Lula por organização criminosa e, assim, evitar que as duas acusações de Curitiba, corrupção passiva e lavagem de dinheiro (aceitas e aplicadas por Moro na sentença), ficassem descobertas.

“Queremos que você inverta a ordem das denúncias para colocar a do PT em primeiro”, disse Deltan em relato de Janot, que acha que o procurador da força-tarefa queria, também, justificar seu PowerPoint que apontava Lula como “general”, “comandante máximo” e “grande líder” da organização criminosa.

“Eu teria que acusar o ex-presidente e outros políticos do PT com foro no Supremo Tribunal Federal em Brasília para dar lastro à denúncia apresentada por eles ao juiz Sergio Moro em Curitiba. Isso [acusação de líder de organização criminosa] é o que daria base jurídica para o crime de lavagem de dinheiro imputado a Lula”, relata Janot, que disse ter ficado “chateado com as pressões” dos lavajatistas curitibanos

“Horizontalizar [a investigação] para chegar lá na frente”

Janot também aborda afirmação de um dos integrantes da força-tarefa sobre “horizontalizar [a investigação] para chegar lá na frente”.

“[…] quando vi Sergio Moro viajando para o Rio de Janeiro para aceitar o convite para ser o ministro da Justiça do governo Bolsonaro, é que me veio de novo à cabeça aquela expressão. Horizontalizar implicaria uma investigação com foco num determinado resultado?”, pergunta Janot.

Janot, em seguida, relaciona a expressão “horizontalizar” com os vazamentos seletivos de trechos das delações do doleiro Alberto Youssef e do ex-ministro Antonio Palocci, que causaram “enorme impacto” nas eleições de 2014 e 2018 a favor de adversários do PT.

“Esses dois casos, a meu ver, expõem contra a Lava Jato, que a todo momento tem que se defender de atuação com viés político”, arrematou Janot.

O livro reforça o argumento que usamos para impetrar dois habeas corpus, um contra o Moro e outro contra os procuradores”, diz o advogado de Lula Cristiano Zanin. “A eventual anulação da sentença ganhou corpo em 2018 quando um dos procuradores chegou a preparar um parecer reconhecendo que Moro e seus colegas curitibanos haviam, sim, quebrado o dever de imparcialidade em relação a Lula“, escreveu o APública, que tambem afirma que “fontes da cúpula do MPF acham que Aras não vai renovar, em setembro, a sexta autorização para que a força-tarefa de Curitiba continue funcionando no modo em que está construída: uma força paralela, desconectada da PGR“.

Portanto, a hipótese provável é a de uma reviravolta na condenação de Lula, como escreveu o portal, que após abordar outros interesses de Sergio Moro antes e durante sua gestão no ministério da Justiça, pontua assim: “Como é impossível imaginar uma conspiração entre Lula e Bolsonaro para acabar com investigações de corrupção, o mais sensato é que o fim da Lava Jato seja resultado do acúmulo de erros cometidos pelos lavajatistas. “Eles sabem o que fizeram no sábado à noite”, disse à Pública o ministro Gilmar Mendes.”

Leia a matéria do portal com todos os detalhes.

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