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“Fake news bovina desmentida: Venezuela não taxou Brasil em mais de 70%”, explica influencer

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    LULA e
    LULA e MADURO, em encontro em Brasília |2023| EFE


    Houve apenas um erro na aduana terrestre … que foi corrigido imediatamente, mas não rápido o suficiente que evitasse a maldade dos extremistas apoiadores de Bolsonaro” – ENTENDA



    Brasília, 30 de julho de 2025

    Mais uma fakenews bovina é desmentida“, afirma o influenciador digital dono da conta na rede social X, @pravda_br.

    É MENTIRA que a Venezuela tenha taxado o Brasil em 70%“, prossegue na mensagem em que incorporou um print de uma notícia da agência de checagem do UOL Confere.

    O influenciador resume a matéria: “Houve apenas um erro na aduana terrestre da Venezuela que foi corrigido imediatamente, mas não rápido o suficiente que evitasse a maldade dos extremistas apoiadores de Bolsonaro“.

    A matéria do UOL Confere aborda a situação envolvendo a taxação de produtos brasileiros na Venezuela, que gerou preocupação entre exportadores, especialmente no estado de Roraima, e sua posterior resolução.

    Entenda:

    Na semana anterior à publicação da matéria, a Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier) informou que produtos brasileiros, que até então eram isentos de tarifas de importação na Venezuela, começaram a ser taxados na aduana venezuelana.

    Essa cobrança pegou os exportadores de surpresa, já que o comércio entre Brasil e Venezuela é regido pelo Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), firmado em 2012 e incorporado em 2014, que garante isenção de impostos de importação (como a taxa ad valorem, baseada no valor do produto) para a maioria dos produtos brasileiros que entram na Venezuela, desde que acompanhados de um certificado de origem.

    O problema afetou principalmente o estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela e tem no país vizinho seu principal parceiro comercial, respondendo por cerca de 70% das exportações roraimenses.

    Produtos como açúcar, margarina, farinha de trigo, cacau e cana-de-açúcar foram impactados, com taxas que variaram de 15% a 77%, dependendo do item. Por exemplo, açúcar e margarina sofreram taxação de 40%, enquanto farinha de trigo foi taxada em 20%.

    Causa da taxação

    A cobrança inesperada ocorreu porque o sistema aduaneiro venezuelano, conhecido como Sidunea, passou a não reconhecer os certificados de origem dos produtos brasileiros.

    Sem o reconhecimento desses certificados, os produtos perdiam o benefício da isenção previsto no ACE 69, sendo tributados como se não fossem de origem brasileira.

    Isso gerou um aumento significativo nos custos para importadores venezuelanos, que arcam com os impostos, e preocupou exportadores brasileiros, que temiam perder competitividade no mercado venezuelano em relação a outros países, como Colômbia, México e Turquia.

    Na época, não houve comunicado oficial do governo venezuelano explicando a medida, o que levou a especulações sobre se a taxação seria uma decisão política ou um erro técnico.

    Exportadores relataram que a cobrança começou em 18 de julho, e a Fier, junto com a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, acionou o governo brasileiro para esclarecer a situação.

    O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) foram informados e iniciaram diálogos com a Embaixada do Brasil em Caracas para buscar uma solução.

    Resolução do problema

    Na segunda-feira (28/jul), a situação foi revertida. A Fier informou que, segundo comunicações extraoficiais de despachantes aduaneiros venezuelanos, a taxação foi causada por uma falha técnica no sistema aduaneiro Sidunea, devido a instabilidades na infraestrutura de tecnologia da informação (TI) da aduana venezuelana.

    Com a correção do problema, os certificados de origem brasileiros voltaram a ser reconhecidos, e as isenções previstas no ACE 69 foram restabelecidas.

    O presidente da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria de Roraima, Eduardo Oestreicher, confirmou que o sistema voltou a operar normalmente, permitindo que as cargas fossem processadas sem a cobrança das tarifas.

    Ele destacou o alívio dos empresários de Roraima, que temiam impactos econômicos significativos, já que as cargas estavam paradas na aduana à espera de uma solução.

    O governador de Roraima, Antonio Denarium, também celebrou a normalização, enfatizando a importância da Venezuela como destino de 70% das exportações do estado e o impacto que a taxação poderia ter em empregos, renda e arrecadação.

    Impactos e importância

    A Venezuela é um mercado essencial para Roraima, com um comércio bilateral que atingiu US$ 1,6 bilhão em 2024, sendo US$ 1,2 bilhão em exportações brasileiras.

    A taxação abrupta, mesmo que por poucos dias, gerou preocupações sobre a competitividade dos produtos brasileiros, já que os impostos cobrados (como 1% pelos serviços aduaneiros e 16% do IVA venezuelano) encareciam as mercadorias, levando importadores venezuelanos a considerar fornecedores de outros países.

    A resolução do problema trouxe alívio, mas a Fier afirmou que continuará monitorando a situação para garantir que o fluxo comercial permaneça normalizado.

    Embora a matéria do UOL não mencione explicitamente, algumas fontes sugeriram que a taxação poderia estar relacionada a tensões políticas, como a falta de reconhecimento por parte do governo brasileiro da reeleição de Nicolás Maduro.

    No entanto, a explicação oficial fornecida pelos despachantes venezuelanos aponta para um erro técnico, e não uma decisão política deliberada.

    A ausência de um comunicado oficial do governo venezuelano reforça a tese de que o problema foi operacional.

    O Itamaraty ainda não havia se pronunciado oficialmente até o dia 28 de julho, mas a Embaixada do Brasil em Caracas continuava buscando esclarecimentos formais sobre a causa da falha e a garantia de que o problema não se repetiria.

    Portanto, a matéria esclarece que a taxação de produtos brasileiros na Venezuela foi um incidente temporário, causado por um erro técnico no sistema aduaneiro venezuelano, e não uma mudança intencional na política comercial.

    As isenções foram restabelecidas na segunda-feira, após pressão de entidades como a Fier e intervenção diplomática do Brasil.

    A situação, embora resolvida, destacou a dependência econômica de Roraima do comércio com a Venezuela e a importância de manter acordos bilaterais, como o ACE 69, para garantir a competitividade das exportações brasileiras.



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