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Expectativa de vida do brasileiro cai de 76,6 para 72,2 anos e demografia entra em declínio

    Com a pandemia, a desaceleração do crescimento da mão de obra foi antecipada em uma década e o decrescimento da população deverá ser acelerado

    A expectativa de vida do brasileiro caiu de 76,6 para 72,2 ano. Com isso, a desaceleração do crescimento da mão de obra foi antecipada em uma década. O decrescimento da população, portanto, deverá entrar em desaceleração, afirmam especialistas, de acordo com matéria de Marsílea Gombata, no Valor Econômico. Contudo, o rumo da tendência demográfica que vinha em curso no Brasil permanece.

    O primeiro impacto da pandemia é o aumento da mortalidade e, como consequência, forte redução da expectativa de vida”, afirma a pesquisadora Ana Amélia Camarano, coordenadora de Estudos e Pesquisas de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

    Segundo ela, “de março de 2020 a dezembro de 2021 houve perda de 4,4 anos na expectativa de vida. Isso é muita coisa. Perder 4,4 anos em 22 meses significa uma perda de vida de 0,36 anos ou quatro meses em cada mês”, argumenta. “Entre 1980 e 2019 ganhou-se quatro meses por ano de expectativa de vida. Entre 2019 e 2021, perdeu-se quatro meses por mês de expectativa de vida.

    Com a pandemia, a mortalidade se tornou uma variável importante no envelhecimento populacional, para o qual historicamente pesava mais a queda da natalidade. Além de mais mortes, menos pessoas nasceram. Os nascimentos já vinham diminuindo antes da covid porque a fecundidade estava caindo no Brasil. A pandemia trouxe também aumento da mortalidade materna, levando à mortalidade de bebês e ao adiamento de gravidezes“, acrescenta a pesquisadora.

    “O efeito disso na população foi uma desaceleração acentuada do crescimento e antecipação da diminuição da população. Já estava previsto que a população diminuiria a partir de meados da década de 2030, mas com a pandemia isso deve acontecer até o fim desta década. Começa a haver diminuição da população total e também da população em idade ativa (PIA)”, prevê Ana.

    A população brasileira deve ir de 204,6 milhões em 2020 para 212,2 milhões em 2025, 209,7 milhões em 2030 e 204,2 milhões em 2035. A PIA deve passar de 136 milhões em 2020 para 142,7 milhões em 2025, 139,8 milhões em 2030, e 133,1 milhões em 2035“, projeta a pesquisadora.

    Tanto a população total quanto a PIA devem crescer de 2020 a 2025, apesar de menor natalidade e maior mortalidade, porque a PIA nasceu antes da pandemia e só será afetada pela queda da natalidade decorrente da covid-19 em 2035“, diz Camarano. “Quanto à mortalidade, o efeito foi desacelerar o crescimento da PIA para depois levar a uma redução que já estava prevista. Antecipamos em cerca de dez anos a desaceleração do crescimento da mão de obra.”

    Há desequilíbrio dos mecanismos de transferência intergeracionais. Em uma população, pais cuidam dos filhos e filhos cuidam dos pais. A tendência é ter mais pais e menos filhos, seja para cuidar, seja para pagar a conta da Previdência”, diz.

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