Reportagem de jornal esteve na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e conseguiu o documento para consulta, mas após 10 minutos bibliotecária retirou monografia da mesa alegando que material era sigiloso – SAIBA MAIS
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Ivan Valente (PSOL-SP) protocolou na Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira (2/11), um pedido para que o Ministério da Defesa explique a proibição, pelo Exército, do acesso público à monografia escrita em 2002 pelo general da reserva Mario Fernandes na conclusão de curso realizado na ECEME (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército).
De acordo com a coluna Painel da Folha de S. Paulo, na sexta-feira (29/11) o jornal esteve na ECEME e conseguiu a monografia para consulta, mas após 10 minutos uma bibliotecária retirou a monografia da mesa, alegando que o material era sigiloso.
Em seu requerimento, Ivan Valente quer saber da pasta comandada por José Múcio por qual motivo o Exército “adotou repentinamente a restrição de acesso” à monografia e cobrou transparência.
Mario Fernandes é um dos personagens centrais da trama golpista apontada em um inquérito da PF (Polícia Federal), sendo o principal suspeito de ter sido o responsável em 2022 por elaborar um plano para matar o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
As monografias de conclusão de curso de anos mais recentes estão digitalizadas no site da Biblioteca do Exército. O general da reserva integra a lista de 37 indiciados pela PF sob suspeita de atuar na trama golpista no final do governo Jair Bolsonaro (PL).
O relatório final das investigações foi enviado à PGR (Procuradoria-Geral da República), a quem cabe agora decidir se arquiva o caso, pede mais investigações ou denuncia os suspeitos à Justiça. O oficial era um dos maiores incentivadores da trama golpista, tendo inclusive escrito uma carta ao então comandante do Exército, general Freire Gomes, instigando-o a aderir à movimentação.
O trabalho de Mario Fernandes versa sobre uma análise crítica do COpUEsp (Comando de Operações de Unidades Especiais), comparando com estruturas semelhantes em outros Exércitos do mundo. Ele também encerra o estudo com uma proposta de organograma para o Comando que viria a dirigir em 2018, já com o nome de Comando de Operações Especiais.
“No Brasil, em que pese o estado embrionário em que se encontram as unidades especiais, as autoridades militares já sentiram a importância de suas Forças Especiais nos campos social, econômico, político e militar do país, de modo a priorizarem seu adestramento e equipagem“, afirma o general no texto.
“O Comando de Operações de Unidades Especiais, comando enquadrante dessas unidades, no entanto, ainda não é uma realidade, tornando-se primordial o conhecimento e o entendimento das ideias motivadoras de sua criação, bem como as vantagens e desvantagens de sua concepção“, diz outro trecho.
O trabalho foi concluído quando Mario Fernandes era major. Ele dedica agradecimento especial ao general Luiz Eduardo Ramos, ex-ministro do ex-presidente inelegível até 2023 e também indiciado Jair Bolsonaro (PL), de quem foi número dois na Secretaria-Geral da Presidência, “cuja liderança e exemplo profissional foram fontes de inspiração para esse trabalho“.
Fernandes também cita o general Cesar Augusto Nardi de Souza, membro do Alto Comando do Exército até 2021 e integrante da banca de avaliação.
Mario Fernandes integrou o 1º Batalhão de Forças Especiais entre 1988 e 1993 e o comandou em 2008, unidade dos chamados kids pretos, designação popular da tropa em razão dos gorros pretos usados por seus integrantes. A especialidade está no centro da investigação da PF sobre organização criminosa que atuou durante o governo Bolsonaro, visando um golpe de Estado por meio da abolição violenta do Estado Democrático de Direito, segundo a PF.
Criada em 1905 como Escola de Estado Maior, com sede no bairro da Urca, Zona Sul do Rio de Janeiro, a ECEME é a mais alta e prestigiada escola do Exército, destinando-se à formação de oficiais superiores para funções de Estado-Maior, Comando e outras privativas de alto escalão.
Na década passada, teve reconhecidos mestrado acadêmico e doutorado, abertos a civis, pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que supervisiona o ensino de pós-graduação no país.
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