Depoimento desvenda rotinas de cofres e viagens luxuosas em meio a apurações sobre fraudes previdenciárias que abalam estruturas políticas
Brasília (DF) · 03 de março de 2026
Aline Bárbara Mota de Sá Cabral, ex-secretária de Antonio Carlos Camilo Antunes – conhecido como ‘Careca do INSS’ –, prestou esclarecimentos à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS na segunda-feira (2/mar).
A oitiva, realizada no Senado Federal em Brasília, focou em supostas conexões com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio a investigações sobre um esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários.
De acordo com relatos unânimes de fontes que noticiaram o tema, Aline Cabral negou categoricamente ter emitido passagens aéreas ou realizado pagamentos em espécie para Lulinha.
Questionada pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), ela afirmou: “Eu não emiti passagens para o senhor Fábio Luís nem realizei qualquer pagamento a ele”.
Essa declaração ecoa em múltiplos veículos, reforçando a ausência de evidências diretas ligando-a a tais transações.
Contudo, a depoente admitiu ter acesso ao cofre de Antonio Carlos Camilo Antunes, onde manipulava quantias em dinheiro vivo, embora desconhecesse sua origem. Ela esclareceu: “Tinha acesso ao cofre, mas não às contas bancárias, e não efetuava pagamentos”.
Essa rotina incluía o manuseio de veículos de luxo e emissões de passagens para terceiros, como Danielle Fonteles, publicitária associada ao PT, o que sugere ramificações políticas no esquema.
O contexto da CPMI remete a uma operação da Polícia Federal deflagrada em dezembro de 2025, que expôs descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões, gerando prejuízos milionários ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a BBC, pagamentos totalizando R$ 1,5 milhão foram ordenados por Careca do INSS à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e sócia da RL Consultoria e Intermediações. Mensagens apreendidas mencionam repasses ao “filho do rapaz”, alimentando suspeitas.
A comissão aprovou na quinta-feira (26/fev) a quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, por indícios de ser “sócio oculto” no esquema, conforme reportado pelo g1.
Sua defesa nega qualquer irregularidade: “Ele não tem relação com fraudes no INSS nem recebeu valores dessa fonte”.
Viagens internacionais também entraram na pauta. Registros indicam que Lulinha e Careca do INSS viajaram juntos para Portugal em novembro de 2024, em voos de primeira classe, conforme apurado pelo Metrópoles.
Aline Cabral confirmou emissões para outros envolvidos, mas reiterou desconhecimento sobre despesas ligadas ao filho do presidente.
A CPMI, presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), aguarda agora os dados dos sigilos quebrados para aprofundar as apurações, que envolvem lobistas, servidores públicos e possíveis influências políticas.
O escândalo, que eclodiu com a prisão do ex-número 2 do Ministério da Previdência, Adroaldo da Cunha Portal, em 18 de dezembro de 2025, continua a revelar camadas de complexidade, com impactos potenciais na governabilidade.

SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:

