Cinco ex-titulares da pasta, incluindo nomes de governos FHC e Lula, enviam carta aberta criticando megaoperação policial como “guerra” inadequada e pedem Secretaria Especial para combater crime organizado no estado
Brasília, 06 de novembro 2025
Ex-ministros da Justiça enviaram uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (5), exigindo que o governo federal assuma “pessoalmente e diretamente” o comando das ações de segurança pública no Rio de Janeiro após a Operação Contenção, considerada a mais letal da história do estado, com 121 mortos – sendo 117 civis e 4 policiais – nos complexos da Penha e do Alemão.
Os signatários classificam a ação como uma “catástrofe de dimensões históricas”, conforme transcreve a CNN Brasil, e propõem a criação imediata de uma Secretaria Especial da Presidência da República com prerrogativas ministeriais para coordenar inteligência, polícia e operações da União.
Assinam o documento Nelson Jobim, Miguel Reale Jr., Aloysio Nunes Ferreira e José Carlos Dias – todos ex-ministros no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – e Tarso Genro, que ocupou a pasta no primeiro mandato de Lula.
No texto, eles afirmam que a operação, deflagrada em 28 de outubro pela Polícia Civil e PM do Rio, foi “mal preparada e mal explicada, foi realizada uma operação de guerra, colocando as estruturas da Polícia do Estado do Rio de Janeiro em confronto com a totalidade da população ali residente e não somente com os grupos faccionados”.
Os ex-ministros destacam que incursões sistemáticas ao longo de quatro décadas falharam em debilitar facções como o Comando Vermelho (CV), reforçando poderes paralelos que se alimentam da violência.
Eles alertam: “O fato de ter antecedente criminal não expressa — num Estado Democrático de Direito — licença para a eliminação sumária de quem quer que seja”.
A proposta de secretaria visa liderar a “desconstrução da crise” e pavimentar a recriação do Ministério da Segurança Pública, promessa do programa de governo de Lula em 2022.

A Operação Contenção mobilizou milhares de agentes contra o CV, mas gerou controvérsias por sua letalidade e falta de coordenação com a União.
Lula reuniu ministros em emergência, determinando envio do titular da Justiça, Ricardo Lewandowski, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao Rio para diálogo com o governador Cláudio Castro (PL).
O Planalto negou pedidos de apoio logístico e criticou a ação como “cruenta”, enquanto Castro amenizou acusações iniciais de omissão federal.
Contexto histórico: padrão de letalidade policial no Rio
Esse não é o primeiro apelo de ex-ministros por mudanças na segurança fluminense. Em janeiro, sete ex-titulares da Justiça – incluindo Tarso Genro, Aloysio Nunes e Nelson Jobim – defenderam decreto de Lula regulando uso da força policial, criticado por governadores como Castro e Tarcísio de Freitas (SP) por suposta interferência estadual.
Operações semelhantes, como as UPPs (2008-2016) ou intervenções federais em 2018, resultaram em milhares de mortes sem erradicar facções, conforme relatórios da Anistia Internacional e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A carta surge em meio a debates sobre a PEC da Segurança Pública e o PL antifacção, sancionado por Lula após a operação.
Pesquisa Datafolha indica que 57% dos cariocas veem a ação como sucesso, mas 70% dos corpos foram expostos em praça pública, levantando acusações de abusos.
O governo Cláudio Castro não comentou a carta até o momento.
Fontes do Planalto avaliam que a proposta de secretaria pode ganhar tração, mas exigirá articulação com o Congresso para evitar acusações de intervencionismo.
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