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Ex-ministro chinês é condenado à morte por propina de US$ 38 milhões em escândalo de corrupção

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    O ex-ministro
    O ex-ministro da Agricultura chinês, Tang Renjian, foi condenado à morte por corrupção ao aceitar propinas em dinheiro e bens, totalizando mais de 268 milhões de yuans (US$ 38 milhões, R$ 203 milhões) entre 2007 e 2024. Ele confessou seus “crimes” e expressou arrependimento / Reprodução: ShanghaiDaily


    Tang Renjian, de 63 anos, foi expulso do Comitê Central do Partido Comunista Chinês por utilizar sua influência para conceder favores em negócios comerciais, licitações de projetos e ajustes funcionais. Em troca, ele recebeu propinas que causaram “prejuízos gravíssimos ao Estado e ao povo



    Beijing, China, 29 de setembro de 2025

    Em um veredito que reforça a cruzada implacável contra a corrupção no governo chinês, o ex-ministro da Agricultura e Assuntos Rurais, Tang Renjian, foi sentenciado à pena de morte com suspensão condicional de dois anos pelo Tribunal Popular Intermediário de Changchun, na província de Jilin, neste domingo (28/set).

    A decisão, anunciada pela mídia estatal Xinhua, destaca a aceitação de subornos em dinheiro e bens que totalizaram mais de 268 milhões de yuans – equivalentes a cerca de US$ 38 milhões ou R$ 203 milhões – acumulados ao longo de 17 anos, entre 2007 e 2024.

    De acordo com o tribunal, Tang Renjian, de 63 anos e ex-membro do Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PCC), utilizou sua influência em cargos públicos, incluindo governador da província de Gansu e ministro da pasta agrícola desde dezembro de 2020, para conceder favores em negócios comerciais, licitações de projetos e ajustes funcionais. Em troca, ele recebeu propinas que causaram “prejuízos gravíssimos ao Estado e ao povo”.

    A pena inclui, além da suspensão da execução por dois anos – período em que uma boa conduta pode comutá-la para prisão perpétua –, a perda vitalícia de direitos políticos, confisco total de bens pessoais e a devolução integral dos valores ilícitos acrescidos de juros ao tesouro nacional.

    O julgamento, realizado em 25 de julho, contou com a confissão completa do réu, que expressou remorso e cooperou na recuperação de ativos, fatores que atenuaram a sentença imediata. Tang Renjian declarou aceitar o veredito e não recorrer, conforme relatado pela Xinhua.

    Essa postura é comum em casos de alto perfil na China, onde a campanha anticorrupção lançada pelo presidente Xi Jinping em 2012 já puniu mais de um milhão de autoridades, recuperando trilhões de yuans em bens desviados.

    A condenação representa mais um passo da campanha do líder Xi Jinping contra o crime no país, somando-se a punições como a de Zhou Yongkang, ex-chefe de segurança interna condenado à perpétua em 2015 por suborno e abuso de poder.

    Danos significativos foram causados ao Estado. Projetos agrícolas como o cultivo de milho transgênico foram afetados e agora recebem auditorias extras para prevenir repetições, com a recuperação de ativos seguindo protocolos padrão que já devolveram bilhões ao erário.

    Tang foi expulso do PCC em novembro de 2024 por “graves violações” e “corrupção moral”.

    A pena suspensa é típica em corrupção de elite e pode ser convertida se não houver reincidência, elevando para três o número de ministros destituídos em menos de dois anos, incluindo Qin Gang (Relações Exteriores) e Li Shangfu (Defesa) em 2023.

    Essa onda de punições reflete as declarações recentes de Xi Jinping, que em janeiro deste ano classificou a corrupção como a “maior ameaça para o partido comunista”.

    No setor agrícola, casos semelhantes envolveram diretores de subsídios e governadores regionais, sinalizando uma purga focada em órgãos sensíveis à segurança alimentar.

    Analistas veem o episódio como um lembrete da intolerância do regime a desvios no alto escalão, com Beijing intensificando auditorias em ministérios chave desde 2020 para garantir “lealdade absoluta”.



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