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    Ex-Lava Jato cassado por Ficha Limpa recebe quase R$ 800 mil do Novo: entenda o esquema

    — calculando —
    Deltan Dallagnol

    📷 O ex-deputado federal Deltan Dallagnol quando ainda não havia sido cassado / Foto: Pablo Valadares / Câmara dos Deputados | Arte Urbs Magna

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    10 de julho de 2026

    A empresa da família do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo-PR) recebeu R$ 382 mil do Partido Novo por meio do fundo partidário em 2025, revela a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    O caso reacende o debate sobre o uso de dinheiro público para remunerar figuras políticas fora de mandatos eletivos.

    Como tudo começou

    A história tem origem em maio de 2023, quando o TSE cassou, por unanimidade, o mandato de deputado federal de Dallagnol, eleito em 2022 pelo Podemos com a maior votação individual do Paraná.

    Segundo o relator do processo, o ministro Benedito Gonçalves, o ex-procurador pediu exoneração do Ministério Público Federal em novembro de 2021 justamente para escapar de processos disciplinares que tramitavam contra ele no Conselho Nacional do Ministério Público — manobra enquadrada na Lei da Ficha Limpa, que impede candidaturas de quem se exonera voluntariamente na pendência de sindicâncias, conforme detalhou o próprio TSE.

    Sem mandato, Dallagnol deixou o Podemos e se filiou ao Novo em setembro de 2023, passando a atuar como “embaixador” da legenda, com salário equivalente ao de um deputado federal — cerca de R$ 41,6 mil mensais à época, segundo apurou o jornalista Felipe Moura Brasil, do O Antagonista.

    A virada de 2025: de salário a contrato empresarial

    Entre 2023 e 2024, os pagamentos ao ex-procurador ocorreram como salário de dirigente partidário, somando R$ 89,7 mil no primeiro ano e R$ 365,6 mil no segundo, de acordo com levantamento do PlatôBR.

    A partir de janeiro de 2025, esse formato mudou: o Novo passou a pagar por meio de contrato de prestação de serviços firmado com a Comply Aperfeiçoamento Profissional, empresa aberta em julho de 2021 — ainda quando Dallagnol integrava o Ministério Público — e que tem como sócios o próprio ex-procurador, a esposa Fernanda Ribeiro Dallagnol e os três filhos do casal.

    O contrato prevê remuneração mensal de R$ 42,5 mil por serviços de propaganda e publicidade. Somados os valores recebidos via pessoa física e via pessoa jurídica, o total embolsado por Dallagnol desde a filiação ao Novo chega a R$ 795,3 mil, conforme o PlatôBR.

    A cifra de R$ 382 mil relativa a 2025, divulgada pela Folha, é ligeiramente superior aos R$ 340 mil apontados anteriormente pelo PlatôBR para o mesmo contrato — divergência que provavelmente reflete cortes de apuração em datas diferentes.

    A versão do partido e do ex-procurador

    A assessoria de Dallagnol afirma que ele “atua desde setembro de 2023 como embaixador nacional do Partido Novo”, com foco no fortalecimento institucional da legenda e na formação de novas lideranças.

    O Novo confirma a mesma linha, atribuindo ao ex-procurador a função de desenvolver campanhas de comunicação e engajar filiados.

    O presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, foi além e associou a atuação de Dallagnol ao crescimento do partido: de 34.421 para 81.755 filiados desde a chegada dele, alta de 137,5%, com um recorde de 1.720 novas filiações já no primeiro mês de trabalho — o melhor resultado mensal da legenda desde junho de 2019.

    A sequência dos fatos chama atenção por um contraste específico: o Novo nasceu como partido que fazia bandeira contra o financiamento público de campanhas e a favor do corte de gastos do Estado, mas alterou suas próprias regras internas em 2025 para poder usar o Fundo Partidário — o que abriu caminho para bancar, com dinheiro público, a remuneração de um dirigente cassado pela Justiça Eleitoral.

    O episódio ilustra como a fronteira entre atividade partidária remunerada e antecipação de campanha eleitoral segue pouco regulada no sistema político brasileiro, sobretudo quando o beneficiário é, ao mesmo tempo, funcionário do partido e pré-candidato ao pleito seguinte.

    FAQ rápido

    Por que o Novo paga uma empresa de Deltan Dallagnol?
    Porque, desde janeiro de 2025, o pagamento pelo trabalho de Dallagnol como “embaixador” do partido passou a ser feito via contrato com a Comply, empresa da família dele, e não mais como salário direto.

    Por que Deltan Dallagnol perdeu o mandato de deputado?
    O TSE o cassou em maio de 2023 por enquadramento na Lei da Ficha Limpa, ao concluir que ele se exonerou do Ministério Público para escapar de processos disciplinares antes da eleição de 2022.

    Quanto Dallagnol já recebeu do Novo no total?
    Cerca de R$ 795,3 mil desde a filiação, em setembro de 2023, somando salários de dirigente partidário e o contrato com a Comply.



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