Ao contrário de Flávio Dino, que chegou ao cargo máximo da Justiça brasileira, Sergio Moro ainda amargará, quando cassado, ter nas costas a lembrança popular de que foi o pior político do Brasil
O senador Sergio Moro (União Brasil-PR), que já foi juiz federal e ministro da Justiça e Segurança Pública, assim como Flávio Dino, que também era senador e agora é ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), deverá ser condenado à cassação de seu mandato político tanto no TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral) do Paraná quanto no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O maranhense foi recebido pelo presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, nesta quinta-feira (22/3), com um resumo de sua vida: “O ministro Flávio Dino é uma pessoa recebida por todos nós com imensa alegria. É um homem público que serviu ao Brasil em muitas capacidades e nos Três Poderes, como deputado federal, senador da República, governador de estado por duas vezes, ministro da Justiça. Flávio é juiz federal concursado e foi secretário no Conselho Nacional de Justiça”, disse o presidente do STF.
Moro sonhou também com o STF. Mas o ainda senador é diferente de Dino, que, mais do que o paranaense, foi gestor de seu Estado por duas vezes, além de, como mostrou seu agora colega de toga, também ter representado o CNJ.
Durante a sabatina de Flávio Dino no Senado, o ainda ministro da Justiça disse ao provável futuro senador cassado: “Eu sou uma pessoa honesta, ficha limpa. Eu fui juiz. Nunca fiz conluio com o Ministério Público. Nunca tive uma sentença anulada. E, por ter sido um juiz honesto, governador honesto, que eu não admito que alguém venha dizer que eu deva ser preso. Isso é desrespeito. Quem tem honra age assim. Repilo veementemente qualquer ofensa à minha honra”.
Em um levantamento recente, o nome de Sergio Moro é lembrado pelos pesquisados como um dos piores políticos do Brasil. Sua trajetória conhecida, e especialmente a atuação à frente da operação Lava Jato, representa o maior peso que contribui para negativar sua imagem.
No início do mês a ‘AtlasIntel‘ mostrou que o ex-juiz da Lava Jato de Curitiba, que largou a toga para trabalhar com o ex-presidente hoje inelegível Jair Bolsonaro (PL), é o político mais rejeitado pelo povo.
Agora, a tendência é que ele terá sua vida pública interrompida, o que no popular se diz “fim da linha” para Moro, que “foi candidato à presidência, fez uma pré-campanha milionária e majestosa por causa dessa pré-candidatura usando a grana de outro partido, que era o que ele estava“, diz o jornalista Tales Faria, do ‘UOL‘.
“Depois, ele saiu [do partido], resolveu ser candidato a senador e ele já tinha uma mídia muito maior, um trabalho de pré-campanha muito maior que os adversários. Por causa disso, se dá como certo que ele vai ser condenado tanto em uma instância como outra“, explica Faria, conforme a seguir:
“A ação contra a chapa de Moro foi ajuizada pelo PL e pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). O agora senador foi acusado de ter cometido abuso de poder econômico por utilizar recursos na campanha de 2022 sem declarar à Justiça Eleitoral.
Foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (22/2) a nomeação de José Rodrigo Sade para a cadeira vaga no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Paraná. Com o colegiado completo, o presidente da corte, Sigurd Bengtsson, definirá a data do julgamento que pode culminar na cassação do mandato de senador do ex-juiz.
Qualquer que seja o resultado, é possível recorrer ao TSE, que dará a palavra final. Se a decisão final for pela cassação, será realizada nova eleição para preencher a cadeira de Moro no Senado. Isso porque a ação pede a cassação da chapa eleita. Ou seja, a decisão atingiria também os dois suplentes do senador”.
