Condenado por crimes como fraude eletrônica e roubo de identidade, George Santos se entrega à justiça nesta sexta-feira (25/jul)
Brasília, 25 de julho de 2025
O ex-deputado americano George Santos, filho de brasileiros, inicia nesta sexta-feira (25/jul) o cumprimento de uma pena de sete anos e dois meses de prisão, conforme determinação da Justiça dos Estados Unidos.
Condenado em abril por crimes como fraude eletrônica, roubo de identidade, lavagem de dinheiro e desvio de recursos de campanha, Santos, de 36 anos, foi expulso do Congresso em 2023, tornando-se o sexto parlamentar na história americana a sofrer tal punição.
Ele enganou eleitores ao se apresentar como um empresário de sucesso, com passagens por grandes bancos de Wall Street, quando, na verdade, enfrentava dificuldades financeiras e processos de despejo.
Antes de sua queda, Santos recebeu, em novembro de 2023, uma comitiva de parlamentares bolsonaristas liderada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que incluiu os senadores Magno Malta (PL-ES), Jorge Seif (PL-SC) e Eduardo Girão (Novo-CE), além dos deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ), Altineu Côrtes (PL-RJ), Capitão Alberto Neto (PL-AM), Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC).
O grupo, que posou para fotos com Santos no Capitólio, alegou estar em “missão” para denunciar supostas violações de liberdade de expressão no Brasil.
O encontro, ocorrido um dia antes da divulgação de um relatório do Comitê de Ética que acusava Santos de desvio de fundos, gerou controvérsia devido às acusações criminais já enfrentadas por ele.
A trajetória de Santos é marcada por uma série de mentiras que vieram à tona após sua eleição em 2022, quando conquistou um distrito tradicionalmente democrata em Nova Iorque.
Ele falsificou informações sobre sua formação acadêmica, histórico profissional e até sua ancestralidade, alegando ser descendente de judeus sobreviventes do Holocausto. Além disso, admitiu ter roubado identidades, incluindo de familiares, para financiar sua campanha com doações fraudulentas, desviando recursos para despesas pessoais, como roupas de grife.
Essas revelações, destrinchadas por investigações do The New York Times e da promotoria, levaram à sua queda política e à sentença de 87 meses de prisão, além de multas e restituições que somam cerca de US$ 580 mil.
Apesar de ter se declarado culpado em agosto de 2024, aceitando responsabilidade por seus atos, promotores argumentaram que Santos não demonstrou remorso genuíno, apontando para comentários arrogantes nas redes sociais, onde ele chegou a chamar as investigações de “caça às bruxas”.
Em uma carta ao tribunal, ele pediu clemência, chamando a pena proposta de “severa demais”, mas a juíza Joanna Seybert, ao condená-lo, destacou a gravidade de seus crimes, que “ridicularizaram o sistema eleitoral”.
Santos também tentou capitalizar sua notoriedade, lançando um podcast chamado Pants on Fire e vendendo vídeos personalizados, mas agora enfrenta as consequências de suas ações.
Após sua condenação, Santos se despediu de apoiadores nas redes sociais com um tom sarcástico, agradecendo pelo “cabaré político” e sugerindo que “lendas nunca se despedem de verdade”.
Apesar de sua proximidade com Donald Trump, não há indícios de que ele receberá um perdão presidencial. Sua história, de ascensão meteórica a vilão da cultura pop, serve como alerta sobre as consequências de fraudes e mentiras no cenário político.
Ele cumpre sua pena, que se estende até 2032.








