Ex-conselheiro do TCE-Rio, envolvido no assassinato de Marielle e dono de postos que adultera combustível, foi eleito por ‘reputação ilibada’ e afastado em 2017 por corrupção, mas ainda recebe R$ 35 mil todos os meses sem fazer nada

01/10/2019 2 Por Redação Urbs Magna

A trajetória de Domingos Brazão –conselheiro do Tribunal de Contas do Rio denunciado pela Procuradoria-Geral da República por envolvimento no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes– é um exemplo, entre tantos, de como se fabricam políticos no Brasil.


Dono de uma rede de postos de gasolina investigada por adulteração de combustíveis e sonegação fiscal, em 1996 Brazão se elegeu vereador. Dois anos depois, deputado estadual, função que exerceu por 17 anos.



Apadrinhado por Jorge Picciani –capo do PMDB fluminense por mais de uma década, hoje condenado a 21 anos de prisão–, seu curral eleitoral espalhava-se pela zona oeste, em bairros pobres e dominados por grupos paramilitares. Como se sabe, muitas vezes a milícia não é um poder paralelo, mas o próprio Estado. 



Em 2015, mais uma jogada: com a ajuda de Picciani e do ex-governador Sérgio Cabral, entrou para o Tribunal de Contas. Recebeu 61 dos 66 votos na Assembleia Legislativa. Entre os pré-requisitos para concorrer ao cargo vitalício consta “reputação ilibada”, além de conhecimentos jurídicos e técnicos. Antes da eleição, Brazão tinha conseguido outra vitória: o Tribunal de Justiça havia rejeitado por maioria de votos a queixa-crime contra ele feita pela deputada Cidinha Campos. Em 2014, durante um bate-boca na Alerj, Brazão chamou Cidinha de “puta” e “vagabunda”.

Em 2017, a casa caiu: Brazão e mais quatro conselheiros foram presos por corrupção na Operação Quinto do Ouro. Nove dias depois, estava solto. Desde então afastado do TCE, continua recebendo sem trabalhar. O salário? Em setembro, mais R$ 35 mil.

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