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Ex-comandantes detalham reuniões e complicam ministro da Defesa de Bolsonaro sobre trama golpista

    Jair Bolsonaro entre os generais Paulo Sérgio Nogueira e Marco Antônio Freire Gomes em foto de Cristiano Mariz / 25-08-2022 / O Globo

    Freire Gomes e Carlos de Almeida Baptista Júnior relataram à PF a participação de Paulo Sérgio Nogueira em ao menos duas reuniões, uma delas convocada pelo ex-presidente

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    Os depoimentos à Polícia Federal dos ex-comandantes das Forças Armadas, General Freire Gomes (Exército) e o Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Júnior (Aeronáutica) comprometeram outro general que atuou no governo do ex-presidente derrotado nas urnas em 2022 e posteriormente declarado inelegível, Jair Bolsonaro (PL).

    O ex-ministro da Defesa, General Paulo Sérgio Nogueira, agora também se complicou na trama golpista que visava impedir a posse do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Bolsonaro e Nogueira estão sendo investigado no âmbito da operação ‘Tempus Veritatis‘. Durante o ato na Avenida Paulista, o ex-presidente fez um apelo para deputados e senadores para o apoio a um projeto de anistia para os presos pelos ataques de 8 de janeiro às sedes dos Três Poderes.

    Alguns enxergam o pedido feito aos deputados bolsonaristas presentes no ato, como Gustavo Gayer, Marco Feliciano e Nikolas Ferreira, como um meio de beneficiar a si mesmo ante a probabilidade de ser condenado e preso como idealizador do plano contra o estadista, “demostrando o medo que ele está de ir para o xilindró“, como escreveu o jornalista Leonardo Sakamoto, após a manifestação.

    Sob a justificativa de “pacificar” o país, ele tenta convencer a turma que faltou às aulas de História que o melhor é um arranjo para não puni-lo pelos crimes que cometeu“, emenda Sakamoto. “O cidadão Jair Bolsonaro precisa ser denunciado, processado, julgado e punido, com todo o direito à defesa. Se ele quiser realmente fortalecer o Estado Democrático de Direito, mote cínico da manifestação” do dia 25 de fevereiro, “não deveria tentar impedir o curso da Justiça. De novo“.

    Freire Gomes e Carlos de Almeida Baptista Júniorrelataram aos investigadores a participação de Nogueira em ao menos duas reuniões onde temas relativos a um golpe de Estado foram debatidos“, observa outra jornalista, Bela Megale. “Um dos encontros foi convocado por Bolsonaro com os comandantes das Forças“.

    Os dois depoentes “confirmaram não só a realização da reunião, mas também a presença de Nogueira, então ministro da Defesa“, com quem tiveram “outro encontro com o Nogueira, desta vez sem a presença de Bolsonaro, no qual foi abordada a mesma trama golpista. Essa reunião aconteceu no Ministério da Defesa“.

    Outro ponto explorado nos depoimentos foi a “cadeia de comando” das Forças Armadas, já que o general e o brigadeiro estavam submetidos ao então ministro da Defesa“, argumenta Megale.

    O General Paulo Sérgio Nogueira é um dos investigados no inquérito que apura a tentativa de golpe arquitetada, segundo a PF, por Bolsonaro, integrantes de seu governo e militares. Ele chegou a ser alvo de buscas no mês passado e convocado para um interrogatório, mas se manteve em silêncio”.

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