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Ex-comandante do Exército Freire Gomes liga minuta golpista da casa de Anderson Torres a Bolsonaro

    O militar prestou depoimento por 7 horas à Polícia Federal no início de março e envolveu diretamente o ex-presidente, que vai ficando cada vez mais sem saída

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    O ex-comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, afirmou à PF (Polícia Federal) que a minuta encontrada na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, é a mesma versão apresentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aos chefes das Forças Armadas em uma reunião em dezembro de 2022.

    O militar confirmou que o conteúdo da minuta de decreto foi exposto a ele nas reuniões e deixou evidenciado a Bolsonaro e ao ministro da Defesa que o Exército não aceitaria qualquer ato de ruptura institucional.

    O texto revela que Anderson Torres está ligado à trama golpista investigada pela PF em torno do fim do governo Bolsonaro. Ele apresentou o texto aos comandantes das Forças Armadas em duas ocasiões, participou de reuniões onde o golpe de Estado foi discutido e explicou o “suporte jurídico para as medidas que poderiam ser adotadas“, diz o relatório do depoimento, conforme transcrição na ‘Folha de S. Paulo‘.

    Os defensores das medidas golpistas usaram interpretações do jurista Ives Gandra da utilização das F.A. como Poder Moderador, com base no artigo 142.

    O depoimento ocorreu em 1º de abril e durou aproximadamente 7 horas. O depoente foi testemunha e confirmou que recebia mensagens do tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro, para acompanhar discussões golpistas no Palácio da Alvorada. Gomes admitiu ter recebido áudios que mostravam as visitas recebidas pelo então presidente e seu estado de espírito em relação às medidas discutidas.

    Freire Gomes recebeu informação de Cid de que Pazuello se encontrou com Bolsonaro após as eleições. Há menção a um áudio em que Pazuello teria dado sugestões a Bolsonaro relacionadas ao art. 142.

    Freire Gomes declarou à PF que Pazuello já estava na reserva e eleito deputado, sem possibilidade de influenciar as Forças Armadas e que sugeriu a Cid deixar a ajudância de ordens de Bolsonaro antes do processo eleitoral.

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