Jorge Guaranho invadiu festa de aniversário sob o tema Lula, de Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu, em julho de 2022, e tirou a vida do guarda municipal gritando o nome do ex-presidente, segundo relataram testemunhas
O ex-policial penal Jorge Guaranho, que matou o guarda municipal Marcelo Arruda durante sua festa aniversário temática de Lula no ano de 2022, em Foz do Iguaçu, dando tiros aos gritos de “Bolsonaro” e “mito“, segundo relataram testemunhas, foi liberado com habeas corpus nesta quinta-feira (12/09) para prisão domiciliar, com monitoramento via tornozeleira eletrônica.
O assassino cumpria pena no Complexo Médico Penal, no município de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba – capital do Paraná. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (12/9) pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça daquele estado.
A prisão domiciliar foi solicitada para que o réu possa realizar tratamento de saúde, disse o advogado de defesa, Samir Mattar Assad, que ressaltou que a decisão da Corte reconheceu “a urgência no atendimento médico do nosso cliente, que sofreu graves sequelas desde sua prisão“, disse, conforme transcrito no UOL.
Mattar disse também que “Jorge Guaranho agora poderá realizar o devido tratamento em sua residência, acompanhado por seus familiares, enquanto segue monitorado eletronicamente. Tal medida visa preservar sua integridade física, assegurando ao mesmo tempo que ele continue à disposição da Justiça“.
O escritório de a advocacia que representa a acusação contra Guaranho emitiu nota em que afirma que “a família da vítima já não suporta tamanho sofrimento, seja pela ausência de Marcelo, ou, ainda, por não ver o seu assassino cumprindo pena pelo crime tão brutal que decidiu praticar“.
Os advogados Rogério Oscar Botelho e Alessandra Raffaelli Boito acrescentaram que “o que fica, nesta tarde, é o sentimento de muita tristeza por precisar acalmar a família de Marcelo, absolutamente devastada pela notícia. Neste momento, esta assistência de acusação espera que o réu cumpra as condições impostas pelo Tribunal de Justiça e não tente se furtar ao cumprimento de futura pena“.
E concluiu que espera “que o réu compareça à sessão do Tribunal do Júri designada para os dias 11, 12 e 13 de fevereiro de 2025. Por fim, frise-se que a decisão do Tribunal de Justiça limitou-se à segregação cautelar do acusado, não havendo qualquer influência no mérito de seu futuro julgamento pelo Tribunal do Júri, continuando a crer, esta assistência de acusação, na efetiva condenação do réu por homicídio qualificado“.
No dia 5 de agosto,, a juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler, da 1ª Vara Privativa do Tribunal do Júri do Foro Central de Curitiba, remarcou o Juri popular para a data citada pelos advogados de acusação. No ano que vem, ao menos 12 pessoas serão ouvidas como testemunhas.
O Ministério Público do Paraná vai pedir condenação por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e perigo comum. Ao denunciar o ex-policial penal Jorge Guaranho, a Promotoria viu como motivação fútil a “preferência político-partidárias antagônicas dos envolvidos” e disse que o réu colocou a vida de outras pessoas em risco ao atirar.
Segundo a denúncia do MP, Guaranho disse que “petista vai morrer tudo” antes de atirar em Marcelo Arruda, que comemorava o seu aniversário de 50 anos, em julho de 2022. Na ocasião, o aniversariante, que também estava armado, revidou os tiros, mas não sobreviveu.
A assistência da acusação informou que continua com a plena convicção de que o réu Jorge Guaranho será condenado. “Assim como acreditávamos na absoluta imparcialidade dos jurados de Foz do Iguaçu, também confiamos na imparcialidade, na integridade e no senso de justiça dos jurados de Curitiba“, diz nota enviada pelo escritório Botelho e Raffaelli Boito Advocacia, representado pelos advogados Rogério Oscar Botelho e Alessandra Raffaelli Boito.
A defesa de Jorge Guaranho informou que ele foi “injustamente acusado” de assassinato político. “Desde o início, buscamos garantir um julgamento justo, conforme a lei. Estamos preparados para apresentar os fatos de maneira clara e objetiva, longe de narrativas políticas“, diz nota enviada pelo advogado Samir Mattar Assad.
Marcelo Arruda era casado e tinha quatro filhos. Ele era diretor do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz, tesoureiro do PT municipal e havia sido candidato a vice-prefeito. Era casado e tinha quatro filhos – entre eles uma menina de seis anos e um bebê de apenas um mês.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, demitiu o policial penal, que foi exonerado por três infrações disciplinares. Em nota, a parta esclareceu que a demissão se deu pelo uso de recurso material da repartição em atividade particular, pela prática de ato de improbidade administrativa e pela e incontinência pública. Guaranho usou sua arma profissional para cometer o crime.
Um acordo garantiu o pagamento de indenização à família de Marcelo. Em fevereiro deste ano, a AGU (Advocacia-Geral da União) informou que vai garantir o pagamento de indenização no valor de R$ 1,7 milhão à companheira e aos quatro filhos de Marcelo Arruda.
O acordo considerou que, entre outros fatores, o autor do crime se valeu da condição de agente público para acessar o local da festa e efetuar o disparo utilizando uma arma de propriedade da União.
