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Alexandre Padilha recebe visto dos EUA para compromissos internacionais

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    O ministro
    O ministro da Saúde ALEXANDRE PADILHA brinca com o PRESIDENTE LULA de dentista durante evento para entrega de 400 novas unidades odontológicas móveis em Sorocaba (SP) / Foto: Ricardo Stuckert


    Ministro da Saúde garante acesso a compromissos globais em Nova York e Washington, aliviando preocupações diplomáticas recentes entre Brasil e administração norte-americana



    Brasília, 18 de setembro de 2025

    Os Estados Unidos finalmente concederam o visto diplomático ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, permitindo sua participação em eventos internacionais de alto nível programados para a próxima semana.

    A decisão, anunciada nesta quinta-feira (18/set), chega após semanas de impasse e críticas ao governo de Donald Trump, que havia suspendido vistos de familiares e aliados do ministro em retaliação ao programa Mais Médicos.

    O documento, do tipo G2 – destinado a funcionários governamentais estrangeiros em missões temporárias –, foi liberado pela Embaixada dos EUA em Brasília, conforme apurado por fontes do Itamaraty.

    Padilha, que comandava o Ministério da Saúde em 2013 durante a criação do Mais Médicos – iniciativa que trouxe médicos cubanos para áreas remotas do Brasil –, tornou-se alvo de sanções americanas em agosto.

    Na ocasião, o governo Trump revogou os vistos de sua esposa e de sua filha de 10 anos, além de outros servidores como o secretário Mozart Júlio Tabosa Sales e o ex-assessor Alberto Kleiman.

    Embora o visto pessoal de Padilha já estivesse vencido desde 2024, a proibição de renovação gerou preocupações sobre sua presença na comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, a partir do dia 23 de setembro, e no encontro da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em Washington.

    O pedido formal pelo visto foi encaminhado pelo Itamaraty no dia 19 de agosto, mas o processamento se arrastou, criando um clima de incerteza a apenas dias dos eventos. Em coletiva de imprensa na quarta-feira (17/set), Padilha minimizou o episódio com bom humor, declarando: “Tô nem aí”, em referência à música da cantora Luka, e adicionando que “Vocês estão mais preocupados com o visto do que eu“.

    O ministro enfatizou que sua prioridade é acompanhar a votação no Congresso Nacional da Medida Provisória que institui o programa Agora Tem Especialistas, mas indicou que tentará conciliar as agendas.

    Ele ainda não confirmou a viagem, priorizando compromissos domésticos.

    A concessão do visto a Padilha não é isolada: neste mês, os EUA também liberaram autorizações para os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Ricardo Lewandowski (Justiça), que enfrentaram suspensões semelhantes de vistos comuns, mas receberam permissões especiais para agendas oficiais.

    Essa reversão, atribuída a pressões diplomáticas do Itamaraty e a acordos internacionais como o de sede da ONU de 1947 – que obriga os EUA a facilitar a entrada de delegações estrangeiras –, sinaliza uma trégua temporária nas hostilidades.

    No entanto, analistas apontam que as sanções iniciais visavam punir o Brasil por supostamente “enriquecer” o regime cubano via Mais Médicos, em meio a críticas de Trump ao julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    De acordo com reportagem da colunista Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, a negativa inicial agravaria as fricções entre as gestões de Lula e Trump, que tem multiplicado ataques ao Brasil sob pretextos variados.

    Apesar da liberação, Padilha chamou Trump de “inimigo da saúde” em reação às suspensões de agosto, reforçando o tom crítico do governo brasileiro.

    O ministro alfinetou opositores como o deputado Eduardo Bolsonaro – exilado nos EUA e acusado de lobby contra o Brasil –, afirmando que “Só fica preocupado com visto quem quer sair do Brasil ou fazer lobby de traição da pátria”.

    A expectativa é de que Padilha consiga participar, garantindo a representação brasileira em discussões cruciais sobre saúde global.

    Essa vitória diplomática ocorre em um momento sensível, com o Brasil se preparando para a COP30 em 2025 e buscando parcerias internacionais em meio a tarifas e retaliações comerciais impostas por Trump.

    Resta aguardar se o ministro embarcará, mas o visto liberado já representa um passo adiante nas relações Brasil-EUA.



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