Acordo comercial entre Washington e Brasília alivia sobrecargas impostas por Trump, impulsionando exportações agrícolas e estabilizando preços nos supermercados americanos em meio a negociações bilaterais intensas
Brasília, 14 de novembro 2025
O presidente Donald Trump assinou nesta sexta-feira (14/nov) uma ordem executiva que isenta produtos agrícolas brasileiros chave das tarifas recíprocas impostas ao longo do ano.
A medida, com efeito retroativo a partir de 13 de novembro, beneficia diretamente exportadores do Brasil, aliviando uma sobrecarga de até 50% sobre itens como café, carne bovina, bananas, laranjas, tomates, açaí e outras frutas tropicais.
Anunciada pela Casa Branca como uma estratégia para fortalecer a economia e a segurança nacional, a decisão surge em meio a pressões inflacionárias nos Estados Unidos, onde os preços de alimentos básicos dispararam, forçando ajustes na política protecionista de Trump.
Ironicamente, a ordem de Trump coincide com a data em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro se tornou réu no STF (Supremo Tribunal Federal), após a Primeira Turma da Corte aceitar denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), que o acusa de coação na trama golpista.
O decreto modifica o escopo das tarifas inicialmente anunciadas em 2 de abril, quando Trump impôs uma taxa global de 10% sobre importações, elevando-a para o Brasil em uma sobretaxa adicional de 40% a partir de agosto.
Essa escalada, que elevou o custo total para 50% em muitos setores, foi justificada pelo governo americano como resposta a práticas comerciais injustas e preocupações com a segurança nacional, incluindo críticas à perseguição judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe em 2022.
No entanto, o impacto econômico foi imediato: as exportações brasileiras de café para os EUA caíram mais de 50% nos últimos meses, enquanto o preço médio do produto subiu 40% no mercado norte-americano, beneficiando concorrentes como Honduras e Vietnã.
Para contextualizar, essa redução não surge do vácuo. Em julho de 2025, Trump declarou uma emergência nacional contra o Brasil, impondo as tarifas de 50% explicitamente ligadas à caça às bruxas contra Bolsonaro e a suposta censura promovida pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro, incluindo sanções ao ministro Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky.
O Senado dos EUA, em um raro gesto bipartidário, aprovou em 28 de outubro um projeto de lei para anular essas medidas, com apoio de republicanos como Mitch McConnell e democratas como Tim Kaine, argumentando que as tarifas elevam o desemprego, a inflação e reduzem o crescimento econômico – impactos estimados em US$ 410 bilhões em perdas comerciais bilaterais.
Historicamente, as relações comerciais entre os dois países já enfrentaram atritos semelhantes: durante o primeiro mandato de Trump, tarifas sobre aço e alumínio brasileiros em 2018 foram revertidas após negociações, preservando um fluxo de US$ 164 bilhões em exportações agrícolas brasileiras em 2024, com os EUA como terceiro maior destino.

O turning point veio de diplomacia ativa. Após um encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Trump na Malásia em outubro, durante a cúpula da ASEAN, os líderes sinalizaram otimismo para um acordo provisório.
Trump, em entrevista à Fox News em 12 de novembro, mencionou explicitamente a redução de tarifas sobre café para ter algum café entrando.
Na quinta-feira (13/nov), o chanceler brasileiro Mauro Vieira reuniu-se com o secretário de Estado Marco Rubio em Washington, delineando um mapa do caminho para negociações que poderiam durar dois a três meses, com foco em minerais críticos, etanol e açúcar.
Vieira destacou que não existem temas proibidos, propondo suspensão temporária das tarifas, similar aos pactos com México e Canadá sob o USMCA. No Brasil, a recepção é de alívio contido.
O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), em nota, celebrou a isenção, mas questiona se abrange apenas os 10% iniciais ou a totalidade de 50%, afirmando estar em contato com pares americanos para analisar cuidadosamente o cenário.
Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), por meio de seu presidente Roberto Perosa, vê a medida como sinalização positiva, reforçando a qualidade e regularidade da carne brasileira – o segundo maior mercado para o setor, atrás apenas da China.
Perosa estima que os EUA absorveram 65% mais volume de carne bovina brasileira em 2024, mas o tarifaço freou o ímpeto; agora, espera-se recuperação para volumes adequados.
Do lado americano, a motivação é pragmática: com a inflação alimentar pressionando a agenda de Trump – que enfrenta críticas por elevar custos em até 40% para itens básicos – a ordem executiva é vendida como alívio ao consumidor, isentando produtos onde a produção interna é insuficiente.
O Escritório de Orçamento do Congresso já alertava em setembro que as tarifas globais reduziriam o PIB em 0,5% e adicionariam 1,2 ponto percentual à inflação. Paralelamente, acordos com rivais brasileiros, como Equador (bananas) e Guatemala (café), foram firmados em 13 de novembro, com tarifas de 10-15%, intensificando a competição mas também acelerando concessões ao Brasil.
Olhando adiante, especialistas preveem que essa flexibilização pavimente um pacto mais amplo, potencialmente elevando as exportações brasileiras em US$ 5-7 bilhões anuais para os EUA, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No entanto, o Brasil excluiu 44,6% de suas exportações do tarifaço original – como aviões da Embraer, celulose e petróleo – mantendo-as sob os 10% iniciais, o que sugere que a batalha comercial persiste em setores industriais.
Enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin coordena respostas via Comitê Interministerial, empresas americanas como Amazon, Coca-Cola e GM já declararam apoio a negociações que evitem retaliações, temendo impactos em 3,2 milhões de empregos no Brasil ligados a exportações.
Essa reviravolta não só injeta otimismo no agronegócio brasileiro, mas reforça a interdependência econômica entre as duas maiores democracias do Ocidente, como enfatizou Lula em call amigável com Trump em outubro: uma chance para restaurar os laços de 201 anos.
Para produtores em Minas Gerais (café) e Mato Grosso (carne), o retroativo significa reembolsos parciais e contratos renovados; para consumidores em Nova York ou Los Angeles, café mais acessível nas prateleiras.
Em um ano de volatilidade global, essa é uma vitória diplomática que equilibra protecionismo com pragmatismo – e pode redefinir o tabuleiro comercial para 2026.
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Jogada de mestre, Xi Jim Pin retaliou o tarifaço do Trump e esperou que o Lula fizesse o mesmo. E foi surpreendido com a manobra do Brasil buscar parceiros comerciais com outros países.
É mais importante escoar a produção brasileira, do que medir forças com o tarifaço injusto dos EUA.
Lula é o cara! 🎊🎊🎊
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