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    Tarifa dos EUA sobe para 37,5%: Brasil vai à OMC contra nova sobretaxa de Trump

    — calculando —
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    Donald Trump e Lula

    📷 O presidente dos EUA, Donald Trump / Foto: Anna Moneymaker/Getty Images | O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) / Foto: Ton Molina/Getty Images |•| Arte Urbs Magna

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF) / Washington (US)
    24 de julho de 2026

    Os Estados Unidos impuseram, nesta quinta-feira (23/jul), uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, elevando a sobretaxa total para parte das exportações do país a até 37,5%.

    O governo Lula classificou a medida como arbitrária, negou as acusações que a motivaram e anunciou recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

    O que os EUA anunciaram

    A decisão partiu do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), sob determinação do presidente Donald Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

    Segundo o USTR, a medida atinge 60 economias e a União Europeia, aplicando 10% aos países considerados “cumpridores” na proibição de importação de bens ligados a trabalho forçado, e 12,5% aos demais — grupo em que o Brasil foi enquadrado, ao lado de China, Índia, Japão, Reino Unido e Rússia.

    A nova sobretaxa entrou em vigor à 0h01 desta sexta-feira (24/jul), no horário de Washington, e se soma ao tarifaço de 25% já em vigor desde quarta-feira (22/jul) — este último originado de uma investigação distinta, também sob a Seção 301, sobre práticas como o tratamento dado ao Pix e a propriedade intelectual brasileira. Juntas, as duas tarifas elevam a sobretaxa total incidente sobre parte das exportações do Brasil a até 37,5%, conforme detalhou a SpaceMoney.

    Em nota oficial reproduzida no próprio site do USTR, o representante comercial Jamieson Greer afirmou que a falha de parceiros comerciais em coibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado é “inaceitável” e força trabalhadores americanos a competir em condições desiguais.

    A crítica de um think tank americano

    Nem toda a leitura dentro dos Estados Unidos endossa a justificativa oficial.

    O Peterson Institute for International Economics (PIIE), centro de estudos econômicos americano, publicou análise afirmando que a disputa “não é sobre trabalho forçado”, e sim sobre o uso de qualquer instrumento legal disponível para intensificar a guerra comercial e isolar o Brasil especificamente, segundo apurou o próprio PIIE.

    O instituto observa que o relatório do USTR nunca examina, de fato, as condições de trabalho na produção ou nas importações brasileiras.

    A resposta do governo brasileiro

    O Palácio do Planalto classificou a tarifa como “completamente arbitrária e injustificada” e afirmou que o Ministério do Trabalho e Emprego já havia enviado ao USTR documentação detalhada sobre a legislação e a fiscalização brasileiras contra o trabalho forçado — material que, segundo o governo, não foi considerado na decisão americana.

    Em nota, o governo destacou que o Brasil mantém 66 convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ante apenas dez ratificadas pelos próprios Estados Unidos — argumento também usado para questionar a legitimidade da cobrança.

    A nota do Planalto acusa o USTR de “manipular tema caro aos direitos humanos” para mascarar a ausência de base legal interna para sua política protecionista.

    O Executivo brasileiro anunciou que vai acionar imediatamente os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levar o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC, segundo confirmou a TVT News.

    O episódio se encaixa em uma sequência mais ampla de fricção comercial entre os dois países, iniciada em 2025 com a tarifa de 50% ligada por Trump ao julgamento de Jair Bolsonaro.

    A diferença central é que, desta vez, a justificativa formal migrou do terreno estritamente político para um pretexto técnico — o combate ao trabalho forçado —, o que, segundo a leitura do próprio PIIE, torna mais difícil isolar politicamente a medida, mas não muda o efeito prático sobre a economia brasileira: mais uma camada de sobretaxa, empilhada sobre tarifas já em vigor.

    FAQ rápido

    Qual é a nova tarifa dos EUA sobre o Brasil?
    12,5% adicionais, que somados aos 25% já em vigor desde 22 de julho, elevam a sobretaxa total a até 37,5% para parte das exportações brasileiras.

    Qual foi a justificativa oficial dos EUA?
    O USTR alega que o Brasil falha em proibir e fiscalizar efetivamente a importação de bens produzidos com trabalho forçado.

    O que o governo brasileiro vai fazer?
    Acionar a Lei de Reciprocidade Econômica e levar o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC, além de negar formalmente as acusações dos Estados Unidos.

    Atualização: O USTR ainda não respondeu publicamente às alegações do governo brasileiro sobre as 66 convenções da OIT cumpridas pelo país.



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