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    EUA também tacharam outros países “parceiros”, mas por que “sobrou” para o Brasil? As alegações da USTR

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    O senador Flávio Bolsonaro no Salão

    📷 O senador Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump | O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Ao fundo, a fachada da Organização Mundial do Comércio, em Genebra, na Suíça | Montagem / arte Urbs Magna

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    04 de junho de 2026

    Em uma escalada sem precedentes na guerra comercial iniciada no primeiro mandato de Donald Trump, o governo norte-americano anunciou, nos dias 1º e 2 de junho de 2026, um pacote coordenado de tarifas que atinge 60 economias em diferentes níveis.

    As medidas expõem uma estratégia dual da administração republicana: de um lado, uma investigação específica contra o Brasil que resultou na proposta de tarifa de 25% sobre a totalidade dos produtos brasileiros; de outro, uma investigação abrangente sobre trabalho forçado que propõe tarifas de 10% a 12,5% para outras 59 economias, das quais o Brasil também faz parte.

    O Brasil ocupa uma posição única e desfavorável nesse novo tabuleiro comercial: é o único país que pode ser taxado em duas frentes distintas e com alíquotas diferenciadas.

    A primeira frente é o processo seletivo do "tarifaço do trabalho forçado", que propõe 12,5% para o país, por ser considerado omisso na proibição de importação de produtos feitos com trabalho escravo.

    A segunda, e mais gravosa, é uma investigação própria que acusa o país de seis práticas consideradas "irrazoáveis" e gerou a proposta de uma tarifa adicional de 25%, que se somaria à primeira.

    AS DUAS INVESTIGAÇÕES E A POSIÇÃO ÚNICA DO BRASIL

    O governo Trump utilizou dois instrumentos distintos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para justificar as novas barreiras. A Seção 301 é um dispositivo que autoriza o Representante de Comércio dos EUA (USTR) a investigar políticas de governos estrangeiros consideradas injustas, irrazoáveis ou discriminatórias e que onerem ou restrinjam o comércio americano.

    A lei permite a aplicação de tarifas mesmo que as práticas não violem necessariamente acordos internacionais, o que a torna uma ferramenta poderosa e controversa.

    1.1 A Investigação Geral sobre Trabalho Forçado (60 economias)

    Iniciada em 12 de março de 2026, esta investigação teve como alvo as economias responsáveis por 99,4% de todas as importações dos Estados Unidos.

    O argumento central do USTR é que a grande maioria dos parceiros comerciais americanos falha em impor e fazer cumprir efetivamente uma proibição à importação de produtos fabricados, no todo ou em parte, com trabalho forçado.

    Em seu relatório final, divulgado em 2 de junho, o USTR classificou os países investigados em duas grandes categorias:

    Países que falharam em impor QUALQUER proibição (54 economias):
    Para o USTR, estas nações não possuem sequer uma lei que proíba a entrada de produtos feitos com trabalho forçado.

    A lista inclui potências globais como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Austrália, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Israel, Brasil, Vietnã, Cingapura, Suíça e Hong Kong .

    A investigação afirma que a Índia, por exemplo, "não implementou e não faz cumprir efetivamente uma proibição".

    Países que falharam em FAZER CUMPRIR efetivamente a proibição (6 economias):
    Esta categoria abrange nações que possuem legislação proibindo a importação de produtos de trabalho forçado, mas que, na avaliação do USTR, não aplicam a lei de forma efetiva.
    São elas: Canadá, Equador, União Europeia (bloco de 27 países), Indonésia, México e Paquistão.

    A consequência prática dessa classificação foi a proposta de dois níveis tarifários :

    Tarifa de 10%:
    Proposta para os 6 países que falharam na aplicação efetiva. A esta lista, o USTR acrescentou outros 10 países que, segundo a investigação, assumiram compromissos formais com os EUA (via Acordos de Comércio Recíproco) para implementar a proibição, como Argentina, Bangladesh, Camboja, El Salvador, Guatemala, Malásia e Taiwan, ou que já possuem um regime parcial, como o Reino Unido.

    Tarifa de 12,5%:
    Proposta para as outras 44 economias que não possuem legislação alguma e não assumiram compromissos públicos com os EUA. Nesta lista estão a China, a Índia, o Japão e a quase totalidade das nações investigadas.

    A Investigação Específica contra o Brasil (Tarifa de 25%)
    Paralelamente à investigação geral, os EUA conduziram, desde julho de 2025, uma investigação aprofundada e exclusiva sobre as práticas comerciais do Brasil. Em 1º de junho de 2026, o USTR concluiu que o país cometeu seis "atos, políticas e práticas irrazoáveis ou discriminatórias", que justificariam uma ação retaliatória específica: a proposta de uma tarifa de 25% sobre a totalidade dos produtos brasileiros.

    O relatório do USTR detalha as seis acusações:

    1. Comércio Digital e Serviços de Pagamento Eletrônico:
    A principal queixa dos EUA reside na atuação do Judiciário brasileiro. O relatório alega que tribunais brasileiros emitiram "ordens secretas" direcionando empresas de mídia social americanas (X, Meta e Google) para remover conteúdo político e suspender perfis de residentes dos EUA, em alguns casos globalmente, proibindo as plataformas de divulgar essas ordens.

    A investigação também critica o sistema de pagamentos instantâneos Pix, controlado pelo Banco Central do Brasil. O USTR argumenta que o Banco Central atua como "regulador e proprietário/operador do Pix, criando um conflito de interesses" ao favorecer o sistema nacional em detrimento de concorrentes americanos.

    2. Tarifas Preferenciais Injustas:
    Os EUA apontam que o Brasil mantém acordos de preferência tarifária com México e Índia que reduzem tarifas de importação para setores em que estes países são produtores globais avançados, afetando a competitividade dos produtos americanos. O relatório cita o setor automotivo: em 2025, o Brasil importou US$ 1,8 bilhão em veículos e peças do México (com tarifa zero), contra US$ 1,0 bilhão dos EUA (com tarifas de 14% a 35%).

    3. Fiscalização Anticorrupção:
    O relatório afirma que o Brasil "falhou e continua falhando em tomar medidas de fiscalização suficientes para combater suborno e corrupção", citando a anulação de evidências da Operação Lava Jato pelo ministro do STF Dias Toffoli e a lentidão dos processos judiciais.

    4. Proteção da Propriedade Intelectual:
    O Brasil é classificado como um país que não consegue fazer cumprir suas leis criminais e regulamentações alfandegárias para lidar com a entrada de produtos falsificados. O relatório também critica o "período de tempo irrazoável" que o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) leva para examinar pedidos de patente, particularmente na área biofarmacêutica, citando uma média de até 63,6 meses.

    5. Acesso ao Mercado de Etanol:
    O USTR alega que, em 2017, o Brasil abandonou abruptamente seu tratamento tarifário equilibrado anterior para o etanol. Desde então, uma tarifa de 18% foi reinstituída, reduzindo as exportações americanas de etanol em 87% em relação ao pico de 2018 (de US$ 761 milhões para US$ 96 milhões).

    6. Desmatamento Ilegal:
    Apesar de reconhecer a existência de leis, a investigação conclui que o Brasil falhou historicamente em fazer cumprir sua estrutura legal de combate ao desmatamento ilegal, citando a prevalência de fraudes no setor madeireiro e a conversão de florestas primárias em pastagens, o que, segundo os EUA, cria uma vantagem competitiva artificial para produtos agrícolas brasileiros.

    MECANISMOS, EXCEÇÕES E O PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO

    As tarifas propostas não incidirão sobre a totalidade dos produtos. O USTR publicou um anexo extenso (Anexo A) com uma lista de exceções. As principais são:

    Produtos já sujeitos a tarifas da Seção 232 (aço, alumínio, madeira, cobre);
    Materiais considerados críticos e com oferta doméstica insuficiente nos EUA (como alguns minerais);
    Bens de países do USMCA (Canadá e México) que atendem às regidas de origem do acordo;
    Têxteis e vestuário de países do CAFTA-DR (Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua);
    Materiais informacionais (livros), doações e bagagens acompanhadas.

    Para o Brasil, a lista de exceções na investigação específica de 25% é diferente e inclui principalmente produtos agropecuários como carne bovina in natura e congelada, café, milho, algodão, soja, frutas e sucos, além de produtos farmacêuticos e componentes para aeronaves.

    Um mecanismo especial foi proposto para o setor de têxteis e vestuário. O USTR sugere que uma quantidade limitada de importações desses setores possa entrar nos EUA com uma tarifa reduzida. O volume dessa cota estaria vinculado à quantidade de têxteis e algodão que os EUA exportam para aquele parceiro comercial.

    Nenhuma das tarifas está em vigor imediatamente. O USTR abriu um período de consulta pública que se estende até 6 de julho de 2026. Audiências públicas estão marcadas para 7 de julho. A data final para a decisão sobre as tarifas é 15 de julho de 2026. A expectativa é que as novas tarifas da Seção 301 substituam as atuais tarifas de 10% impostas sob a Seção 122, que expiram em 24 de julho.

    O CONTEXTO ESQUECIDO: A DERROTA DE TRUMP NA OMC E A ESTRATÉGIA DE CONTORNO

    Há um elemento crucial que ajuda a explicar o timing e a natureza das novas tarifas, e que ficou de fora da cobertura inicial: a administração Trump está, na prática, contornando uma derrota judicial na Organização Mundial do Comércio (OMC) ocorrida semanas antes.

    Um painel de solução de controvérsias da OMC decidiu, em caráter final, que as tarifas da Seção 301 impostas pelos EUA contra a China durante o primeiro governo Trump violavam as regras do comércio multilateral.

    A decisão representou um revés significativo para Washington, pois atacava diretamente a legalidade do instrumento que o governo republicano mais utiliza para impor tarifas unilateralmente.

    A consequência prática da decisão da OMC é que qualquer nova tarifa imposta sob a Seção 301 — incluindo as propostas contra o Brasil e os outros 60 países — enfrentaria imediatamente o mesmo questionamento legal. Mais do que isso: a decisão criou um precedente jurídico que fragiliza a defesa americana em futuras disputas.

    A estratégia da Casa Branca, então, foi dupla.

    Primeiro, acelerar ao máximo o processo de novas investigações e a proposição de tarifas, para que elas sejam implementadas antes que a decisão da OMC contra a China possa ser utilizada por outros países como jurisprudência em contestações próprias.

    Segundo, diversificar as justificativas: enquanto o caso contra a China focava em subsídios e propriedade intelectual, as novas investigações contra o Brasil usam argumentos novos (como o Pix e as ordens judiciais) e contra os outros 60 países usam o combate ao trabalho forçado, um tema com apelo moral que, na visão de Washington, poderia blindar politicamente as medidas.

    Como observou o ex-diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, em entrevista ao Valor Econômico, as tarifas propostas ao Brasil são "essencialmente uma decisão política interna dos EUA", ligada à reestruturação de sua economia doméstica, e não uma resposta a práticas comerciais injustas do país.

    A decisão da OMC contra a China apenas confirmou para o governo Trump que o multilateralismo não lhe serve mais como ferramenta — e que o caminho é aprofundar o unilateralismo, mesmo que às custas da legalidade internacional.

    REAÇÕES GLOBAIS E O QUESTIONAMENTO DA LEGALIDADE

    A onda de protestos contra as medidas foi imediata e generalizada.

    Brasil: 
    O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o que reagiu com maior veemência. Em nota conjunta, os Ministérios das Relações Exteriores (MRE) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) classificaram a decisão como um "ato de hostilidade" e "politização do comércio internacional". A nota lembrou que, entre 2011 e 2025, os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões na relação bilateral com o Brasil. O governo também ameaçou usar a Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil impor barreiras comerciais a países que adotem medidas unilaterais contra seus produtos. Nos bastidores, assessores presidenciais associaram a medida à recente visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Donald Trump.

    China: 
    O Ministério do Comércio chinês classificou a medida como "típica de unilateralismo e bullying comercial". Pequim, que está na lista de 12,5%, afirmou que adotará todas as medidas necessárias para salvaguardar os direitos das empresas chinesas e que recorrerá à OMC.

    União Europeia: 
    A Comissão Europeia reagiu com "profunda decepção", argumentando que o bloco possui uma das legislações mais rigorosas do mundo contra produtos feitos com trabalho forçado e que a decisão de Washington é "injustificada". Alemanha e França, em declarações separadas, pediram uma solução negociada, mas alertaram que o episódio mancha a imagem dos EUA como parceiro comercial confiável. A tarifa proposta para o bloco é de 10%.

    Índia: 
    O governo indiano expressou "profunda decepção", argumentando que Nova Déli já possui leis robustas contra o trabalho forçado e mecanismos de certificação para exportações. O país, que está na lista de 12,5%, busca ativamente uma exceção durante as negociações para um acordo comercial parcial com os EUA.

    Japão e Coreia do Sul: 
    Ambos os governos asiáticos convocaram os embaixadores americanos para protestar formalmente contra a inclusão na lista de 12,5% e expressaram "grande preocupação" com o impacto sobre seus setores automotivo e de eletrônicos, fortemente dependentes de exportações para os EUA.

    Canadá e México: 
    Apesar de estarem na lista de 10%, ambos reagiram com apreensão. O governo canadense pediu que Washington reconsiderasse a medida, alertando para o risco de "guerras comerciais desnecessárias". O México classificou a tarifa de 10% como "desproporcional". Ambos os países, no entanto, podem se beneficiar de uma cláusula que isenta produtos que atendam às regras de origem do USMCA.

    Reino Unido: 
    Londres expressou "decepção", lembrando que possui leis modernas contra o trabalho escravo. Apesar de estar na lista de 10%, o país argumentou que já está implementando um regime parcial que proíbe a importação de certos produtos de trabalho forçado para abastecimento público e energia.

    Nova Zelândia e Filipinas: O governo neozelandês, também na lista de 12,5%, declarou que "discorda veementemente das conclusões da investigação" . Nas Filipinas, o setor exportador criticou a medida como uma "restrição irracional".

    A questão da legalidade: 

    A análise corroborada por especialistas em comércio internacional aponta que as tarifas dos EUA, embora autorizadas pela lei doméstica americana, violam princípios fundamentais da Organização Mundial do Comércio (OMC).

    O princípio da Nação Mais Favorecida (NMF) exige que qualquer vantagem concedida a um membro da OMC seja estendida a todos os outros.

    Ao criar três níveis distintos de tarifas (25%, 12,5% e 10%) para diferentes parceiros, os EUA discriminam claramente entre os membros.

    Além disso, a justificativa para as tarifas (combate ao trabalho forçado) pode ser vista como uma medida com fins não comerciais, o que exigiria negociação no âmbito multilateral, e não ação unilateral.

    União Europeia e China já sinalizaram que devem contestar a medida na OMC assim que ela for implementada.

    O IMPACTO GEOPOLÍTICO

    O movimento da administração Trump representa uma escalada no uso unilateral de tarifas como ferramenta de política externa. A estratégia de criar um sistema de alíquotas em camadas recompensa países que se alinham bilateralmente com os EUA (com tarifas de 10%) e pune aqueles que resistem ou são considerados grandes concorrentes (12,5% e 25% no caso do Brasil).

    Para o Brasil, o impacto pode ser duplamente danoso. Além da tarifa geral de 12,5% por conta do trabalho forçado, o país pode sofrer a tarifa adicional de 25%, totalizando 37,5% de sobretaxa sobre produtos que já pagam as tarifas normais de importação dos EUA .

    A economia brasileira, que já enfrenta desafios fiscais e de crescimento, vê um de seus principais parceiros comerciais erguer uma barreira significativa.

    As medidas também criam um ambiente de incerteza para as cadeias globais de suprimento. Empresas que investiram em países da lista de 12,5% podem reconsiderar seus investimentos, buscando nações com tarifas mais baixas (10%) ou com isenções.

    O mecanismo proposto para o setor têxtil, que vincula cotas de importação à compra de algodão americano, é um exemplo claro de como Washington pretende usar as tarifas para moldar o comportamento comercial de seus parceiros.

    Os próximos meses serão decisivos. O período de consultas públicas será um campo de batalha onde governos, associações comerciais e grandes corporações tentarão influenciar a redação final das medidas, buscando isenções setoriais ou redução de alíquotas.

    A data de 15 de julho é o marco para o início de uma nova fase na guerra comercial global.

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    FAQ Rápido

    1. Por que o Brasil pode ser taxado em 25% enquanto outros países pagam 12,5%?
    Porque o Brasil foi alvo de uma investigação da Seção 301 específica e exclusiva, que apurou seis práticas comerciais consideradas "irrazoáveis" pelos EUA, como o favorecimento do Pix e as ordens judiciais de remoção de conteúdo. Os outros 60 países foram investigados em um processo diferente, focado exclusivamente na falta de leis contra a importação de produtos feitos com trabalho forçado.

    2. As tarifas propostas violam as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)?
    Sim, especialistas indicam que sim. O princípio da Nação Mais Favorecida (NMF) da OMC proíbe a discriminação entre membros. Ao criar três níveis tarifários diferentes (25%, 12,5% e 10%) para diferentes parceiros comerciais, os EUA violam esse princípio fundamental. União Europeia e China já ameaçaram recorrer à OMC.

    3. O que o Brasil pode fazer para retaliar as tarifas dos EUA?
    O governo brasileiro já sinalizou que pode acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao país impor barreiras comerciais (como tarifas, cotas ou licenças não automáticas) contra nações que adotem medidas unilaterais prejudiciais ao comércio brasileiro. O Brasil também pode recorrer à OMC para contestar a legalidade das tarifas
    .

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    Atualização: 
    A Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Brasil se reúne em caráter extraordinário na próxima terça-feira (9 de junho) para definir os primeiros produtos que serão alvo de retaliação comercial contra os Estados Unidos.

    A lista deve incluir itens simbólicos e de alto valor agregado.

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