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EUA retiram tarifa de 10% sobre celulose e ferro-níquel

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    O Porto de Santos
    O Porto de Santos – principal eixo de escoamento dos produtos brasileiros, incluindo aço e celulose, para os Estados Unidos | Imagem divulgação


    Alívio comercial impulsiona setores chave da pauta brasileira, mas desafios persistem em commodities sensíveis ao mercado norte-americano



    Brasília, 13 de setembro de 2025

    O governo dos Estados Unidos anunciou, por meio da Ordem Executiva nº 14.346, a liberação total de tarifas adicionais sobre a maior parte das exportações brasileiras de celulose e ferro-níquel, uma medida que beneficia diretamente US$ 1,84 bilhão em vendas registradas em 2024, equivalentes a 4,6% do total embarcado para o mercado norte-americano.

    A decisão, divulgada em 5 de setembro e comunicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na quinta-feira (11-/set), exclui esses itens tanto da alíquota universal de 10%, imposta em abril, quanto da sobretaxa de 40% aplicada em julho, sob a política protecionista do presidente Donald Trump.

    De acordo com dados do MDIC, a celulose – especialmente as pastas químicas de madeira conífera e não conífera – liderou as exportações com US$ 1,55 bilhão no ano passado, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores globais para a indústria de papel e embalagens nos EUA.

    O ferro-níquel, essencial para a siderurgia, complementa o volume com embarques de 2,8 milhões de toneladas em 2024, aliviando pressões sobre produtores nacionais que enfrentavam margens reduzidas devido às barreiras comerciais.

    O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, destacou o impacto positivo ao afirmar: “Essa decisão representa um avanço, sobretudo para o setor de celulose do Brasil. Mas ainda há muito a ser feito e seguimos trabalhando para reduzir as tarifas”.

    A exclusão eleva para 25,1% a fatia das exportações brasileiras aos EUA isenta de medidas extras, incluindo itens já liberados como aeronaves, e sinaliza uma possível reabertura de negociações bilaterais.

    No entanto, o otimismo é temperado por persistentes obstáculos. Outros dez produtos, como minerais brutos, níquel e herbicidas, tiveram apenas a tarifa de 10% suspensa, mas permanecem sob a sobretaxa de 40%, afetando US$ 113 milhões em vendas anuais.

    Adicionalmente, sete itens – incluindo insumos químicos e plásticos industriais – agora enfrentam 10% extras além dos 40%, totalizando US$ 145 milhões em exportações impactadas.

    Commodities como café e cacau seguem com tarifa de 50%, a mais elevada contra o Brasil, o que pressiona 35% da pauta total.

    Especialistas veem na medida um recuo tático de Trump, cuja agenda protecionista, justificada por alegações de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, já provocou quedas de US$ 630 milhões em exportações industrializadas entre janeiro e agosto de 2025.

    “Mais uma pedra no caminho do setor da indústria”, comentou Rafael Cagnin, diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).

    O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Uallace Moreira, ponderou: “A gente vai avaliar e verificar o quão ela é suficiente ou não”, sinalizando discussões para aprimorar o pacote de apoio governamental, que inclui R$ 30 bilhões em linhas de crédito e R$ 10 bilhões do BNDES para empresas afetadas.

    A liberação prática isenta esses produtos de qualquer encargo adicional, mas analistas alertam para riscos de novas imposições sob a Seção 232 da lei comercial americana.

    Apesar do alívio para celulose e ferro-níquel, café e carne continuam taxados, limitando ganhos para o agro brasileiro. Os beneficiados se somam a exceções prévias, potencializando um ciclo de crescimento em 2025, embora 76 produtos nacionais ainda enfrentem barreiras.

    A decisão chega em meio a um contexto de tensões comerciais globais, com o Brasil buscando diversificar mercados via acordos como o Mercosul-UE.

    Setores como o de celulose, representado por associações como a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), celebram o avanço, prevendo recuperação de investimentos e geração de empregos em estados como Espírito Santo e Minas Gerais.

    No entanto, a dependência de 20% das vendas de celulose para os EUA reforça a necessidade de monitoramento contínuo.



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