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EUA pedem saída de seus cidadãos na Síria enquanto rebeldes avançam contra governo de Bashar al-Assad

    Um combatente da oposição síria segura um lançador de foguetes em frente ao escritório do governo provincial, onde uma imagem do presidente sírio Bashar Assad está crivada de balas, após a tomada de Hama, na Síria, pela oposição, na sexta-feira (6/12) | Ghaith Alsayed/AP

    Neste sábado, o exército sírio confirmou que os combatentes rebeldes atacaram postos de controle no sul do país para distrair as forças armadas

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    A Embaixada dos EUA na Síria pediu aos cidadãos seus cidadãos que saiam agora do país enquanto há tempo, haja vista que um grupo rebelde islâmico ganha território rapidamente e avançam contra as forças de defesa do presidente Bashar al-Assad, se aproximando estrategicamente de Homs, a 164 km de Damasco, disse o Whashington Post, neste sábado (7/12).

    A situação “continua volátil e imprevisível com confrontos ativos entre grupos armados em todo o país”, disse o alerta emitido pela representação oficial dos EUA na Síria.

    O Secretário de Estado estadunidense, Antony Blinken, conversou, na sexta-feira (6/12), com o ministro das Relações Exteriores da Turquia sobre os acontecimentos no país liderado por al-Assad e enfatizou a “importância de proteger civis, incluindo membros de grupos minoritários“.

    Blinken argumentou sobre a necessidade de uma solução política para o conflito que já dura 13 anos e que nos últimos dias tomou fôlego quando o grupo islâmico Hayat Tahrir al-Sham tomou Aleppo, a 359 km de Damasco, e depois Hama, a 219 km.

    A Turquia é a potência externa mais importante apoiando o lado rebelde na guerra civil síria, e há indícios de que o HTS recebeu ajuda da capital Ancara antes da ofensiva atual, de acordo com o Conselho de Relações Exteriores.

    Neste sábado (7/12), o exército sírio confirmou que os combatentes rebeldes no sul do país “atacaram os postos de controle e pontos militares do exército com o objetivo de distrair as forças armadas, que começaram a retomar o controle dos assuntos nas províncias de Homs e Hama”.

    Se o HTS capturar Homs , a terceira maior cidade da Síria, estará consolidada uma vitória estratégica significativa, pois Damasco, controlada por Assad, será cortada da costa e o que resta do território do regime será dividido em dois, podendo sinalizar uma mudança decisiva no conflito, solidificando os ganhos do grupo rebelde e aproximando-o da tomada da capital, o objetivo final de sua ofensiva.

    A OCHA (Office for the Coordination of Humanitarian AffairsEscritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários) alertou que, à medida que as hostilidades na Síria se expandem, “civis, incluindo trabalhadores humanitários, estão enfrentando graves ameaças à sua segurança”. Pelo menos 370 mil pessoas foram deslocadas desde a escalada das hostilidades, disse a agência.

    Ao menos 44,6 mil pessoas foram mortas em Gaza durante a guerra e 105,8 mil ficaram feridas, disse o Ministério da Saúde de Gaza, na sexta-feira (6/12). Pelo menos 4,05 mil foram mortas e 16,6 mil ficaram feridas no Líbano, disse o Ministério da Saúde em uma entrevista coletiva na quarta-feira (4/12). Nenhuma das agências faz distinção entre civis e combatentes.

    Israel estima que cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas no ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, incluindo 380 soldados que tiveram baixa na operação militar em Gaza. Destes, ao menos 77 foram na guerra contra o Hezbollah.

    Uma revolta pacífica contra o presidente Assad em 2011 se transformou em uma guerra civil que devastou a Síria, resultando em mais de meio milhão de mortes e 12 milhões de deslocados, sendo cinco milhões refugiados no exterior.

    Apesar de o governo Assad ter recuperado o controle com apoio de potências como Rússia e Irã, áreas significativas permanecem fora do controle estatal, incluindo o norte e leste sob domínio de grupos armados curdos apoiados pelos Estados Unidos.

    O último reduto rebelde situa-se nas províncias de Aleppo e Idlib, dominadas pelo Hayat Tahrir al-Sham, a Organização pela Libertação do Levante, também conhecido como Al-Qaeda na Síria, um grupo militante salafita jihadista envolvido na guerra civil. Enquanto isso, facções apoiadas pela Turquia controlam partes do noroeste com auxílio das tropas turcas.

    O Hayat Tahrir al-Sham, anteriormente conhecido como Frente al-Nusra, foi criado em 2012 e jurou lealdade à Al-Qaeda. Considerado um grupo eficaz contra Assad, sua ideologia jihadista era vista como divergente da coalizão rebelde principal.

    Em 2016, rompeu laços com a Al-Qaeda e adotou seu novo nome ao se fundir com outras facções, mas continua sendo considerado um afiliado da Al-Qaeda por vários países.

    O HTS consolidou poder nas províncias de Idlib e Aleppo ao derrotar rivais e formou o Governo de Salvação Sírio, buscando derrubar Assad e estabelecer governança islâmica, embora até agora tenha evitado escalar o conflito.

    O líder do grupo, Abu Mohammed al-Jawlani, confirmou a intenção de derrubar o regime de Assad. Idlib foi um campo de batalha por anos, mas um cessar-fogo mediado pela Turquia e Rússia em 2020 ajudou a conter os combates.

    Apesar disso, houve disputas esporádicas, incluindo um ataque significativo do HTS em áreas governamentais. Em 27 de novembro, o HTS lançou uma ofensiva, alegando resposta à agressão do governo apoiado pelo Irã.

    Enquanto isso, o governo sírio e seus aliados, incluindo o Hezbollah, enfrentaram dificuldades devido a conflitos simultâneos e distrações, como a guerra na Ucrânia, deixando as forças de Assad vulneráveis.

    O presidente Assad prometeu “esmagar” os rebeldes, chamando-os de “terroristas“, e culpou os EUA e países ocidentais pela ofensiva em uma conversa com Massoud Pezeshkian, que destacou o apoio do Irã ao governo sírio e a importância da soberania da Síria em sua estratégia regional.

    O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia vê a situação em Aleppo como um ataque à soberania síria e apoia as autoridades sírias na restauração da ordem constitucional, além de ter solicitado que seus cidadãos deixem o país.

    Os EUA, Reino Unido, França e Alemanha pediram, em declaração conjunta, a redução da tensão no conflito sírio e a proteção de civis, defendendo uma solução política liderada pela Síria.

    O porta-voz da Casa Branca destacou a recusa de Assad em participar do processo político, atribuindo-lhe a situação atual. O presidente turco Erdogan expressou esperança de que os rebeldes avancem em Damasco, mas alertou sobre a infiltração de “organizações terroristas“.

    O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, aconselhou o governo sírio a reconciliar-se com seu povo.

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