EUA pedem que militares do Brasil não interfiram nas eleições em troca de continudade da ajuda à Defesa

Parlamentares democratas americanos inseriram emenda em lei que condiciona a ajuda militar à não interferência nas eleições presidenciais

Um grupo de parlamentares democratas americanos se moveu nesta semana inserindo uma emenda no HR 7900 – Lei de Autorização de Defesa Nacional para o Ano Fiscal de 2023 – que condiciona a ajuda militar ao Brasil em 2023 à não interferência dos militares brasileiros nas eleições presidenciais deste ano.

A Emenda 893, intitulada “Neutralidade das Forças Armadas Brasileiras Durante as Eleições Presidenciais”, exige que dentro de 30 dias da aprovação da Lei (que ainda precisa passar pelo Congresso), o Secretário de Estado dos EUA deve entregar um relatório sobre a interferência das Forças Armadas brasileiras nas eleições presidenciais de outubro de 2022, e considerar tais ações como “proteções estatutárias na assistência de segurança dos EUA”.

Ele pede a ‘descontinuação da assistência de segurança‘”, diz uma fonte de Washington que prefere permanecer anônima. “É basicamente uma maneira de dizer: ‘você precisa considerar se essas ações equivalem a um golpe porque, se assim for, isso exigiria cortar nossa assistência’“.

As informações são do jornalista Brian Mier, no Brasilwire, e fora sintetizadas pelo portal progressista de notícias Brasil 247.

Nos últimos anos, um grupo crescente de legisladores democratas progressistas liderados pelo deputado Hank Johnson pressionou o governo federal a esclarecer seu papel na investigação da Lava Jato e na prisão arbitrária de Lula em 2018.

Os signatários desta emenda incluem alguns desses nomes conhecidos como Johnson, Raul Grijalva, Ilhan Omar e Susan Wild. O autor da emenda, no entanto, é o congressista de Nova Jersey Tomasz Malinowski – um moderado com pouco histórico de atuação sobre o Brasil.

Isso mostra que cada vez mais democratas estão preocupados com as ramificações de um possível golpe militar no Brasil neste ano.

Embora o papel do DOJ e do Departamento de Estado dos EUA no golpe de 2016 contra Dilma Rousseff e o processo judicial contra Lula pareçam ter escapado do radar dos poucos parlamentares democratas que genuinamente se preocupam com o Brasil, esta emenda dá um sinal ao Departamento de Estado e à comunidade de inteligência que o Legislativo está observando e que alguns parlamentares causarão problemas se tentarem apoiar outro golpe no Brasil neste ano.

Da mesma forma, envia um sinal aos militares notoriamente entreguistas do Brasil de que podem não ter tanto apoio do governo dos EUA quanto pensavam.

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