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EUA mandaram seus cidadãos evitarem shows na Rússia há quase um mês, lembra cientista político

    ISIS “estava sumido e reaparece em 2024 atacando logo o Irã e a Rússia, como já fez com a Síria anteriormente – uma reiterada coincidência de alvos com o ocidente“, escreve Samuel Braun – “Esse atentado em Moscou é total armação“, diz advogado – ENTENDA

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    Dois brasileiros, um cientista político e um advogado, expressaram suas opiniões (leia após a notícia) sobre o atentado terrorista em uma casa de espetáculos, em um shopping próximo a Moscou, capital da Rússia, onde, segundo a imprensa local, cerca de 60 pessoas morreram e mais de 140 ficaram feridas. “Os EUA mandaram seus cidadãos evitarem shows na Rússia há quase um mês”, lembra cientista político, enquanto o advogado disse que “esse atentado em Moscou é total armação“.

    A entrada dos terroristas no edifício Crocus City Hall em Krasnogorsk [ cidade e centro administrativo do distrito homônimo, no Oblast de Moscou, na Rússia, localizado às margens do rio Moskva, onde os espectadores se reuniram para o concerto do grupo Picnic, na noite de 22 de março, foi captada por uma câmera de vídeo. Os atiradores saíram de um Renault branco e entraram pela entrada principal. Segundo testemunhas, eram pelo menos cinco, enquanto outras contaram cerca de 20 terroristas, que não cobriam o rosto com máscaras.

    A jornalista Lyubov Stepushova disse que eles pareciam “islamistas” – com barbas e aparência oriental. Imediatamente começaram a filmar, primeiro no salão, depois no auditório. Ao mesmo tempo, foram lançados cartuchos incendiários e gasolina foi derramada, iniciando-se um incêndio.

    Após o massacre, já pelas duas horas da manhã de 23 de março, não havia informações exatas sobre os terroristas e seu paradeiro. A área do incêndio no Crocus, segundo o Ministério de Situações de Emergência, foi de 14 mil metros quadrados. O fogo foi contido por volta da 01h (19h de sexta-feira, pelo horário de Brasília).

    Os Estados Unidos começaram a negar urgentemente que as informações adiantadas em 8 de março sobre os iminentes ataques terroristas em Moscou. O coordenador de comunicações estratégicas da Casa BrancaJohn Kirby, disse em um ‘briefing‘ na ocasião, que “a embaixada emitiu um aviso a todos os americanos em Moscou para evitarem grandes reuniões, concertos, shopping centers, qualquer coisa assim, apenas para sua própria segurança“.

    Kirby apresentou uma versão do envolvimento no ataque terrorista de pessoas “que não concordam com a forma como o Sr. Putin governa o país”, mas alertou que não poderia dizer nada de concreto: “Precisamos de mais tempo e mais informações“. Tais pessoas seriam novos vlasovitas, que o GRU envia para a morte na região de Belgorod.

    Se os Estados Unidos não se explicarem, então quaisquer declarações de Washington e Kiev serão percebidas e já estão a ser interpretadas por Moscoi como uma tentativa de evitar responsabilidades. A Federação Russa, em qualquer caso, considerar-se-á agora com direito a qualquer resposta, escreveu Stepushova, no ‘Pravda‘.

    Já na Ucrânia, afirmaram que se tratava alegadamente de uma provocação deliberada aos serviços especiais russos. O conselheiro do chefe do gabinete de Zelensky, Mikhail Podolyak, afirmou que seu país “definitivamente não tem nada a ver com estes acontecimentos“. 

    O jornal russo destaca que, coincidentemente, o ataque terrorista ocorre após as eleições presidenciais na Federação Russa, que acusa a Ucrânia de querer “intimidar, semear o pânico com o regresso do terror dos anos 90“. Segundo a publicação, os ucranianos descrevem os russos como “culpados da guerra”, que “não são vítimas pacíficas“.

    O cientista político Sergei Markov apresentou a sua versão do plano da Ucrânia no Telegram. Segundo ele, o ataque terrorista à casa de espetáculo carrega uma “bandeira falsa” de islamistas, a fim de provocar uma reação de Moscou – vingança contra os civis da Ucrânia. O Ocidente ficará indignado e a ajuda aumentará. Markov está confiante de que todos os islamistas são apoiados pelos serviços de inteligência ocidentais.

    Entretanto, houve uma mensagem da ‘Reuters‘ de que o Estado Islâmico” – uma organização terrorista proibida na Federação Russa – assumiu a responsabilidade”. Mas os especialistas russos reconheceram isto como uma farsa: “Isso é falso. Este modelo de notícias do Estado Islâmico não é usado há vários anos. Também não há nada nos canais oficiais do Estado Islâmico no Telegram“, escreve o canal ‘Rybar‘, no aplicativo de mensagens.

    A União Europeia e os EUA, além de vários outros países ocidentais, condenaram o ataque terrorista na região de Moscou. A redação acusa-os de serem culpados, se não diretamente, pelo menos indiretamente.

    Se fizermos analogias com Israel, o Ocidente agora justifica suas ações contra Gaza com um ataque terrorista num festival de música. Isto significa que eles devem apoiar o direito do Kremlin de responder de maneira semelhante. 

    Na Ucrânia espalharam-se rumores de que altos funcionários, políticos e empresários começaram a levar as suas famílias novamente para o Ocidente: “Recomendamos verbalmente a todos que fossem para o oeste do país ou para o exterior. Agora começa um tempo incerto para a Ucrânia, quando tudo é possível, até uma guerra oficial ou intensificação das hostilidades, bombardeios, etc“, escreve o canal ‘Legitimny‘, no ‘Telegram‘.

    Esse atentado em Moscou é total armação (1)”

    Por Samuel Braun
    Professor de Politicas Públicas e sociólogo (UERJ)
    Doutor em Economia Política Internacional (UFRJ)
    Mestre em Ciência política (UFRRJ)
    em seu ‘X’

    Há quase um mês os EUA mandaram seus cidadãos na Rússia evitarem concentrações públicas, como shows e teatros, pois tinha informações sobre a possibilidade de atentado terrorista. Hoje, o atentado foi reivindicado pela organização Estado Islâmico, alegadamente. A relação da Rússia com as nações islâmicas, contudo, é amistosa no geral.

    O enfrentamento com o ISIS [Islamic State of Iraq and Syria (Estado Islâmico do Iraque e da Síria), como era chamado o Estado Islâmico) se dá indiretamente, pelo apoio à Assad [Bashar Hafez al- (presidente da Síria desde 2000)], enquanto os EUA o atacam como o ISIS. Já as relações da Rússia com a Ucrânia são de guerra declarada e com os países da OTAN de guerra por procuração, o que leva a suspeições óbvias.

    Há pouco, o líder da bancada liberal no Likud [partido de centro-direita e direita conservadora da coalizão liderada pelo partido Herut que representa os sionistas], governo de Israel, ameaçou que “a Rússia pagará alto preço” por seu reiterado posicionamento no Conselho de Segurança da ONU. Essas informações todas jogam uma névoa sobre a autoria real e os objetivos desse atentado. Pelo que li, um dos terroristas foi preso com vida, o que é importante para investigar mais a fundo.

    P.S.: O ISIS, que já assumiu falsamente autoria antes e que opera e arregimenta mercenários ocidentais, estava sumido e reaparece em 2024 atacando logo o Irã e a Rússia, como já fez com a Síria anteriormente. Uma reiterada coincidência de alvos com o ocidente.
    P.S.S.: Diante de tantas nuances, qualquer um que diga ou sugira saber as respostas agora está manipulando.

    Edit final: Post aberto para comentários enfatizando que é impossível cravar qualquer certeza agora, então versões conflitantes não se tratam necessariamente de desinformação ou má-fé, logo, respeito e tolerância no debate”.

    Esse atentado em Moscou é total armação (2)”

    Por Hugo Albuquerque
    Advogado e editor da Autonomia Literária
    em seu ‘X’

    Francamente, quem teria interesse em disseminar islamofobia na Rússia neste momento? Porque, rigorosamente, não há conflito dentro da Federação Russa com os muitos povos muçulmanos, nem dela em suas relações exteriores.

    Esse atentado em Moscou é total armação”.

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