
📷 O presidente da Câmara da Flórida, Daniel Perez, indicado pelo governo Donald Trump para ser o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil. A nomeação ocorreu sem a consulta formal prévia ao governo brasileiro, ferindo o protocolo diplomático do “agrément” / Foto: Reprodução / Redes Sociais / @Daniel_PerezFL/X
| Brasília (DF)
03 de junho de 2026
A indicação do presidente da Câmara da Flórida, Daniel Perez, como novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil abriu uma crise diplomática silenciosa entre Brasília e Washington.
O motivo do atrito não é o nome do indicado, mas a forma como o anúncio foi conduzido: o governo de Donald Trump ignorou o protocolo do "agrément", a consulta formal e sigilosa ao país anfitrião antes da nomeação oficial.
A quebra de tradição foi lida por integrantes do Itamaraty e do Palácio do Planalto como um desrespeito à soberania brasileira.
A avaliação nos bastidores é de que o Departamento de Estado age, neste momento, como um núcleo dentro do governo Trump que se movimenta deliberadamente contra a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O episódio transcende uma mera falha de cerimonial. Ao dispensar o "agrément", a administração republicana sinaliza uma disposição em tratar o Brasil como um palco de sua disputa ideológica.
O movimento ocorre em meio a uma sequência de gestos hostis: a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas e a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Quem é Daniel Perez e quais os temores sobre 2026
Aos 38 anos, Daniel Perez é um político em ascensão no Partido Republicano. Filho de cubanos, ele comanda a Câmara da Flórida e é descrito como um aliado ferrenho de Donald Trump e defensor do movimento "Make America Great Again" (MAGA).
Sua nomeação, no entanto, foi recebida com cautela no Brasil devido ao momento: o país realiza eleições gerais em outubro de 2026.
A preocupação do governo brasileiro é que o novo embaixador atue como uma ponte entre o trumpismo e a oposição local, especialmente o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que recentemente visitou Trump na Casa Branca.
Fontes do governo brasileiro, citadas pela colunista Ana Flor do g1, temem que o diplomata possa "ter um papel na eleição de apoio a um candidato de oposição a Lula".
Nos bastidores de Washington, aliados de Trump minimizam o risco. Eles afirmam que o processo de sabatina no Senado dos EUA — que precisa aprovar a nomeação — pode ser lento, e não há garantias de que Perez chegue a Brasília antes do pleito de outubro.
O poder do "não" do Brasil e o precedente de Israel
A despeito do mal-estar, o governo Lula adotou um tom pragmático nos primeiros momentos da crise. Assessores da área diplomática descartaram, de imediato, a rejeição do nome por critérios ideológicos.
A avaliação é de que, em tese, "caso não haja nada que desabone" a ficha de Perez, a União deve conceder o visto diplomático.
Contudo, o episódio serve como um alerta e demonstração de força. Caso o governo mude de ideia, há um precedente recente: em 2025, o Brasil ignorou o pedido de "agrément" de Israel para um novo embaixador, em um gesto de represália diplomática.
No momento, a missão americana em Brasília é comandada por um encarregado de negócios, Gabriel Escobar, que será substituído por Natasha Franceschi a partir de julho.
A demora em definir um embaixador, somada ao ruído na comunicação, demonstra o quanto a relação bilateral se deteriorou desde o retorno de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025.
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FAQ Rápido
1. Por que os EUA ignoraram a consulta ao Brasil? O que muda na prática?
O governo Trump ainda não justificou oficialmente a quebra do protocolo. Na prática, a ausência do "agrément" é vista pelo Itamaraty como uma tentativa dos EUA de impor sua agenda, forçando o Brasil a aceitar o nome ou a arcar com o custo político de uma rejeição pública em ano eleitoral.
2. Daniel Perez pode ser barrado pelo governo Lula?
Sim, tecnicamente. Como país soberano, o Brasil tem o direito de recusar qualquer nome indicado para embaixador, bastando negar o visto diplomático ou não conceder o "agrément" tardio. No entanto, assessores do presidente afirmam que, até o momento, não há motivo legal ou de conduta para tal rejeição.
3. O novo embaixador chega a tempo de influenciar as eleições brasileiras?
É improvável. O processo de sabatina no Senado nos EUA pode levar meses. Fontes diplomáticas americanas afirmam que não há garantias de que Perez chegue ao Brasil antes das eleições de outubro.
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