Governadores apoiam ação dos EUA na Venezuela enquanto Brasil vive sério risco com a volta ao imperialismo e neocolonialismo, onde os países latino-americanos seriam tratados como colônias, perdendo o controle sobre seus destinos políticos, relações diplomáticas e riquezas naturais

Brasília (DF) · 06 de janeiro de 2026
O ex-ministro José Dirceu, figura icônica da esquerda brasileira e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), comentou a crise na Venezuela, caracterizando-a não como um golpe interno, mas como uma agressão externa orquestrada pelos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump.
Dirceu enfatizou que o governo venezuelano permanece intacto, com a vice-presidente no comando, um Parlamento eleito assumindo posse e as Forças Armadas leais, refutando qualquer ideia de instabilidade doméstica como mera propaganda.
No cerne de sua argumentação, Dirceu apontou o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa como o ápice de uma guerra híbrida imposta pelos EUA, que incluiu sanções econômicas draconianas, confisco de reservas internacionais, bloqueios comerciais e sabotagens que exacerbaram uma crise já em vias de superação.
Ele atribuiu diretamente à imigração em massa de 4,5 milhões de venezuelanos não às políticas internas do chavismo, mas a essa asfixia econômica imposta pelo imperialismo, destacando como as sanções servem como arma para desestabilizar nações soberanas e forçar migrações forçadas, um padrão histórico de dominação neocolonial.
Dirceu contextualizou essa ofensiva como parte de uma escalada militar, com tropas aeronavais americanas cercando o país e impondo um bloqueio aéreo, culminando em agressão direta.
Ele desmascarou as justificativas oficiais – como preocupações com democracia, direitos humanos ou o regime chavista – como pretextos para ocultar o verdadeiro objetivo: a retomada da Doutrina Monroe, que visa reafirmar a América Latina como “quintal” dos EUA, explorando recursos como o petróleo venezuelano sem pudores.
Em sua análise, Dirceu alertou que essa doutrina ameaça toda a região, transformando nações soberanas em colônias onde decisões sobre riquezas naturais, relações internacionais e destino político seriam ditadas de Washington.
O ex-ministro de Lula invocou a Constituição brasileira, que prioriza a autodeterminação, a não intervenção e a resolução pacífica de conflitos, conforme os princípios da ONU, contrastando isso com a negação trumpista do direito internacional.
Essa visão reforça o ideal de solidariedade internacionalista, onde a defesa da soberania alheia é inseparável da própria.
Dirceu explicou a resiliência venezuelana pela unidade entre governo, Forças Armadas e apoio popular, argumentando que a ausência de protestos massivos contra Maduro e o descarte de figuras opositoras como Corina Machado por Trump revelam a falta de legitimidade da oposição pró-EUA.
Ele chamou atenção para a necessidade de conscientização e mobilização popular no Brasil, ligando soberania à democracia, e denunciando interferências eleitorais americanas em países como Argentina, Equador e Honduras, onde governos títeres são instalados para perpetuar o neocolonialismo.
Com tom anti-imperialista, Dirceu identificou uma “quinta-coluna” interna no Brasil, criticando governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Júnior (PR) por apoiarem a agressão à Venezuela, traçando um paralelo com ameaças trumpistas a nações como Cuba, Canadá, Groenlândia, Panamá e Irã.
Ele destacou oposições internas nos EUA, inclusive em veículos como o The New York Times e entre senadores bipartidários, como evidência de que a resistência ao imperialismo é global e multifacetada.
Dirceu propôs como resposta a criação de uma ampla frente anti-imperialista, defendendo a soberania universal e a Carta da ONU independentemente de regimes específicos.
No contexto brasileiro, ele advogou pela modernização das Forças Armadas, fortalecimento da indústria de defesa, soberania tecnológica sobre big techs e financeira, e retomada de um projeto de desenvolvimento nacional – pilares de uma agenda progressista que prioriza a autonomia sobre a dependência.
Para ele, a soberania plena requer uma frente política que supere desigualdades, pobreza extrema e concentração de renda, empoderando o povo a defender a nação ao lado das Forças Armadas.
Dirceu concluiu que o respeito internacional ao Brasil depende de justiça interna, vinculando democracia e soberania a um projeto nacional inclusivo que erradique injustiças sociais, ecoando o ethos progressista de que a verdadeira independência surge da equidade e da participação popular.
Leia a íntegra da transcrição da fala de José Dirceu
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