Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

EUA decidiram retomar Doutrina Monroe e Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho Jr. são “traidores”, diz José Dirceu

    Governadores apoiam ação dos EUA na Venezuela enquanto Brasil vive sério risco com a volta ao imperialismo e neocolonialismo, onde os países latino-americanos seriam tratados como colônias, perdendo o controle sobre seus destinos políticos, relações diplomáticas e riquezas naturais

    Clickable caption
    José Dirceu
    José Dirceu / Imagem reprodução | Donald Trump à esquerda e Nicolás Maduro à direita

    Brasília (DF) · 06 de janeiro de 2026

    O ex-ministro José Dirceu, figura icônica da esquerda brasileira e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), comentou a crise na Venezuela, caracterizando-a não como um golpe interno, mas como uma agressão externa orquestrada pelos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump.

    Dirceu enfatizou que o governo venezuelano permanece intacto, com a vice-presidente no comando, um Parlamento eleito assumindo posse e as Forças Armadas leais, refutando qualquer ideia de instabilidade doméstica como mera propaganda.

    No cerne de sua argumentação, Dirceu apontou o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa como o ápice de uma guerra híbrida imposta pelos EUA, que incluiu sanções econômicas draconianas, confisco de reservas internacionais, bloqueios comerciais e sabotagens que exacerbaram uma crise já em vias de superação.

    Ele atribuiu diretamente à imigração em massa de 4,5 milhões de venezuelanos não às políticas internas do chavismo, mas a essa asfixia econômica imposta pelo imperialismo, destacando como as sanções servem como arma para desestabilizar nações soberanas e forçar migrações forçadas, um padrão histórico de dominação neocolonial.

    Dirceu contextualizou essa ofensiva como parte de uma escalada militar, com tropas aeronavais americanas cercando o país e impondo um bloqueio aéreo, culminando em agressão direta.

    Ele desmascarou as justificativas oficiais – como preocupações com democracia, direitos humanos ou o regime chavista – como pretextos para ocultar o verdadeiro objetivo: a retomada da Doutrina Monroe, que visa reafirmar a América Latina como “quintal” dos EUA, explorando recursos como o petróleo venezuelano sem pudores.

    Em sua análise, Dirceu alertou que essa doutrina ameaça toda a região, transformando nações soberanas em colônias onde decisões sobre riquezas naturais, relações internacionais e destino político seriam ditadas de Washington.

    O ex-ministro de Lula invocou a Constituição brasileira, que prioriza a autodeterminação, a não intervenção e a resolução pacífica de conflitos, conforme os princípios da ONU, contrastando isso com a negação trumpista do direito internacional.

    Essa visão reforça o ideal de solidariedade internacionalista, onde a defesa da soberania alheia é inseparável da própria.

    Dirceu explicou a resiliência venezuelana pela unidade entre governo, Forças Armadas e apoio popular, argumentando que a ausência de protestos massivos contra Maduro e o descarte de figuras opositoras como Corina Machado por Trump revelam a falta de legitimidade da oposição pró-EUA.

    Ele chamou atenção para a necessidade de conscientização e mobilização popular no Brasil, ligando soberania à democracia, e denunciando interferências eleitorais americanas em países como Argentina, Equador e Honduras, onde governos títeres são instalados para perpetuar o neocolonialismo.

    Com tom anti-imperialista, Dirceu identificou uma “quinta-coluna” interna no Brasil, criticando governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Júnior (PR) por apoiarem a agressão à Venezuela, traçando um paralelo com ameaças trumpistas a nações como Cuba, Canadá, Groenlândia, Panamá e Irã.

    Ele destacou oposições internas nos EUA, inclusive em veículos como o The New York Times e entre senadores bipartidários, como evidência de que a resistência ao imperialismo é global e multifacetada.

    Dirceu propôs como resposta a criação de uma ampla frente anti-imperialista, defendendo a soberania universal e a Carta da ONU independentemente de regimes específicos.

    No contexto brasileiro, ele advogou pela modernização das Forças Armadas, fortalecimento da indústria de defesa, soberania tecnológica sobre big techs e financeira, e retomada de um projeto de desenvolvimento nacional – pilares de uma agenda progressista que prioriza a autonomia sobre a dependência.

    Para ele, a soberania plena requer uma frente política que supere desigualdades, pobreza extrema e concentração de renda, empoderando o povo a defender a nação ao lado das Forças Armadas.

    Dirceu concluiu que o respeito internacional ao Brasil depende de justiça interna, vinculando democracia e soberania a um projeto nacional inclusivo que erradique injustiças sociais, ecoando o ethos progressista de que a verdadeira independência surge da equidade e da participação popular.

    Leia a íntegra da transcrição da fala de José Dirceu
    (Toque na imagem)

    Toque na imagem
    José Dirceu

    Primeiro lugar, destaco que não houve golpe de Estado na Venezuela.

    Não houve mudança de governo.

    O país está sendo governado pela vice-presidente.

    O Parlamento, aliás, que toma posse hoje, foi eleito.

    E as Forças Armadas estão apoiando o governo.

    O presidente Maduro e sua esposa foram sequestrados.

    Houve uma agressão, uma guerra que se desdobrou em sanções, sequestro das reservas da Venezuela, bloqueio das suas exportações e importações, sabotagem da sua economia, que inclusive levou ao agravamento de uma crise econômica que estava sendo superada, e à imigração de 4.500.000 de venezuelanos.

    Foram as sanções, a agressão econômica, que levaram à imigração, e não a política do governo.

    Vamos lembrar que houve uma escalada de tropas norte-americanas aeronavais cercando a Venezuela e impondo um bloqueio aéreo ao país e, por fim, uma agressão militar.

    Portanto, há uma guerra.

    E a razão não é só o petróleo, a riqueza da Venezuela, ou o regime chavista, ou a questão da democracia e de direitos humanos.

    Tudo isso é pretexto.

    A questão é que os Estados Unidos decidiram retomar, nua e cruelmente, a Doutrina Monroe, que significa simplesmente a volta do imperialismo ou do neocolonialismo.

    Todos aqui na América Latina seremos tratados como colônia dos Estados Unidos.

    Não vamos decidir o nosso destino político, decidir o destino das nossas riquezas naturais, nossas riquezas minerais, do nosso futuro, ou com quem mantemos relações diplomáticas e comerciais.

    Ou seja, perderemos aquilo que é o mais importante, que é inegociável, é irrenunciável, que é a soberania.

    Aliás, como manda a nossa Constituição.

    A nossa Constituição diz claramente que o Brasil está fundado na defesa da autodeterminação dos países, dos povos, das nações, na independência nacional, na não intervenção nos assuntos internos, na solução dos conflitos mundiais pela negociação, pela paz e não pela guerra, respeito à legislação e à lei internacional das Nações Unidas.

    Tudo o que Trump negou com a invasão da Venezuela.

    Ele não ocupa a Venezuela porque lá há Forças Armadas e governo unidos e há respaldo popular.

    Porque, se não houvesse nenhum respaldo popular, as ruas de Caracas e de todas as cidades estariam lotadas de manifestantes pedindo a volta de Corina Machado, que, aliás, foi jogada no lixo pelo Trump como algo que não serve mais para prestar serviços de traição nacional.

    A verdade nua e crua, que é hora de pensarmos na conscientização do nosso povo, na mobilização do nosso povo, em defesa da soberania e da democracia, que estão ligadas, porque Trump está interferindo nas eleições em todos os países.

    Na Argentina fez, no Equador acabou de fazer, em Honduras está se aliando com governos como o do Paraguai, de El Salvador, para criar aqui na América Latina seus títeres, suas neocolônias, e pressionar países como a Colômbia, o México, o Brasil, o Uruguai, o Chile, que mantêm a postura de defesa da independência e da soberania, e vai querer interferir nas eleições.

    E aqui no Brasil há uma quinta-coluna.

    Nós temos os nossos traidores.

    Começando pelo governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, pelo governador de Minas, Zema, pelo governador Caiado, até pelo governador Ratinho.

    Todos declararam apoio à guerra que os Estados Unidos faz contra a Venezuela, agressão à soberania e independência de um país.

    Defender a soberania da Venezuela é defender a soberania do Brasil, que amanhã poderemos ser nós, como aliás Trump está ameaçando.

    Eu sou Cuba, Canadá, a Groenlândia, Panamá.

    Pensa o Irã.

    E dentro dos Estados Unidos há uma grande oposição à política de Trump, inclusive em jornais como o New York Times e outros; já se manifestaram senadores, até republicanos, os democratas.

    Nosso papel, portanto, é defender a soberania e a independência e a autodeterminação de todas as nações, o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, independente da questão de que governo é de que país se trata.

    E nós temos que criar uma ampla frente de mobilização popular anti-imperialista.

    É isso mesmo, para fazer valer o direito dos povos à sua autodeterminação, e o Brasil tomar em suas mãos a modernização das suas Forças Armadas, da indústria de defesa nacional, a sua soberania tecnológica, inclusive sobre as big techs, a sua soberania financeira, e retomar o projeto de desenvolvimento Nacional.

    A melhor resposta, nesse quadro político que nós vivemos, é uma frente política que pactue a retomada de um processo nacional para o Brasil ter soberania.

    Mas para isso é necessário superar as desigualdades e a pobreza extrema, a concentração de renda no nosso país, para que o povo assuma a defesa da nação, que o povo, e não só as Forças Armadas, esteja à frente da defesa da nação.

    Mas para que o Brasil seja respeitado no mundo, é preciso primeiro que o povo brasileiro tenha os seus direitos assegurados dentro do país.

    Por isso, qualquer defesa da democracia e da soberania está vinculada a um projeto nacional que supere a desigualdade e a pobreza, e faça do Brasil um país não só soberano e democrático, mas justo.

    José Dirceu (transcrito por Urbs Magna)

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading