📷 Abbas Araghchi [Fred Merz/Bloomberg] e Donald Trump [reprodução redes sociais] || Arte Urbs Magna
| Washington, D.C. (US) / Teerã (IR)
13 de julho de 2026
O presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (13/jul) que os Estados Unidos vão assumir o controle do Estreito de Ormuz e cobrar uma taxa de 20% sobre o valor das cargas transportadas por navios na rota, medida que reacende o conflito armado com o Irã e ameaça a já frágil trégua entre os dois países.
O contexto: uma guerra que começou em fevereiro
Após a consequências da escalada em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ofensiva conjunta contra o Irã, Trump impôs uma sequência de ultimatos para que Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo —, chegando a ameaçar reduzir o país à “idade da pedra”.
Um cessar-fogo foi selado em abril, e, em 17 de junho, os dois países assinaram um memorando de entendimento pelo qual o Irã concordou em não cobrar pedágio pela travessia do estreito durante 60 dias, conforme apurou a CNBC.
A nova escalada de julho
Esse período de trégua relativa foi rompido por ataques do Irã contra diversos navios comerciais na região nos dias 6 e 7 de julho, o que levou os Estados Unidos a retomarem bombardeios contra alvos iranianos.
Foi nesse cenário que Trump afirmou, em publicação na rede Truth Social: “O Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã”.
O presidente americano declarou que o país passará a agir como “guardião do Estreito” e determinou o restabelecimento do bloqueio a embarcações e clientes iranianos — mantendo, segundo ele, livre acesso para os demais países.
De acordo com a CBS News, ataques americanos realizados nesta segunda-feira mataram ao menos duas pessoas na região de Abadan, no Irã, próxima à fronteira com o Iraque e o Kuwait, conforme informações repassadas pelas agências semioficiais iranianas Fars e Tasnim.
A televisão estatal iraniana, por sua vez, relatou que forças do país dispararam “tiros de advertência” contra dois navios que tentavam cruzar o estreito.
A resposta oficial do Irã
O chanceler iraniano Abbas Araghchi reagiu ao anúncio americano nas redes sociais, concordando que garantir a passagem segura de embarcações mereça compensação financeira, mas reivindicando o papel para o próprio país: “O Irã sempre foi o guardião do Estreito”, escreveu, segundo reportagem da NPR.
A embaixada iraniana no Reino Unido publicou, também nesta segunda-feira (13/jul), que Teerã já teria estabelecido um “corredor marítimo seguro e temporário, livre de barreiras técnicas e militares” pelo estreito — numa sinalização própria de reabertura da via, segundo apurou a CBS News.
A situação agora
O tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz segue muito abaixo do normal desde o início da guerra, e a disputa sobre quem exerce autoridade sobre a via — Washington ou Teerã — inviabiliza, por ora, qualquer acordo de paz duradouro entre os dois países, segundo a NPR.
A Organização Marítima Internacional (IMO), agência da ONU, veio a público nesta segunda-feira para se opor à cobrança de qualquer taxa de trânsito no estreito, seja por parte dos Estados Unidos, seja por parte do Irã, de acordo com a CNBC.
A disputa pelo controle de Ormuz deixou de ser apenas um capítulo militar do conflito e passou a girar em torno de quem vai lucrar com a segurança da rota — um desdobramento que interessa diretamente ao mercado global de energia e à inflação internacional, dado que o estreito responde por um quinto do petróleo mundial.
A proposta de Trump de cobrar 20% sobre cargas de terceiros, mesmo sem controle territorial reconhecido internacionalmente sobre uma via marítima classificada como internacional, tensiona ainda mais a relação dos Estados Unidos com aliados do Golfo, que já sinalizaram resistência à ideia de qualquer pedágio, segundo o secretário de Estado Marco Rubio, citado pela CNBC.
FAQ rápido
Mas os Estados Unidos realmente assumiram o controle de Ormuz?
Trump anunciou a intenção de controlar e cobrar taxas sobre o tráfego no estreito, mas a soberania da via é internacionalmente contestada, e o próprio Irã reivindica o mesmo papel.
Como o Irã reagiu ao anúncio de Trump?
O chanceler Abbas Araghchi rebateu publicamente, afirmando que o Irã é quem historicamente garante a segurança do estreito, e a embaixada iraniana em Londres declarou ter aberto um corredor marítimo próprio.
Isso significa volta à guerra total entre EUA e Irã?
Os Estados Unidos já retomaram ataques nesta segunda-feira, e o Irã disparou contra navios no estreito, mas nenhum dos dois lados declarou formalmente o fim do cessar-fogo firmado em abril.
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