Segundo Gavin Newsom, nosso país é uma das maiores democracias do mundo e um dos principais parceiros comerciais das Américas
Brasília, 13 de novembro 2025
Em um palco global montado no Brasil para a Conferência do Clima (COP 30), um vácuo diplomático deliberadamente criado pela Casa Branca define o cenário. Enquanto a Administração Trump se recusa a enviar qualquer representante oficial ao evento estratégico, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, assume o protagonismo.
Sendo o oficial americano de mais alto escalão presente, Newsom não apenas preenche o espaço vazio, mas o utiliza para projetar uma visão alternativa da política externa e climática dos Estados Unidos, preparando o terreno para uma crítica contundente à postura de Washington.
Vácuo Diplomático:
A Posição da Administração Trump
A decisão da Administração Trump de não enviar nenhuma delegação à COP 30 é um sinal claro de sua posição na política externa e ambiental. A ação representa um distanciamento deliberado dos fóruns multilaterais focados no clima, reforçando uma agenda que prioriza interesses nacionais sobre acordos globais de sustentabilidade.
Essa ausência total é uma escalada em relação a gestões anteriores do próprio presidente; embora Donald Trump não tenha comparecido a conferências similares em seu primeiro mandato, ele havia, no passado, enviado delegações de nível inferior para representar os Estados Unidos.
Para aprofundar a narrativa do silêncio oficial, o canal de notícias KCRA 3 buscou um posicionamento da Casa Branca sobre a questão, mas sem resposta. Essa falta de engajamento do governo federal abriu um espaço significativo no cenário internacional, criando uma oportunidade para que outros atores políticos, como o Governador Newsom, assumissem um papel de liderança e representação em nome dos interesses americanos no exterior.
“Vergonhoso”:
A Crítica Contundente de Newsom em São Paulo

Em um discurso de aproximadamente 30 minutos durante o Simpósio Global de Investidores do Milken Institute em São Paulo, Brasil, o Governador Gavin Newsom não poupou palavras para expressar sua indignação. Falar em um fórum de investidores globais conferiu um peso econômico e estratégico à sua crítica, direcionando sua mensagem não apenas a diplomatas, mas também a líderes do mercado financeiro mundial.
“Peço desculpas por ser tão partidário aqui. Olhe, eu literalmente vim aqui. Estou apenas… estou chocado. Eu simplesmente estou chocado. Tenho quatro filhos. Que diabos está acontecendo no meu país. Nenhuma pessoa da administração. Apenas para mostrar qualquer respeito a qualquer um de vocês. Esqueça a política, é desrespeito. Estamos no Brasil, um de nossos grandes parceiros comerciais, uma das grandes democracias do mundo. Quer dizer, inferno, lar de todos os… vocês precisam de minerais de terras raras. Este é o país com o qual deveríamos estar nos engajando. Em vez disso. Dedo do meio com tarifas de 50%. Isso é vergonhoso.”
O impacto retórico de suas palavras foi calculado e potente. Ao usar termos como “desrespeito” e “vergonhoso”, Newsom transcendeu a crítica política, enquadrando a ausência americana como uma afronta diplomática direta. Mais astutamente, ao se dirigir a uma plateia de investidores, ele traduziu essa afronta para a linguagem do risco econômico com a expressão “dedo do meio com tarifas de 50%”.
Essa imagem visceral não apenas condenou a política externa de Trump, mas a apresentou como um ato de hostilidade econômica volátil, uma mensagem perfeitamente calibrada para ressoar com uma audiência global focada em estabilidade e parcerias comerciais. Para além da dura repreensão, a presença de Newsom no Brasil é impulsionada por uma agenda concreta que posiciona a Califórnia — e a si mesmo — como uma alternativa viável no cenário mundial.
A Agenda da Califórnia:
Entre Diplomacia e Autopromoção
A missão do Governador Newsom no Brasil possui uma dualidade notável. Oficialmente, o propósito da visita é promover as políticas de ar limpo da Califórnia e assinar acordos de energia limpa com outros líderes globais, posicionando seu estado como um vanguardista na luta contra as mudanças climáticas. Ele tem uma agenda de reuniões e palestras para avançar nesses objetivos, buscando parcerias concretas.
Contudo, a percepção geral é que a viagem também serve como uma espécie de “volta da vitória” para Newsom. Ao ocupar o vácuo deixado pela administração federal, ele se promove no cenário global, consolidando sua imagem como uma liderança alternativa à de Washington.
Esta atuação exemplifica uma tendência crescente de diplomacia subnacional, na qual governadores e prefeitos de estados e cidades influentes assumem papéis tradicionalmente reservados ao governo federal, moldando relações internacionais e projetando poder de forma independente.
Um Governador no Palco Mundial
A ausência da Administração Trump na COP 30 no Brasil serviu como um catalisador para a proeminente atuação internacional do Governador Gavin Newsom. Sua presença e suas críticas contundentes não apenas preencheram um vácuo diplomático, mas também expuseram a profunda divisão na política climática dos Estados Unidos, contrastando a inação federal com a liderança proativa de estados influentes como a Califórnia.
Este episódio revela muito sobre o estado atual das relações internacionais dos Estados Unidos e o debate interno sobre o futuro do planeta. A viagem de Newsom ao Brasil tornou-se um microcosmo das fraturas políticas e ideológicas que definem a América contemporânea, projetando essas tensões diretamente na arena global e deixando claro que, na ausência de uma liderança nacional unificada, novas vozes estão prontas para ocupar o palco mundial.
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O governador da Califórnia falou o que é a administração Trump, o que o mundo já conhece, um presidente desconectado com o mundo, levando a maior economia mundial ao encolhimento e ao isolamento
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