Nos bastidores da diplomacia, a busca por recursos estratégicos se confunde com ameaças comerciais, colocando a soberania brasileira à prova em uma disputa de bilhões
Brasília, 24 de julho de 2025
O Brasil está no centro de uma disputa geopolítica global por minerais críticos, como lítio e nióbio, essenciais para tecnologias de ponta, como baterias de veículos elétricos e ligas metálicas de alta performance.
Em reunião recente com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o encarregado de negócios da embaixada americana, Gabriel Escobar, sinalizou o interesse dos EUA em fechar acordos para acessar esses recursos.
Com 95% das reservas mundiais de nióbio e a oitava maior reserva de lítio, o Brasil é um alvo estratégico, especialmente em meio à guerra comercial entre EUA e China, que domina 85% do refino global de minerais críticos, informa O Globo.
A proposta americana, porém, não é tão simples. Representantes do setor mineral brasileiro, liderados por Raul Jungmann, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), deixaram claro que qualquer negociação depende do governo federal, já que esses recursos são bens da União.
O momento é delicado: a ameaça de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras a partir de agosto intensifica a tensão entre os dois países. O Brasil, que exportou US$ 6,3 bilhões em minérios em 2024, principalmente para a China (24%) e Alemanha (12%), vê nesses recursos uma oportunidade de barganha para negociar melhores termos comerciais e até transferência de tecnologia.
O presidente Lula reforçou a soberania nacional, declarando que “ninguém põe a mão” nos recursos brasileiros, como lítio, nióbio e terras raras, cruciais para chips, energia limpa e equipamentos militares.
A pressão dos EUA ocorre em um contexto em que o Brasil ainda explora apenas 0,09% de seu potencial mineral, apesar de deter 10% das reservas globais de minerais críticos.
Especialistas, como Ronaldo Carmona, da Escola Superior de Guerra, destacam que o país pode se tornar uma potência minerária se investir em pesquisa e infraestrutura.
Para aproveitar essa janela de oportunidade, o Brasil planeja uma missão empresarial aos EUA entre setembro e outubro de 2025, visando convencer importadores americanos a pressionar Washington por acordos favoráveis.
Enquanto isso, a China, principal destino das exportações brasileiras, também intensifica sua influência no setor.
A disputa pelos minerais críticos coloca o Brasil em uma posição de força, mas exige diplomacia e estratégia para equilibrar interesses econômicos, soberania e sustentabilidade.
Não existe uma obrigação legal internacional que force um país rico em recursos minerais a negociar favoravelmente com nações mais carentes. Cada país tem soberania sobre seus próprios recursos naturais, o que lhes dá o direito de gerenciá-los como melhor lhes convier.
No entanto, há um crescente debate ético e moral sobre a responsabilidade de países com abundância de recursos contribuírem para a equidade global, especialmente considerando os princípios de justiça (intergeracional e intrageracional) e o impacto global da exploração desses recursos.
Embora não haja imposição legal, acordos e iniciativas internacionais buscam promover a cooperação e a sustentabilidade na gestão de recursos, incentivando uma distribuição mais justa e um uso mais consciente.
Contudo, há um risco potencial na atual política comercial dos EUA, que tem sido caracterizada por uma ênfase maior na proteção de empregos e indústrias domésticas (“America First”), incluindo o uso de tarifas e incentivos para trazer a produção de volta aos EUA.
Isso mostra uma complexidade nas suas estratégias, que visam tanto a competitividade global quanto a segurança econômica interna.









Eu sempre tive certeza que o Trump estava de olho das terras raras, nióbio e lítio.
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