Ideia é aliviar pressão migratória transferindo detidos na fronteira sul para o país vizinho, facilitando seu retorno aos países de origem
Washington (US)/ Buenos Aires (AR) · 31 de janeiro de 2026
Os governos dos Estados Unidos e da Argentina avançam em negociações para um pacto que permitiria a deportação de imigrantes de terceiros países diretamente para o território argentino.
Revelado inicialmente pelo The New York Times nesta sexta-feira (30/jan), o acordo em gestação visa aliviar a pressão sobre o sistema migratório norte-americano, enviando indivíduos detidos próximo à fronteira sul dos EUA – frequentemente após entradas irregulares – para a Argentina, onde seriam oferecidos voos de retorno aos países de origem.
As discussões, que remontam a janeiro de 2025 conforme fontes do governo norte-americano citadas exclusivamente pelo Ámbito Financiero, envolvem figuras chave da diplomacia argentina.
Documentos obtidos pelo La Nación indicam que o vice-ministro interino de Relações Exteriores, Juan Navarro, apresentou uma proposta formal no início de janeiro, enquanto o chanceler Pablo Quirno assumiu o compromisso de assinar o entendimento.
Essa iniciativa se insere na estratégia agressiva de imigração da administração Donald Trump, que já firmou acordos semelhantes com nações como México, Guatemala, Kosovo, Esuatini e Ruanda, ampliando a rede de “países terceiros seguros” para processar deportações.
No entanto, o presidente argentino Javier Milei negou veementemente a iminência do acordo, declarando em pronunciamento oficial que “não há negociações nesse sentido”, conforme reportado pelo Clarín.
Essa negação surge em meio a um contexto de alinhamento ideológico entre Milei e Trump, mas também de resistências internas na Argentina, onde o fluxo de imigrantes poderia sobrecarregar recursos logísticos e humanitários.
O Infobae, citando o relatório do New York Times, enfatiza que o pacto ainda não está selado, mas as tratativas envolvem o Departamento de Segurança Nacional dos EUA, com foco em migrantes de nacionalidades difíceis de repatriar diretamente, como haitianos ou venezuelanos.
Essa potencial parceria reflete o endurecimento das políticas migratórias sob Trump, que em seu primeiro ano de segundo mandato deportou mais de 500 mil indivíduos, conforme dados do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) divulgados pelo La Nación em 20 de janeiro.
Na Argentina, o acordo poderia servir como contrapartida a benefícios diplomáticos, como avanços no Programa de Isenção de Vistos, mas críticos alertam para riscos à soberania e à imagem internacional do país sul-americano.

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