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“Eu não creio que a direita veio para ficar”, diz José Dirceu: “Vencemos cinco eleições – um fato histórico mundial”

    O ex-ministro da Casa Civil deu a entender que a esquerda só não venceu em 2018 por conta da disseminação de notícias falsas e afirmou que se sentiu seguro com a expressividade do eleitorado: “Foram 32 milhões de votos naquelas condições

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    Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, publicada neste domingo no jornal Folha de S. Paulo, o ex-ministro José Dirceu (PT) afirmou que “o capitalismo vive hoje uma disputa entre as soluções da extrema direita e da direita. E isso está se desenhando no Brasil também“. Perguntado sobre a “força avassaladora” da direita, o advogado disse que não crê que ela veio para ficar.

    Bergamo argumentou com o ex-ministro da Casa Civil sobre a quarta eleição presidencial seguida vencida pelo PT há dez anos (Lula 2002 e 2006; Dilma 2010 e 2014) e citou a aparente “invencibilidade” da esquerda nas urnas, apesar do desgaste do mensalão e da Operação Lava Jato.

    A jornalista afirmou que, hoje, “é a direita que parece ter essa força avassaladora” e perguntou a Dirceu se “ela veio para ficar“. O ex-ministro lembrou que “vencemos cinco eleições“, vangloriando-se de que isso representa “um fato histórico mundial“. E acrescentou que “não acredita que direita veio para ficar“.

    A esquerda ressurgiu na França e houve reação à violência da extrema direita na Grã-Bretanha também”, respondeu Dirceu, referindo-se à vitória da esquerda, no segundo turno das eleições parlamentares do país, em 7 de julho de 2024, contra a ascensão da extrema direita no país liderado por Emmanuel Macron, bem como aos protestos da população do Reino Unido contra extremistas radicais de direita.

    Segundo o ex-ministro Dirceu, “a liderança do Lula, que no fundo representa as forças políticas de esquerda no país, se expandiu” e ele só não venceu em 2018 porque “estava preso em um processo político de exceção“.

    Mesmo assim, Dirceu afirmou que se sentiu “seguro” com a votação expressiva obtida pelo hoje ministro da Fazenda, Fernando Haddad, naquele famigerado pleito vencido pelo hoje inelegível Jair Bolsonaro (PL).

    Foram 32 milhões de votos naquelas condições [de muita disseminação de fake news]”, afirmou Dirceu: “Me deu a segurança de que havia ainda um período sob a liderança do Lula e, de certa forma, sob a hegemonia do PT. Isso se confirmou em 2022“, argumentou.

    E mesmo com Bergamo lembrando a Dirceu que “Lula só se elegeu em 2022 após formar uma frente muito ampla, que incluiu setores conservadores sem os quais não seria possível vencer a direta considerada mais radical“, o ex-ministro respondeu que “a extrema direita sempre teve expressão no país“.

    O crescimento do capitalismo brasileiro criou uma classe trabalhadora progressista, que votou no PTB de 1946 a 1964, no MDB progressista e nacionalista de 1974 a 1989 e no PT daquele ano em diante. Mas uma parte dela também vota nos populistas de direita. Jânio Quadros, Fernando Collor e Jair Bolsonaro não venceram apenas com os votos da classe média e das elites do país. Eles tinham apoio popular“, disse o ex-ministro, que depois confirmou uma pergunta da jornalista sobre a existência de uma “nova direita”.

    Sim. Essa direita que estamos vendo agora tem um elemento religioso, do fundamentalismo neopentecostal. E tem o elemento do liberalismo econômico, incorporado por setores das classes populares, que é anti-Estado, anti-imposto, e que o [Pablo] Marçal representa bem. Ele divide o bolsonarismo“, afirmou José Dirceu.

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